22/04/2014 às 08h25min - Atualizada em 22/04/2014 às 08h25min

Senhores das imagens

Fotógrafos que registraram a história de Leopoldina

Luciano Baía Meneghite
Acervo - Jornal Leopoldinense

A casa mudou, a rua mudou, a cidade mudou, a vida mudou, as pessoas mudaram, mas derrepente uma fotografia aparece, reavivando emoções até de quem não as viveu.

Hoje qualquer um dá seus click’s a qualquer momento, seja pelo celular, ou numa câmera mais sofisticada. Se por um lado a popularização da fotografia foi boa, com o aprimoramento e barateamento de equipamentos, por outro, houve uma banalização da imagem. Não estou dizendo nenhuma novidade. São comuns pessoas que tiram fotos às centenas, até milhares, seja em viagens, festas ou mesmo no dia a dia, mas na maioria das vezes sem a sensibilidade para captar as imagens e os momentos realmente marcantes. E haja saco para ver tantas fotos e vídeos cheios de rostinhos colados em close e poses artificiais imitando modelos de revistas ou coisas do tipo. As câmeras modernas até filmam e fotografam sozinhas, mas nunca substituirão o olhar humano e a sensibilidade do verdadeiro artista da imagem. É bem verdade que nos primórdios da fotografia, os registros, principalmente de famílias, também eram com poses e vestimentas que nem sempre faziam parte da realidade diária dos retratados. Quem já viu uma foto do avô ou bisavô, que nada tinha de doutor ou coronel, vestido como tal, de terno e gravata sabe o que estou falando. “Tirar retrato” era um acontecimento especial para qualquer família, independente de suas posses. Mas mesmo nesses primeiros anos, se fez registros mais reais, jornalísticos; mesmo que não tenha sido essa a intenção. Hoje tais imagens, mesmo as que a primeira vista pareça não ter importância, constituem documentos fundamentais para compreensão de nossa história no final do século XIX e século XX.

O fotógrafo cubano Alberto Korda, autor da célebre foto de Che Guevara disse em 1997 em entrevista à revista Istoé: “A história da Revolução Cubana pode ser escrita por mil autores, mas será ilustrada com minhas fotos”. E ele tinha razão. Guardando as devidas proporções, a história de Leopoldina também pode ser escrita por mil autores, mas serão ilustradas por imagens de poucos fotógrafos, que muitas vezes tem seus trabalhos reproduzidos sem o devido crédito.

Na verdade o fotógrafo não é totalmente dono, nem mesmo único autor da imagem que é formada também por fatores externos que nem sempre domina. Mas ele é sim, autor e dono do registro fotográfico. Suas obras são protegidas por lei e passam a ser de domínio público, após 70 anos da morte do autor. Mas os direitos morais não se perdem nunca. É nossa obrigação respeitá-los. É curioso que a profissão de fotógrafo só agora esteja sendo regulamentada.

Durante muito tempo, a atividade foi considerada apenas um “bico”.
Com a colaboração dos leitores do jornal, estamos sempre fuçando em fotografias antigas, representativas de diferentes épocas em Leopoldina e na maioria das vezes, encontramos fotos danificadas pela ação do tempo que restauramos tentando ser o mais fiel possível ao original. Muitas dessas fotografias não contêm identificação nenhuma de autor, datas ou mesmo informações sobre a imagem. É um quebra cabeça que dá trabalho, mas que é interessante de se montar. É bom lembrar que além das fotos, existem ainda alguns filmes antigos em poder de particulares que por falta de ação do poder público, permanecem desconhecidos dos leopoldinenses.Outros em poder da Cinemateca Brasileira, igualmente distante dos olhos do nosso povo.

Baseando-nos nas obras com autoria identificadas, escritos e depoimentos chegamos a alguns nomes fundamentais da fotografia em Leopoldina nas primeiras décadas do século XX: César Rolli, Jarbas Pereira da Silva e Hamilton Vasconcelos, logo seguidos de Ivan Carlos e Arvedo Berzins .

Personagens de uma época em que fotografia era uma atividade artesanal que além de sensibilidade e habilidade, exigia certo conhecimento técnico. Não trataremos aqui detalhadamente das técnicas usadas e das qualidades profissionais de cada um deles, pois nossa intenção é simplesmente dar um reconhecimento maior aos que conscientemente ou não da importância de seu trabalho, deixou importantes registros para a nossa história. Claro que outros contribuíram. Roberto Capri fotografou a cidade em 1916; imagens publicadas no Almanack Eu Sei Tudo. Cartões postais foram produzidos por um “Foto Arantes” na década de 20 do qual pouco se tem informações. E teve o Foto Andrade, antecessor do atual Mário Simões Andrade. Alguns, sem se dedicarem exclusivamente à fotografia, mas por terem militado na imprensa da cidade, também fizeram importantes registros como Elias Abrahim Neto, Joseph Gribel, Lúcio Sampaio ou Gama Filho. Hoje, sem falsa modéstia também eu e meu irmão Biel aqui no Leopoldinense, temos tentado registrar bem os acontecimentos da cidade. Outros seguiram o caminho dos pioneiros como os filhos do Sr. Jarbas, Jabinha, Cidoca, seu filho Júlio, filho do também competente fotógrafo João Luiz França Monerat, pioneiro na revelação instantânea na cidade. Ainda temos o Sebastião Heitor, o SEHELUVAL da revista Hora H, Gilberto Pinheiro, filho de José Aragon Pinheiro, que também era um entusiasta da fotografia. Rodrigo Gesualdo, o Molé e sua equipe, Rodrigo Rodrigues, Iano Oliveira, Wellington Carvalho, Kalon Morais, entre outros. Cada um com seu talento, seu enfoque, seu olhar e até com suas limitações seguem focalizando Leopoldina, com o desafio de serem diferentes num tempo em que entre bons e maus, todo mundo “é fotografo e cinegrafista”.

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