28/10/2015 às 11h29min - Atualizada em 28/10/2015 às 11h29min

Vendas de cimento no mercado interno têm queda de 14,7%

Segundo Snic, indústria nacional vive momento dramático

Luciane Lisboa - Diário do Comércio
Em setembro, consumo doméstico registrou queda de 14,7% em relação a igual mês do ano passado. (Alisson J. Silva)

O agravamento da crise econômica no País impacta vários setores produtivos, como o da construção civil, o que comprova a retração acentuada nas vendas de cimento no mercado interno. Em setembro, o consumo nacional do insumo foi de 5,45 milhões de toneladas, queda de 14,7% em comparação com o mesmo mês do ano passado (6,3 milhões de toneladas).

Já as vendas acumuladas no ano, entre janeiro e setembro, alcançaram 49,2 milhões de toneladas. Em relação a idêntico período de 2014, houve recuo de 7,7%. Na comparação com os últimos 12 meses foram vendidas 66,8 milhões de toneladas, queda de 5,7% sobre o acumulado no mesmo período. Os dados são do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic) com base em levantamento da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Secex/Mdic).

De acordo com o presidente do Snic, José Otávio Carvalho, a indústria cimenteira vive um momento dramático. "Até o final do ano passado, ainda não tínhamos sentido o impacto de forma tão intensa. Mas quando a crise chegou ao mercado da construção civil, as vendas no setor começaram a degringolar muito rápido", explica.

Com isso, Carvalho não tem expectativas positivas para o setor em relação aos próximos anos. Se nada mudar, segundo o dirigente, a indústria cimenteira deve fechar 2015 com queda de 12% na produção. E 2016 não será muito diferente.

"Para o ano que vem, estamos prevendo uma continuidade na queda, porém um pouco menor, por volta de 10%. A questão é que as obras que estavam em andamento não foram paralisadas e já estão concluídas. No entanto, não estão ocorrendo novos lançamentos e não sabemos quando o mercado vai ser retomado", alerta o presidente do Snic.

Ainda segundo os dados disponibilizados pela entidade, considerando as vendas domésticas do principal insumo da construção por dia útil, melhor indicador do setor, uma vez que inclui os dias trabalhados e os efeitos sazonais na produção, houve queda de 11% em setembro na comparação com o mesmo mês do ano passado. No mês passado, foram 238,7 mil toneladas comercializadas contra 266,5 mil toneladas em setembro de 2014.

As importações do produto totalizaram 32 mil toneladas em setembro, uma retração de 52% em relação a igual intervalo de 2014. "Isso é reflexo do câmbio e não chega a ser um problema para o setor, já que representa muito pouco do total comercializado no País", pondera Carvalho.

Também como reflexo do dólar mais alto, as exportações do insumo em setembro cresceram 10% no acumulado do ano: passaram de 20 mil toneladas em 2014, para 22 mil toneladas entre janeiro e setembro de 2015. Somente em setembro, as vendas para o exterior somaram 3 mil toneladas, queda de 25% em comparação com os embarques do mesmo mês do exercício passado (4 mil toneladas).

Sudeste - Conforme as informações do Snic, em setembro, as vendas de cimento na região Sudeste, maior mercado consumidor do produto no País, somaram 2,429 milhões de toneladas contra 2,977 milhões de toneladas em igual mês de 2014, queda de 18,4%.

De janeiro a setembro, o consumo de cimento na região Sudeste chegou a 22,7 milhões de toneladas. Em relação ao volume consumido no mesmo intervalo do exercício anterior (25,1 milhões de toneladas), houve um recuo de 9,4%.

Embora o parque produtivo de cimento no Estado conte com importantes players do setor, entre eles a Holcim Brasil, a Lafarge e a Cimentos Liz - e responda por praticamente metade da produção do insumo na região Sudeste e por 25% da nacional -, a indústria cimenteira não é intensiva em geração de empregos.

No entanto, segundo Carvalho, o desemprego no segmento da construção civil serve como termômetro para o setor. Somente neste ano, a indústria da construção civil deve reduzir os postos de trabalho em 11% no País, com cortes de mais de 500 mil pessoas.

 


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