04/11/2015 às 08h21min - Atualizada em 10/11/2015 às 08h21min

Livro de Fernando Fiorese será lançado dia 12 no Museu Espaço dos Anjos

‘Um chão de presas fáceis’, é um romance de beira de estrada que relata histórias contadas pelos moradores das cidades atravessadas pela Rio-Bahia ou próximas.

Fernando Fiorese(foto de Jesualdo A. Castro)

A Academia Leopoldinense de Letras e Artes e a Secretaria Municipal de Cultura, promovem na quinta-feira, 12 de novembro, dentro da Semana Anjosiana’, no Museu Espaço dos Anjos, em Leopoldina, a partir das 19h30min, uma palestra proferida pelo professor Fernando Fiorese abordando o tema: ‘Augusto dos Anjos, uma poética do corpo’ e logo em seguida será feito o lançamento do romance de sua autoria: ‘Um chão de presas fáceis’.

O livro: ‘Um chão de presas fáceis’, um romance de beira de estrada

Dois amigos, Humberto e Murilo, realizam uma viagem de 1.600km para filmar um documentário acerca do trecho mineiro da Rio-Bahia (antiga BR-4 e atual BR-116). Desde Divisa Alegre (fronteira à Bahia) até Além Paraíba (divisa com o Estado do Rio), registram histórias narradas por andarilhos, prostitutas, professoras, comerciantes, crianças, lavadeiras, caminhoneiros, donas de casa, trabalhadores rurais e muitos outros personagens que vivem nas cidades às margens ou próximas da estrada. Antes e durante as filmagens, reúnem farto material, incluindo cópias de textos extraídos de livros, folhas manuscritas e datilografadas, recortes de jornais e revistas, registros de diálogos, impressos variados, bilhetes e anotações diversas, desenhos, fotografias, souvenirs de numerosos tipos e alguns outros itens.

Foi este material, guardado em três caixas de papelão, que Humberto entregou a Fernando Fiorese em 2012, alguns meses após o trágico acidente que interrompeu as filmagens na altura de Além Paraíba e determinou que o documentário jamais fosse concluído. O romance Um chão de presas fáceis é o resultado do trabalho de seleção e organização deste cúmulo de papéis e das histórias registradas no documentário. E foi realizado conforme os indicativos do roteiro e as informações fornecidas por Humberto, com o objetivo de encontrar um arranjo semelhante à proposta do filme inacabado.

Neste sentido, Fiorese esclarece que “a disposição dos textos escolhidos segue a geografia das filmagens, de Divisa Alegre até Além Paraíba, mas senti a necessidade de acrescentar algumas notas indicativas e títulos aos fragmentos para situar o leitor e identificar lugares e personagens, quando não são de todo anônimos”. Embora satisfeito com o resultado final, o organizador  lamenta  não  ter  sido  possível incluir  na  obra  o  diário escrito por Murilo ao longo das filmagens devido às condições impostas pela sua família para autorizar a publicação. “Quem sabe”, afirma Fiorese, “numa segunda edição, a gente não consegue pelo menos colocar alguns trechos do diário que dizem respeito mais diretamente às histórias que selecionei.”

 

Os “Sertões Proibidos”

Quanto à identidade dos verdadeiros autores de Um chão de presas fáceis, Fiorese não dá muitas pistas: “Posso dizer apenas que um nasceu em Cataguases e o outro morou em Juiz de Fora. O próprio Humberto me pediu para não revelar nada mais do que isto.” Assim, embora se diga apenas um compilador de material alheio, Fernando Fiorese nos guia nesta viagem vertiginosa pelas margens perigosas e plurais da Rio-Bahia, apresentando aos leitores uma outra Minas Gerais, raras vezes incluída no mapa das representações literárias das regiões brasileiras.  

Trata-se do Leste de Minas, estreita faixa de terra que se estende da divisa com o sul da Bahia até a fronteira com o estado do Rio, abrangendo os vales do Jequitinhonha, do Mucuri, do Rio Doce e a Zona da Mata. Conhecida como “Sertões Proibidos” graças a uma lei (1773) em que, a fim de impedir o descaminho do ouro, o rei de Portugal, D. João V, proibia tanto o seu povoamento quanto a abertura de picadas que dessem nas Minas, a região começou a ser ocupada de forma efetiva apenas a partir de meados do século XIX. Com características distintas daquelas presentes em outras regiões mineiras, a identidade do Leste de Minas foi profundamente influenciada por ciclos de progresso econômico de curtíssima duração (cultura do café na Zona da Mata e mineração nos vales do Jequitinhonha, do Mucuri e do Rio Doce, na passagem do século XIX ao XX) e pela implantação da estrada Rio-Bahia a partir dos anos 1930.

A propaganda oficial, desde a Era Vargas até o governo João Goulart, quando foi enfim asfaltada, anunciava a Rio-Bahia como fator de integração e desenvolvimento regionais. No entanto, as condições políticas, econômicas e sociais trataram de transformá-la numa rota de fuga dos habitantes do Leste de Minas em direção ao Rio de Janeiro e, principalmente, São Paulo, sempre em busca de trabalho e melhores condições de vida.

 

Um documentário em prosa

Às histórias contadas pelos moradores das cidades atravessadas pela Rio-Bahia ou próximas e registradas pela câmera dos documentaristas Humberto e Murilo, Fernando Fiorese acrescentou cartas, registros históricos, citações, notícias de jornal, diálogos soltos, aforismos e outros textos que constavam daquelas caixas de papelão. “Pensava em fazer algo semelhante a um road movie”, confessa o autor, “mas acho que, no fim das contas, saiu um romance de beira de estrada. Aliás, o nome mais adequado para definir este livro nem é romance. Prefiro chamá-lo de prosa-documentário. Daí o subtítulo e a nota explicativa que coloquei nas páginas iniciais.”

O caráter fragmentário, múltiplo, descontínuo e inacabado de Um chão de presas fáceis favorece a acoplagem de tempos e espaços, os cortes e as elipses, recursos típicos da técnica da montagem cinematográfica. Ao modo do documentário que o romance pretende simular, Fernando Fiorese constrói um caleidoscópio de narrativas e outras muitas formas textuais. E como quem oferece carona num travelling férreo e feérico pelas margens da Rio-Bahia, nos dá a ver a gente e as cidades do Leste de Minas, uma realidade histórica e social de tal modo estilhaçada, múltipla e singular que apenas as vozes de seus próprios habitantes pode revelar.   

 

Sobre o autor

Fernando Fiorese nasceu em Pirapetinga, cerca de 45km da Rio-Bahia, e reside em Juiz de Fora (MG). Poeta, escritor e ensaísta, tem publicadas as seguintes obras: Aconselho-te crueldade (contos, 2010, agraciado com bolsa da Fundação Biblioteca Nacional e finalista do Prêmio Portugal Telecom 2011), Um dia, o trem (poemas, 2008), Dicionário mínimo: poemas em prosa (2003), Murilo na cidade: os horizontes portáteis do mito (ensaio, 2003), Corpo portátil: 1986-2000 (reunião poética, 2002) e Trem e cinema: Buster Keaton on the railroad (ensaio, 1998, prêmio de publicação no II Festival Universitário de Literatura promovido pela Xerox do Brasil e revista Livro Aberto). Textos de sua autoria ­figuram em periódicos e antologias publicados no Brasil e no exterior (Argentina, Espanha, EUA, França, Itália, Portugal e Suíça). Atua como professor de Teoria Literária e Literatura Brasileira na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Um chão de presas fáceis é o primeiro romance publicado pelo autor e contou com patrocínio da Petrobras para seu desenvolvimento.

 

Contatos com o autor

Telefones: 55 (32) 9982-1367 / 3218-3771

E-mail: fernando.fiorese@acessa.com

 

Sobre a obra

Título: Um chão de presas fáceis

Autor: Fernando Fiorese

Selo: Escrituras

Páginas: 280

Formato: 14 X 21cm, brochura

Edição: 1ª

Preço: R$30,00

ISBN: 978-85-7531-640-5

 

Pedidos

 

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