11/02/2016 às 08h36min - Atualizada em 11/02/2016 às 08h36min

Maioria dos leitores aprovou decisão da Prefeitura em não fazer carnaval de rua.

Um novo caminho para o carnaval de rua pode ser a garantia infraestrutura para os blocos caricatos e concentrações como o BV Folia e Praça do Urubú.

Luiz Otávio Meneghite
No bairro Bela Vista foram montadas diversas tendas com estruturas de bares e um palco com apresentações de bandas locais e som de DJ’s no ‘BV Folia’.
Com a decisão de Poder Público em suspender parte da verba que financiaria a estrutura do tradicional Carnaval de Leopoldina, com montagem de palco e palanque no centro da cidade, além de subvenções para os blocos, com a justificativa de direcionamento dos recursos para a saúde, o cancelamento do carnaval oficial nos moldes tradicionais de desfiles pela Cotegipe foi amplamente noticiado em toda região e a decisão gerou polêmica nas redes sociais, uns contra e outros a favor. No entanto, mesmo com as restrições impostas a realização da festa aconteceu na cidade e em alguns distritos e vilas.
 
Sou do tempo em que os blocos carnavalescos eram conhecidos como ‘Zé Pereira’. Me lembro que, ainda criança no bairro da Fábrica, todos os anos fazíamos o nosso bloco e desfilávamos sem itinerário previamente definido. O roteiro era estabelecido no decorrer do caminho, de acordo com a animação. Foi nessa época que surgiu o bloco do Vitalino Duarte, mais tarde denominado Acadêmicos de Leopoldina. Era um bloco que não tinha sede. Os ensaios eram na verdade prévias carnavalescas a cada final de semana realizado em um bairro e a decisão era tomada pelo próprio ‘Mestre Vitalino’ atendendo a pedidos dos moradores locais que queriam ver a folia perto de suas casas. Me lembro também dos blocos do Clube Leopoldina, do Clube Cutubas, do Sindicato Têxtil, da Associação Comercial. Eram todos na verdade blocos caricatos, uns mais outros menos organizados, mas caricatos, em demonstrações claras que os foliões queriam deixar as quatro paredes de um salão de baile e vir para as ruas.
 
Mais tarde surgiram as escolas de samba sendo que três delas marcaram época nas décadas de 1960/70 sem precisar de subvenções da Prefeitura: Unidos da Vila, reunindo moradores da antiga rua das Palmeiras e adjacências com a adesão de moradores de toda a cidade; a Princesa Leopoldina, formada com base na rua das Flores e tida como uma das mais bonitas e organizadas que já surgiu em Leopoldina. Por fim, a grande campeã de vários carnavais que existiu por mais tempo, a Unidos do Pirineus a única com uma sede própria que nunca agregou valor à agremiação e nunca foi prá frente, sempre dependendo de favores de políticos e de subvenções oficiais.

Numa fase mais recente, surgiram blocos e escolas de samba nos bairros Bela Vista e São Cristóvão que foram definhando na mesma proporção em que foram minguando as subvenções oficiais.

O tempo se encarrega de nos ensinar um novo caminho para o carnaval de rua. Uma olhada pelo retrovisor nos mostra os blocos caricatos como o Pó de Giz, Unidos Cana, Bão Igual Bosta, Brasilietes, Cooper Beer e Descamisados, este o mais antigo deles com 51 anos de existência ininterrupta, que com simplicidade e muita animação de seus integrantes promovem o verdadeiro carnaval de rua. Este pode ser o caminho: apoiar logisticamente o surgimento ou ressurgimento desses blocos onde a liberdade é a palavra chave para a autêntica manifestação popular que é o carnaval.

Acredito, que cabe sim ao poder público dar infraesturutura para os locais de concentração desses blocos, com a instalação de banheiros químicos e sinalização apropriada de trânsito para segurança dos foliões. Aliás, a parte relativa à subvenção aos blocos sempre a menor parcela. O que encareceu o carnaval nesses últimos anos foi a instalação de palcos e contratação de bandas caras de fora. Além do que, este tipo de montagem, geralmente no centro, congestiona o trânsito e tumultua a vida das pessoas.

A festa conhecida como BV Folia realizada no bairro Bela Vista e o Carnaval da Saudade, realizado há anos na Praça do Urubu vieram para ficar e outras do mesmo gênero deveriam ser incentivadas em outros bairros, distritos e povoados.


A julgar pelo resultado da enquete, a maioria dos leitores pensa parecido achando correta a atitude da Prefeitura em não patrocinar o carnaval de rua em Leopoldina nos moldes dos antigos desfiles.

Confira os números da enquete no infográfico e vejas as fotos de João Gabriel Baia Meneghite



Veja o que foi bem e o que foi mal no Carnaval

Por Luciano B. Meneghite

Foi Bem
·A segurança do carnaval
·A animação dos caricatos e Praça do Urubu
·Os movimentos improvisados em pontos diversos da cidade

Foi mal
·A falta de decoração na cidade
·Apesar da competência  dos músicos na Praça do Urubu, a banda estava desfalcada, principalmente na percussão.
·A falta de inovações como concursos de fantasias, marchinhas e rei e rainha do carnaval
·A sujeira e vandalismo de muitos foliões


 

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