11/02/2016 às 08h48min - Atualizada em 11/02/2016 às 08h48min

A indefinição do Carnaval e o potencial turístico a ser explorado em Leopoldina

João Gabriel B. Meneghite
O município é privilegiado por suas belezas naturais, com serras, montanhas e cachoeiras
O que fazer, como e onde, são questionamentos feitos todos os anos sobre o carnaval no município de Leopoldina. Enquanto muitas cidades aproveitam do potencial turístico do carnaval, com significativas evoluções, em Leopoldina, muitas experiências e poucos avanços foram registrados ao longo dos anos.
 
O 'Carnaval da Saudade', comemorado todos os anos na Praça do Urubu, cujo ambiente é propício para a família e crianças, com música ao vivo de antigas marchinhas, foi uma opção de lazer criada pelos comerciantes e moradores daquela região que deu certo e está presente há 12 anos no carnaval leopoldinense.
 
A evolução do carnaval do distrito de Tebas também foi uma das experiências que está vingando ao longo dos últimos anos. O desfile de blocos como os do Corujão da Madrugada, Bloco da Baiana, Privada, Mulinha, entre outros tem atraído gente da cidade para o distrito. A realização de eventos durante o ano, arrecada fundos para os blocos, que não dependem de subvenção da prefeitura.
 
Já na cidade, os desfiles e organização dos blocos alternaram entre bons e maus momentos. Para alguns, sem verbas do Poder Público não há papo, a cidade fica sem os desfiles de carnaval. Outros desistem pela falta de entusiasmo em virtudes de diversas situações interpostas e quem perde é toda a população.
 
Nesta indefinição, surgem os blocos independentes e caricatos, que vem ganhando força a cada ano. 
 
Os poucos que lutam pelo carnaval e pelo resgate dos desfiles de escolas de samba, parecem estar nadando contra a correnteza, pois tentam se mobilizar e não conseguem sair do lugar. Primeiro porque não existe união entre os carnavalescos. União faz a força e sem ela não há como cobrar do executivo um carnaval melhor para o nosso município.
 
Neste meio há pessoas bem intencionadas e existem também oportunistas. A prestação de contas de algumas agremiações, por exemplo, colocam em dúvida se o dinheiro recebido do setor público realmente foi investido para a finalidade, revoltando a grande maioria, verdadeiros entusiastas do carnaval, que prezam pela transparência, e acima de tudo, por uma festa bonita.
 
Ao longo desses anos já deu para perceber quem realmente luta pelo carnaval. Há muita gente bacana que pode ser reunida para traçar um planejamento estratégico para o desenvolvimento do carnaval de Leopoldina. Para isto, antes de mais nada, os interesses pessoais devem ser deixados de lado, chegando a um consenso para a realização da festa em diversos cenários econômicos, deixando de lado o discurso "por menos de X eu não desfilo".
 
A prefeitura também deve fazer a sua parte, chamando os interessados para um conversa franca, mostrando a realidade financeira e traçando em conjunto o que deve ser priorizado. A falta de diálogo e a desorganização parecem prevalecer. O planejamento e articulação deveria ser durante o ano, mas só é pensado dias antes da festa, tanto por algumas agremiações, quanto pelo Poder Público.
 
A Liga Carnavalesca, fundada há alguns anos,  veio como uma esperança, mas só funcionará com a união de todos, principalmente a colaboração dos integrantes de blocos e escolas de samba. A entidade já tentou reunir previamente esse pessoal, mas apenas dois, salvo engano, compareceram a reunião. 
 
Assim fica difícil não é mesmo? Se tivessem união, teriam forças políticas para lograr êxito nas reivindicações.
 
Neste ano, por exemplo, a prefeitura decidiu economizar, suspendendo o dinheiro na contratação de bandas, palco e distribuição de subvenções para os blocos, investindo o básico para manter a tradição do carnaval. No entanto a informação de que Leopoldina não teria carnaval ganhou holofotes em toda região, prejudicando organizadores em diversas regiões da cidade nos primeiros dias de carnaval, que teve pouco movimento. A falta de divulgação de uma programação oficial reforçou a tese de que a cidade não teria festa.
 
O município é privilegiado por suas belezas naturais, com serras, montanhas e cachoeiras. O turismo de verão e ecológico seriam grandes agregadores para atrair visitantes de diversas regiões que procuram lugares tranquilos e bonitos para passar o feriado com a família.
 
Já faz alguns anos que o carnaval de Leopoldina vive um dilema e indefinições sobre a característica ideal: o que fazer? Como fazer? 
 
Para responder essas perguntas os envolvidos deveriam ter a humildade de reconhecer suas limitações e funções, dando espaço para profissionais da área do turismo, que tem know how para realizarem estudos, que lhe propiciarão resultados para a elaboração de um planejamento estratégico de longo prazo, com objetivo de desenvolver o turismo, principalmente neste período de verão, que o calor é escaldante em Leopoldina, favorecendo a exploração de locais com belezas naturais.
 

Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »