22/02/2016 às 11h17min - Atualizada em 22/02/2016 às 11h17min

Nova fase da Lava Jato mira marqueteiro de Dilma e Lula

Jornal do Brasil

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta segunda-feira (22) mais uma fase da Operação Lava Jato. Os policiais estão cumprindo mandados em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Salvador. Cerca de 300 policiais federais cumprem 51 mandados judiciais, sendo 38 de busca e apreensão, seis de prisão temporária e cinco de condução coercitiva. O publicitário João Santana é um dos alvos desta etapa. 

Há mandado de prisão temporária expedido contra Santana, que foi marqueteiro das campanhas da presidente Dilma Rousseff e da campanha da reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006. Ele está no exterior e não foi preso. 

Além dele, a empreiteira Odebrecht e o engenheiro Zwi Skornicki, que operava propinas no esquema da Petrobras, são alvos. Informações dão conta de que investigações teriam detectado remessa de verba de uma empresa em Angola para o Brasil, destina a campanhas em São Paulo e de âmbito nacional.

>> Lava Jato: Odebrecht diz que vai colaborar com autoridades

O juiz Sérgio Moro negou a João Santana acesso ao processo 

O juiz Sérgio Moro negou a João Santana acesso ao processo 


O juiz Sérgio Moro negou a João Santana acesso ao processo 

Os mandados são cumpridos nos estados da Bahia (Salvador e Camaçari), Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Petrópolis e Mangaratiba e São Paulo capital, Campinas e Poá.

Os presos serão levados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde permanecerão à disposição da 13ª Vara da Justiça Federal.

A 23ª Fase da Operação Lava Jato foi denominada Acarajé, em alusão ao termo utilizado por alguns investigados para nominar dinheiro em espécie.

Moro nega a João Santana acesso a processo e ironiza publicitário 

O juiz Sergio Moro negou, semana passada, acesso à defesa de João Santana aos autos da investigação sobre pagamentos realizados pela Odebrecht ao marqueteiro das campanhas da presidente Dilma Rousseff (2010 e 2014) e do ex-presidente Lula (2006). No despacho, ao qual a "Folha de S.Paulo" teve acesso, Moro ironiza o pedido dos advogados.

"Evidente, querendo, poderá o investigado antecipar-se à conclusão da investigação e esclarecer junto à autoridade policial seu eventual relacionamento com o grupo Odebrecht", afirma o juiz responsável pela Lava Jato, em despacho datado da última terça-feira (16).

Moro argumenta, ainda, que a abertura de dados a Santana poderia colocar em risco o rastreamento dos recursos financeiros ou levar à destruição de provas. "Foram instauradas investigações que ainda tramitam em sigilo. Medida como rastreamento financeiro demanda para sua eficácia sigilo sob risco de dissipação dos registros ou dos ativos. Como diz o ditado, dinheiro tem coração de coelho e patas de lebre".

Procurados pela reportagem, Santana e seu advogado, Fábio Tofic, não quiseram se manifestar. De acordo com a "Folha", na ocasião em que pediu o acesso ao inquérito, a assessoria do publicitário afirmou que ele "nunca negou que possui empresas no exterior" e que Santana aguardaria "para apresentar os detalhes de sua vida financeira às autoridades competentes". A Odebrecht também não quis se manifestar por não ter tido acesso ao inquérito.


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