31/03/2016 às 18h49min - Atualizada em 31/03/2016 às 18h49min

Em São Paulo, ato contra impeachment ocupa Praça da Sé

Liderança diz que o que está em jogo não é simplesmente derrubar a presidenta Dilma, mas um movimento de retirada de direitos trabalhistas e de eliminação de programas sociais

Camila Boehm e Bruno Bocchini, da Agência Brasil
Praça da Sé, na região central de São Paulo.

São Paulo – Ato em defesa da democracia e contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff ocupa a Praça da Sé e a rua lateral da catedral, no centro da capital paulista. Organizado pelo movimento Frente Brasil Popular, o ato foi batizado de “Em Defesa da Democracia, Golpe Nunca Mais”.

Quatro carros de som levam líderes de movimentos sociais e de sindicatos que se revezam nos discursos.

Entre os manifestantes, há balões e bandeiras de entidades, como a CUT, da CTB, da União da Juventude Socialista, da Central de Movimentos Populares, além de sindicatos de diversas categorias.

As pessoas carregam bandeiras e faixas com o nome de Dilma e com a hashtag DilmaFica, além de mensagens contra o impeachment e contra o que chamam de golpe.

O professor Daniel Eid Garcia, 41 anos, diz que participou de todas as manifestações contra o impeachment este ano. Ele disse que veio ao ato de hoje para reforçar a ideia de que a sociedade não pode aceitar o impedimento da presidenta. “O método [atual] configura golpe, não há sustentação jurídica para o impeachment”, disse.

O coordenador da Central de Movimentos Populares, Raimundo Bomfim, concorda com a avaliação. “Está claro que não tem embasamento jurídico (para o impeachment), a presidenta Dilma não cometeu crime de responsabilidade, será um golpe se isso ocorrer. Nós estamos confiantes que não vai ocorrer. E se ocorrer, o (vice-presidente) Michel temer já começa um governo deslegitimado”, disse.

“O que está em jogo não é simplesmente derrubar a presidenta Dilma, o que está em jogo é um movimento de retirada de direitos trabalhistas e de eliminação de programas sociais. Com as forças políticas que estão acenando para um eventual governo Temer, a situação dos trabalhadores não vai melhorar”, destacou.

“(Num eventual governo Temer) vai é piorar a situação dos trabalhadores e da população mais pobre porque vai retirar direitos. Toda vez que entra em crise, o andar de cima fica com a fatia maior, e quem paga a conta são os trabalhadores. Mesmo em um governo Dilma, comprometido com os setores populares, isso já está acontecendo”, disse Bonfim.

Também participam do ato a Frente das Mulheres pela Democracia, a Frente Brasil Sem Medo, e a Marcha Mundial das Mulheres. A palavra de ordem mais cantada é “Não Vai ter Golpe”. Uma grande faixa erguida por um balão traz os dizeres: “O Pré-Sal é Nosso Só com a Partilha”. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é criticado pelos manifestantes.

“Nós, as mulheres, pedimos o fora Cunha, esse corrupto, que prega a injustiça, a favor da morte das mulheres. E essa direita golpista que, ao tentar dar a golpe e destruir a esquerda, não contava com a nossa capacidade de luta. O que eles fizeram foi fortalecer a nossa luta. Seu machismo chulo contra a Dilma fez com que as mulheres do país se erguessem todas. Sairemos fortalecidos desse embate”,  disse a coordenadora da Marcha Mundial das Mulheres, Nalu Faria.

Acompanhe o que dizem os presentes nas manifestações:

 

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Celia, de São Paulo: 'Se não tem democracia, você fica lá só engolindo a Globo. Não pode se manifestar'

 

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Tais e Giovana, de São Paulo: 'O impeachment não tem base jurídica'

 

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Maria de Fátima, de Brasília: 'Vivi sob uma ditadura que prometia acabar com a corrupção. Agora, estamos na iminência de outra'

 

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Alessandra, de São Paulo: 'Eu quero defender o meu voto em urna na presidenta Dilma. Se eles querem governar, que esperem as eleições.'
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