24/04/2016 às 12h22min - Atualizada em 24/04/2016 às 12h22min

Citar família era a senha para os golpistas receberem a mala de propina?

Emanuel Cancella(*)
Chamou atenção dos brasileiros, no processo de impeachment da presidente Dilma, o fato de os deputados, que votaram pela sua admissibilidade, fazerem referência à família, pai, mãe, filho e esposa. Pouquíssimos falaram na motivação de seu voto, mas todos falaram da família. Todos sabemos que a maioria dos votantes tem, como motivação, além de seus argumentos mais pífios, a retaliação contra o PT, Dilma e Lula. Até o New York Times reconhece a inocência de Dilma, então é impossível que um parlamentar brasileiro não saiba disso.

Por isso é estranho que os parlamentares possam ter envolvido a família num voto que ele(a) sabe que pode ter todos os embasamentos, menos a verdade, e, por mais cretina que seja essa pessoa, não iria envolver sua família numa coisa espúria dessa. Até porque a maioria acredita em Deus e muitos são religiosos! Por isso, movido pela minha intuição conspiratória, acredito que a senha para receber a mala, que dizem que rolou, era citar a família.  Dentro da minha tese, o que reforça minha desconfiança, foi um parlamentar, que não me lembro o nome, após votar, retornou bem depois ao microfone para homenagear a família. Como foi o único a voltar ao microfone fica fácil a lembrança.

Outra coisa, a deputada Raquel Muniz (PSB), proferiu seu voto pelo impedimento e elogiou seu marido, o prefeito de Montes Claros (MG), Ruy Adriano Borges Muniz (PSB), e hoje, 18, seu marido foi preso pela PF. Creio que uma deputada que estaria votando para combater a corrupção e por um novo país não iria citar um marido envolvido em falcatruas, a menos que isso fosse fundamental, por exemplo, como uma senha de acesso à mala. Segundo o renomado economista José Carlos de Assis aconteceu uma reunião, convocada pela Fiesp, no sentido de comprar o voto dos parlamentares a favor da saída da Dilma, no seguinte montante: Fiesp, 300 milhões; FIRJAN, 100 milhões e Federação das Indústrias do Paraná e Rio Grande do Sul de 50 milhões cada.

Fica aí minha contribuição aos órgãos investigatórios, Justiça, MPF e PF, até para deixar claro que não houve pagamento de propina, e que o voto dos parlamentares não teve outra motivação senão o bem do país!

Rio de Janeiro, 18  de abril de 2016

(*)Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).
 
 
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