14/05/2016 às 08h03min - Atualizada em 14/05/2016 às 08h03min

Novo ministro admite recriar CPMF, subir impostos e mudar aposentadoria

Henrique Meirelles não detalhou o percentual dos tributos, mas prometeu que será algo transitório

O Dia
Henrique Meirelles promete diagnóstico das contas públicas : 'Não é possível continuar como está' Foto: Agência Brasil / Marcelo Carmargo
Rio - Os dias difíceis não acabaram. O novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, admitiu ontem que medidas “duras, mas necessárias” serão tomadas para reduzir a crise econômica. O segundo homem mais poderoso de Brasília não se esquivou de traduzir o significado prático dessa dureza. O governo Temer estuda aumentar impostos para melhorar a arrecadação. Meirelles não detalhou o percentual dos tributos, mas prometeu que será algo transitório.


“Qualquer aumento de tributo tem que ser proposto como temporário se acontecer e se for necessário”, analisou Meirelles, depois da primeira reunião ministerial do governo Temer. “O nível de tributação já é elevado no Brasil e esse é um fator negativo para o crescimento econômico”, completou. Mesmo com todas as ponderações sobre o excesso de imposto no país, o ministro reconheceu que o governo não descarta a ideia de recriar o chamado imposto do cheque, a CPMF, para reduzir o déficit nas contas públicas e engordar os cofres do governo. A proposta chegou a ser enviada pelo governo Dilma ao Congresso, mas não foi votada porque a então oposição reagiu fortemente à medida. Ao ser questionado sobre essa contradição, Meirelles respondeu categórico: “Estamos discutindo isso”.

Em sua primeira coletiva de imprensa, Meirelles tratou de temas espinhosos e preocupantes para os contribuintes. Ele insistiu que é preciso mudar as legislações trabalhista e previdenciária. O ministro espera que o Congresso aprove as mudanças nas relações de trabalho e nas regras da aposentadoria.  Controverso, ele disse que a proposta de reforma da Previdência deve respeitar os “direitos adquiridos”, mas ressaltou que esse conceito é “impreciso”. “Mais importante do que saber o valor do benefício ou a idade em que vai se aposentar, é ter a segurança q de que haverá recursos para pagar a aposentadoria”, disse o ministro, defensor da definição de uma idade mínima de 65 anos para homens e mulheres se aposentarem.

Meirelles contou que está preparando um diagnóstico das contas do governo e que, em breve, apresentará um retrato do caixa encontrado pela nova equipe econômica. Ele acha que a sociedade está preparada para ouvir uma avaliação “realista e honesta” do cenário e das estratégias para a retomada do emprego e da renda. “O que não é possível, é continuar como está”, frisou.

Ministro Jucá promete cortar quatro mil cargos comissionados

Após a primeira reunião ministerial, a equipe do presidente interino Michel Temer sinalizou que o déficit fiscal deve ser maior do que o esperado, anunciou uma série de cortes em cargos comissionados e disse que há a intenção de fazer um pente-fino em empresas estatais.O novo ministro do Planejamento, Romero Jucá, prometeu cortar quatro mil cargos até o final deste ano. Jucá contou que o presidente determinou que todos os ministros ocupem no máximo até 75% das funções gratificadas e cargos comissionados.

Primeira traição: aliado acusa novas medidas de estapafúrdias

A primeira saia justa política, desde que Temer assumiu como interino, aconteceu na tarde de ontem entre articuladores do novo governo. Horas após o novo chefe da Fazenda, Henrique Meirelles, dar entrevistas defendendo reformas das leis trabalhistas e previdenciárias, o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), um dos principais articuladores do impeachment na Câmara, chamou as declarações do ministro de “estapafúrdias”.

“A estapafúrdia ideia defendida pelo atual ministro é inaceitável porque prejudica quem ingressa mais cedo no mercado de trabalho, ou seja, a maioria dos trabalhadores brasileiros”, diz nota da Força Sindical assinada pelo deputado.

Apesar de ter apenas 14 parlamentares em sua bancada, Paulo Pereira exerce uma influência considerável nos deputados do chamado “baixo clero” da Câmara. Juntos, eles somam votos essenciais para Temer aprovar reformas.
 
 
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