15/05/2016 às 12h21min - Atualizada em 15/05/2016 às 12h21min

Serra ameaça "subir o tom" na resposta a críticas de países

Presidente de El Salvador afirmou que não reconhece o novo governo Temer

Jornal do Brasil
serra durante votacao no senado
Neste sábado (14), o ministro das Relações Exteriores, José Serra, afirmou que o governo do presidente interino Michel Temer poderá adotar uma postura “mais forte” contra as críticas de países e organizações ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

“A nossa preocupação é esclarecer as inverdades que têm sido ditas a respeito do processo brasileiro [de impeachment]. Tudo o que está acontecendo aqui no plano político, de afastamento de presidente, de julgamento de impeachment, está previsto dentro da Constituição, está dentro da legalidade democrática”, disse Serra, acrescentando: “O tom das notas corresponde às falsidades que estão sendo debatidas. Quanto maiores as falsidades, mais forte será o tom. Quanto menores, menos forte é o tom.”

>> Maduro retira embaixador da Venezuela do Brasil

O presidente de El Salvador, Salvador Sánchez Cerén, afirmou neste sábado (14) que não reconhece o novo governo do Brasil, liderado por Michel Temer.

"Tomamos uma decisão de não reconhecer esse governo provisório, porque há uma manipulação política, e vamos mandar chamar nossa embaixadora para que volte ao país", disse Sánchez Cerén. Dilma foi "suspensa e submetida a julgamento por algo que não se comprovou ser um crime. É uma manipulação política que aconteceu", completou.

Sob o comando de Serra, Itamaraty repudia críticas de países sul-americanos ao impeachment 

Na sexta-feira (13), o Itamaraty divulgou dois comunicados contrários às manifestações dos governos da Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador, Nicarágua e entidades da América do Sul contrárias ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. O Ministério das Relações Exteriores, agora sob o comando do ministro José Serra (PSDB-SP), chamou de falsa as interpretações de que o impeachment seria um golpe.
O comunicado destaca que os países e organizações (União de Nações Sul-Americanas e a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América/Tratado de Cooperação dos Povos) - estariam propagando falsidades sobre o processo político interno no Brasil.

"Como qualquer observador isento pode constatar, o processo de impedimento é previsão constitucional; o rito estabelecido na Constituição e na Lei foi seguido rigorosamente, com aval e determinação do STF; e o Vice-Presidente assumiu a presidência por determinação da Constituição Federal, nos termos por ela fixados", diz um dos comunicados.

O Ministério das Relações Exteriores divulgou ainda outra nota se dirigindo ao secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper. "Os argumentos apresentados, além de errôneos, deixam transparecer juízos de valor infundados e preconceitos contra o Estado brasileiro e seus poderes constituídos e fazem interpretações falsas sobre a Constituição e as leis brasileiras. Além disso, transmitem a interpretação absurda de que as liberdades democráticas, o sistema representativo, os direitos humanos e sociais e as conquistas da sociedade brasileira se encontrariam em perigo. A realidade é oposta", diz o comunicado.

Veja as íntegras das notas:

Manifestações sobre a situação interna no Brasil

13 de maio de 2016 

O Ministério das Relações Exteriores rejeita enfaticamente as manifestações dos governos da Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador e Nicarágua, assim como da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América/Tratado de Comércio dos Povos (ALBA/TCP), que se permitem opinar e propagar falsidades sobre o processo político interno no Brasil. Esse processo se desenvolve em quadro de absoluto respeito às instituições democráticas e à Constituição Federal.

Como qualquer observador isento pode constatar, o processo de impedimento é previsão constitucional; o rito estabelecido na Constituição e na Lei foi seguido rigorosamente, com aval e determinação do STF; e o Vice-Presidente assumiu a presidência por determinação da Constituição Federal, nos termos por ela fixados.

Declarações do Secretário-Geral da UNASUL sobre a situação interna no Brasil

13 de maio de 2016  

O Ministério das Relações Exteriores repudia declarações do Secretário-Geral da UNASUL, Ernesto Samper, sobre a conjuntura política no Brasil, que qualificam de maneira equivocada o funcionamento das instituições democráticas do Estado brasileiro.

Os argumentos apresentados, além de errôneos, deixam transparecer juízos de valor infundados e preconceitos contra o Estado brasileiro e seus poderes constituídos e fazem interpretações falsas sobre a Constituição e as leis brasileiras. Além disso, transmitem a interpretação absurda de que as liberdades democráticas, o sistema representativo, os direitos humanos e sociais e as conquistas da sociedade brasileira se encontrariam em perigo. A realidade é oposta.

Tais juízos e interpretações do Secretário-Geral são incompatíveis com as funções que exerce e com o mandato que recebeu do conjunto de países sul-americanos nos termos do Tratado Constitutivo e do Regulamento Geral da UNASUL.
 
 
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