04/07/2016 às 11h29min - Atualizada em 04/07/2016 às 11h29min

Ritmo de queda da indústria desacelera em MG

Retração menor apurada pela Fiemg em maio pode ser apenas um "voo de galinha"

Leonardo Francia - Diário do Comércio
A receita da indústria automotiva registrou uma queda de 46,1% de janeiro a maio deste ano ante igual período do ano passado./Divulgação
Dados da pesquisa Indicadores Industriais (Index), divulgada na sexta-feira pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), mostram que a indústria mineira dá pequenos sinais de melhora. No entanto, diante de um cenário conjuntural de desemprego, consumo retraído, restrição de crédito e instabilidade política, a melhora parece ser apenas um “voo de galinha”.
 
De acordo com o levantamento, a receita do parque de Minas caiu 9,9% em maio frente a abril, em dados dessazonalizados. No acumulado do ano até maio, o faturamento do setor foi 14,3% menor do que nos mesmos meses de 2015. No entanto, essa queda menor do que as retrações apresentadas anteriormente nas comparações anuais, de acordo com o gerente de economia da Fiemg, Guilherme Leão, pode indicar um arrefecimento do ritmo de retração.
 
“A situação é frágil e delicada, mas começamos a perceber uma redução do ritmo de queda e quem é o responsável por isso são as exportações. Ainda é cedo para dizer que isso tem sustentabilidade e corremos um risco grande dessa pequena melhora ser um voo de galinha”, avaliou.
 
O economista detalhou que a queda no acumulado até maio em relação ao mesmo intervalo de 2015 (14,3%) é menor do que a apurada na comparação trimestral, de 16,5%, e da bimestral, de 17,3%, mas que uma série de fatores, como o desemprego, redução da renda e do consumo, oferta restrita de crédito, inadimplência e a instabilidade política determinará, daqui para frente, se essa redução do ritmo é ou não sólida.

O resultado da indústria automotiva, incluindo toda a cadeia de fabricantes de autopeças, com uma queda de 46,1% na receita de janeiro a maio deste ano ante igual período de 2015, foi o pior e o que mais pesou para a redução do faturamento da indústria do Estado. A cadeia automotiva representa em torno de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de Minas. O segmento também acumula uma redução de 11,1% no nível de emprego, em igual comparação.
 
O resultado também foi negativo para os fabricantes de bens de capital, que serve para medir os investimentos da indústria como um todo porque retrata a compra de novos maquinários. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a receita do setor caiu 23,5% frente a igual intervalo de 2015.
 
A indústria de metalurgia básica (siderurgia e ferro-gusa), impactada pelo recuo do consumo, pela desaceleração na construção civil e pela situação da cadeia automotiva, apresentou uma retração de 8,8% na receita do acumulado até maio em relação à do mesmo intervalo de 2015. Em igual confronto, o faturamento das indústrias de alimentos e dos segmentos de vestuário e acessórios caiu 5,1% e 18,6%, respectivamente.
 
O resultado da indústria extrativa, com aumento de faturamento da ordem de 0,8% de janeiro a maio deste ano frente ao igual período de 2015, foi estimulado pelo câmbio favorável às exportações. As mineradoras vêm lutando para sustentar os resultados tentando compensar as quedas dos preços internacionais da principal commodity de exportação do Estado, o minério de ferro, com maior volume de produção, mas a maior influência positiva para o setor foi mesmo a apreciação do dólar frente o real.
 
Desemprego - A indústria como um todo perdeu 10,2% do nível de emprego de janeiro a maio deste ano contra o mesmo período de 2015. Os destaques negativos foram os segmentos de produtos de metal e máquinas e equipamentos, com retrações de 41,2% e 23,6%, respectivamente.
 
Os dados do Index mostraram, ainda, que o indicador horas trabalhadas na produção da indústria mineira, que reflete a produtividade do trabalhador industrial, fechou os cinco primeiros meses deste ano negativo em 6,4% frente ao mesmo período de 2015. Neste confronto, a massa salarial também caiu 14,3% e o rendimento médio recuou 4,5%.
 
Em termos de uso da capacidade instalada, entre janeiro e maio, o parque mineiro utilizou 3,9% menos sua carga quando comparado ao desempenho dos mesmos meses de 2015. Quem mais reduziu o uso da capacidade foi o setor de veículos automotores (queda de 25,2%) e a indústria têxtil, com retração de 6,2%.
 
 
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