20/08/2016 às 20h33min - Atualizada em 20/08/2016 às 20h33min

Roubo de cargas no País bate recorde: R$ 1,12 bilhões em 2015

Estudo da Associação Nacional do Transporte de Cargas identificou que a Grande BH concentra boa parte dos roubos em Minas

Leonardo Francia - Diário do Comércio
Estudo da Associação Nacional do Transporte de Cargas identificou que a Grande BH concentra boa parte dos roubos em Minas. (Foto:Alisson J. Silva)
O crescimento de roubos de cargas no País e em Minas Gerais força as empresas a investir em tecnologias preventivas e pessoal, o que pode encarecer o produto na ponta do consumo. Levantamento feito pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) mostrou que o número de ocorrências no País aumentou 10% no ano passado comparado a 2014. Em 2015 foram 19,2 mil roubos contra 17,5 mil em 2014. O prejuízo só no ano passado foi recorde, chegando a R$ 1,12 bilhão. O Sudeste é a região que concentrou o maior número de roubos de cargas no exercício anterior, com 85,76% de todos os casos, sendo que São Paulo foi o Estado com maior incidência (44,1%), seguido pelo Rio de Janeiro (37,5%).
 
O consultor técnico da Federação das Empresas de Transporte de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Luciano Medrado, explica que São Paulo e Rio de Janeiro concentram o maior número de roubos de cargas porque são os estados que também reúnem maior pujança econômica.“São Paulo e Rio são os dois grandes focos dos roubos porque são os principais mercados no País. Maior o fluxo de cargas, maior a atração para o roubo. Em Minas, a concentração dos roubos de carga acontece no Triângulo Mineiro na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e na Zona da Mata”, aponta.
 
De acordo com o consultor do Fetcemg, o aumento de roubos de cargas no País está sendo puxado pela própria crise econômica, que, para ele, favorece esse tipo de delito, e também para financiar o tráfico de drogas, enquanto outros tipos de roubos e furtos, como a explosão de caixas eletrônicos, diminuem devido à maior fiscalização.Em Minas, segundo Medrado, as cargas mais roubadas são produtos eletroeletrônicos, medicamentos e cigarros. “São produtos roubados sob encomenda. Os roubos são planejados. Estamos falando de crime organizado”, alerta. O consultor lembra ainda que o Estado passou um longo tempo sem ter uma divisão da Polícia Civil especializada em roubo de cargas.“Somente há três anos Minas ganhou duas equipes da Polícia Civil e agora também conta com a cooperação efetiva da Polícia Militar, que desenvolveu um projeto chamado Carga Segura, atuando preventivamente sobre essas ocorrências. No entanto, com a dificuldade orçamentária do Estado, as equipes da Polícia Civil foram reduzidas a uma só”, lamenta o consultor do Fetcemg.
 
"Diálogo" - Medrado alerta que problema pode ser maior ainda porque, conforme ele, há uma série de distorções na elaboração das ocorrências, que consideram apenas o roubo do veículo, desconsiderando a carga. Além disso, o consultor avalia que a falta de “diálogo” entre as informações das polícias também pode jogar o número de delitos para baixo. “O Fetcemg tem um grupo técnico especializado em segurança logística e estamos trabalhando no sentido de estruturar o sistema preventivo e corretivo com todas as polícias e melhorar a troca de dados porque as principais informações que municiam as quadrilhas partem de dentro das empresas”, pontua. 
 
O consultor destaca que as empresas têm investido pesado em tecnologia preventiva de rastreamento dos veículos e cargas, o que já representa, em alguns casos, 15% da receita. “Porém, o crime organizado também tem uma contratecnologia que bloqueia a nossa. É um prejuízo para a sociedade porque as empresas são obrigadas a investir em prevenção e quem paga no final é o consumidor. Onera a empresa, o custo do frete e o consumidor”, adverte.
 
 
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