29/08/2016 às 08h07min - Atualizada em 29/08/2016 às 08h07min

Saudade do meu Ely Rodrigues Netto

Por Pompéia do Rosário Guimarães Netto

Pompeia e Ely Rodrigues Neto
Dizia Ângela Maria na canção: “Saudade palavra triste quando se perde um grande amor. Na estrada longa da vida eu vou chorando a minha dor. Como uma borboleta voando triste por sobre a for...” Eu digo que nas noites sozinha ainda sinto falta do seu carinho do seu amor. Agora, quando me deparei com os preparativos para a eleição, me veio muito forte à mente a eleição de 1.996 quando o candidato a prefeito era o Zé Newton e o vice era o Ely Rodrigues Netto.Viúva desde 1.994, aquela propaganda dos santinhos que vi pela primeira vez aguçou minha curiosidade. Sempre admirei o comportamento exemplar que via no Sr Ely. Sua humildade, seu jeito tímido, sua seriedade e principalmente o seu amor às coisas de Deus e sua visão mediante o sofrimento do pobre, do humilde e do peregrino. Lembro-me quando ele  se juntou a outras duas pessoas: o Mauro e a Tereza e se reuniram para um tempo depois, fundarem os Pequeninos de Jesus, uma entidade filantrópica que até hoje trás ajuda ao pequenino migrante que de cidade em cidade vai em busca do novo, em busca do seu caminho perdido. Ali eles recebem refeições roupas, banho, um corte de cabelo se preciso,  e passagem para continuar sua viagem ou de volta ou adiante. Uma entidade que conta com doações em dinheiro, em roupas usadas e alimentos diversos, contando com uma turma de voluntários de primeira linha. Trabalhou incansavelmente por vinte oito anos no antigo INPS  na função de datilografo  e atendente onde pode ajudar muitas pessoas pobres e iletradas a conseguirem sua tão almejada aposentadoria, sem falar nas tantas ruas que hoje levam nomes que ele sugeriu com seus projetos colocados por ele na Câmara para homenagear pessoas que ele achava merecedoras.  Sua luta para que o lixão saísse do morro perto do Horto Florestal para que hoje nós pudéssemos desfrutar daquele lindo lago, daquele lugar de recreação, onde hoje eu e você  podemos levar nossos filhos para brincar e se divertir. Por volta dos anos 1.980, numa época em que os Vereadores iam para a Câmara Municipal brigar e discutir nossos direitos como cidadãos, sem nenhuma remuneração salarial. O que faziam  mesmo por amor à cidade e seus habitantes. Fez  muitos projetos   beneficiando nossa cidade, nos seus doze anos de vereança. Minha filha mesmo foi uma que usufruiu das benesses desta época sem propina. Conseguimos das mãos dele uma bolsa de estudos no Ginásio Botelho Reis para fazer o Normal que era pago.  Impossível pagarmos devido o valor alto para nós, da mensalidade. Em 1998 nos encontramos e resolvemos seguir nossa vida juntos, depois de nossas famílias desfeitas com a  perda da mulher dele e nove meses depois o meu marido. Como ele mesmo dizia: “dois viúvos solitários em busca de novos caminhos em busca de novo amor.” Resolvendo ir perante Deus num casamento ecumênico para pedi-lo para nos abençoar juntando assim nossas vidas para seguirmos em frente na nossa caminhada rumo à casa do PAI.

Foram quinze anos, abençoados de muita felicidade, tempo em que eu tive um professor, um pai, um amigo, um companheiro, um irmão, um parceiro que era meu cúmplice em tudo. Além de tudo um amante carinhoso, um gentleman. Tratava-me como uma rainha. Um poeta que durante cinco meses foi o que durou nosso namoro escreveu-me dezessete lindas poesias que estão registradas no seu livro A CASA DO VOVÔ. Livro este que o ajudei a organizar para assim realizar o sonho de lançar seu livro. Eu ouvia suas histórias e me deleitava com todas elas. E às vezes anotava do meu jeito para não esquecer passando depois de algum tempo a ele para escrever do jeito todo especial próprio dele. Gostava de ficar contemplando seu rosto amado contando as histórias só para mim.  Foi quando entre estas histórias  eu ouvi-o emocionado me  dizer que todas as vinte  conferências da cidade e adjacências com exceção da primeira, tinha o dedo dele e  mais tarde mostrou-me  muitos papeis e documentos comprovando isto. Ele estava sempre atento, “às minhas pupilas” como ele dizia carinhosamente das conferências  das quais se mantinha sempre bem informado, ficando triste quando sabia que alguma não ia bem. Cuidadoso com as Igrejas onde sua Fé era reafirmada sempre que podia participar dos trabalhos, das missas, o que sempre fazia mesmo na sua enfermidade agarrado ao meu braço e cambaleante tinha que levá-lo à missa. Ele participou das construções das Igrejas Nossa Senhora Aparecida, da Igreja do Bairro São Sebastião, da Igreja São Benedito e de outras. Tudo isto fazia acompanhado de sua primeira esposa, Terezinha e às vezes de seus filhos que ajudavam na construção, carregando tijolos e água para quem estava trabalhando. isto no sábado e no domingo dias do seu descanso. Numas destas ocasiões levou um susto e tanto quando seu filho caiu do andaime, mas graças a sua Fé e o DEUS que tudo vê, o menino não se feriu. Foi presidente de todas as Conferências Vicentinas e dos Conselhos Particulares. Foi o fundador do partido do PMDB aqui de Leopoldina Um Homem com H maiúsculo como poucos. Um nome que hoje pronunciado onde quer que seja todos conhecem e tecem elogios. Isto é deixar marcas por onde passamos.  

São três anos agora dia dezoito de agosto que o meu Ely nos deixou para um plano mais alto onde foi cantar seus louvores ao Altíssimo. Deixou seus feitos ai para quem quiser ver. Agora nesta festa Olímpica e nesta época de mais uma eleição eu não posso deixar passar em branco sem me manifestar nesta homenagem ao homem simples que foi, deixando sua marca bem visível por onde passou. Foi para a gloria receber o troféu daquele que realmente viveu para servir e deixando um legado de amor. A você meu amado Ely Rodrigues Netto, homem do povo e pelo povo. A você nossa saudade e nossa homenagem, você foi um grande guerreiro, um vencedor. Nas Olimpíadas todos se preparam durante quatro anos para representar bem seu País. Correm, pulam, saltam , nadam e remam para receberem medalhas de ouro, prata, bronze e troféus, mas são coisas perecíveis e o tempo cuida de acabar com tudo. Até com o dinheiro que vem acompanhado do troféu. Nas eleições recebe-se um cargo, um posto elevado na sociedade e que muitas vezes corrompe o homem na sede pelo poder, pensando em tudo que ele vai fazer com aquele dinheiro que  ganhou. Um dinheiro que também se acaba. Aquela Coroa de Gloria que hoje você tem ai onde se encontra ninguém toma, porque lhe foi dada por merecimento. Pelo testemunho de vida, pelas marcas que aqui você deixou e que não podem ser apagadas.

Em 1º Carta aos Coríntios o Apostolo Paulo diz que;  “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade correm, mas só um leva o premio? Correi de tal maneira para que o alcanceis.” Alcanceis o prêmio de Deus, a Coroa de Gloria  e não o premio dado pelo homem cuja a ferrugem e a traça corroem”. 

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