30/08/2016 às 17h16min - Atualizada em 30/08/2016 às 17h16min

Temer prepara benesses do apoio ao impeachment

Jornal GGN - Enquanto a última arma de Dilma Rousseff era o seu próprio discurso histórico e as respostas incisivas, firmes e recheadas de notório conhecimento jurídico e econômico, durante o inquérito que a colocou na cadeira de ré do impeachment, o interino Michel Temer recorria às já conhecidas táticas de governabilidade adotadas nestes mais de 100 dias: oferecimento de cargos, intervenções diretas e jogos de apoios, para agora garantir seus 54 votos.
 
O resultado é quase irreversível: de acordo com balanços de O Globo e da Folha, 53 senadores já anunciaram que votarão pela saída definitiva de Dilma, prevista para ocorrer nesta quarta-feira (31). Dos 8 que ainda não opinaram, ao menos um já é certo pela felicidade de Temer: quatro são do PMDB, entre Renan Calheiros, Edison Lobão, Jader Barbalho e João Alberto Souza. Os outros quatro são de partidos nanicos que também contam com as trocas de favores do interino.
 
Apesar disso, as falas de Dilma alcançaram o voto favorável à sua absolvição de dois dos senadores: Telmário Motta (PDT-RR) e Otto Alencar (PSD-BA). Com isso, já são 20 senadores que se declararam contra o impeachment. Tendo este cenário em vista, para não mostrar que a guerra foi dura e difícil, Temer não descansa com a simples maioria de vitória no jogo. Ainda nesta segunda-feira, o interino provou que quer a diferença com uma margem.
 
Ligações
 
Durante a sessão que durou mais de 14 horas, a senadora Rose de Freitas, correligionária de Temer do Espírito Santo, brincou com o colega Fernando Bezerra (PSB-PE) que falaria a favor de Dilma. Bezerra foi correndo contar aos aliados de Temer.
 
O interino ligou diretamente no celular da senadora, que recebeu a ligação chorando. Esclareceu que se tratava de uma brincadeira e que jamais imaginou que o senador iria fazer a fofoca. "Que puxa-saco", criticou Rose a Aloysio Nunes (PSDB-SP). A informação é do Painel da Folha.
 
O jornal também traz outra cena dos bastidores sobre o estado de alerta de Temer, que fingiu não ter movido os braços ou estar despreocupado com a sessão desta segunda. Um dos parlamentares que não havia manifestado o seu voto, Roberto Rocha (PSB-MA), foi contemplado com um bom motivo oferecido por Michel Temer.
 
O governo interino garantiu ao senador uma diretoria do Banco do Nordeste, em troca de um voto favorável ao impeachment. A promessa do cargo veio imediatamente após Roberto Rocha ter conversado com Lula, ainda nesta segunda. Como o senador é um dos nanicos que ainda não opinou sobre o voto, Temer quis assegurar o dele.
 
E não foi só essa a ação bondosa do interino anunciada justo nesta segunda. Alertado que a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no plenário do Senado, não era apenas para acompanhar o discurso de Dilma, como também para conversar com senadores a fim de obter votos pela absolvição da presidente, Temer também entrou em campo.
 
O peemedebista entrou em contato com todos os parlamentares do Maranhão que foram procurados por Lula neste fim de semana e conseguiu a promessa de voto pelo interino. Entre eles, João Alberto e Edison Lobão (PMDB), este último que também não havia divulgado publicamente a sua posição final.  
 
Excursão da vitória
 
Em outra manifestação de otimismo, na forma de uma certa celebração pela saída definitiva de Dilma, Temer disse que levará com ele para uma viagem presidencial à China uma comitiva de parlamentares.
 
Já garantiu espaço no seu avião, além dos ministros Eliseu Padilha e José Serra, o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o senador e braço direito de Temer, Romero Jucá (RR). Entre os deputados, estarão Beto Mansur (PRB-SP), Pauderney Avelino (DEM-AM), Fábio Ramalho (PMDB-MG) e Altineu Côrtes (PMDB-RJ).
 
A viagem será feita imediatamente após o anúncio do resultado do impeachment.

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