27/09/2016 às 18h36min - Atualizada em 27/09/2016 às 18h36min

“Os Números não mentem, mas os mentirosos fabricam números”

Por Luciano Baía Meneghite
Fernando Henrique passou situação vexaminosa em 1985 ao sentar antes do tempo na cadeira de prefeito.
 Matéria publicada em 16/08/2012 e atualizada

A frase do título é do ex-presidente Itamar Franco e pode ser usada para caracterizar os  que hoje em Leopoldina propagandeiam o que quase nunca podem comprovar. Pelas esquinas há muitas especulações do tipo: "Fulano já está eleito". "Tal pesquisa  deu beltrano com tanto por cento".

Vale lembrar que até o momento não existe nenhuma pesquisa registrada ou divulgada no município, apenas pesquisas internas das coligações. Alguns por "experiência" de outras eleições projetam  os números de votos que este ou aquele teriam nas próximas eleições.

A verdade é que ninguém pode afirmar com certeza o que decidirá o povo de Leopoldina no próximo domingo 02 de outubro. 

Inúmeros são os casos ocorridos por todo o Brasil chamados de "zebras" ou de "reviravoltas".  Alguns se tornaram clássicos, como na eleição à Prefeitura de São Paulo em 1985 em que Fernando Henrique Cardoso era tido como franco favorito e a dois dias do pleito, de "salto alto" visitou a prefeitura e posou para a imprensa  sentado na cadeira de prefeito. Após a apuração, venceu Janio Quadros, que ainda tirou sarro desinfetando a cadeira.

Claro que se pode argumentar que são épocas, cidades e eleitorados diferentes, mas a arrogância de alguns é a mesma em qualquer tempo. Não podemos criar ou adivinhar números futuros, mas podemos recordar os das últimas eleições em Leopoldina.

Lembremos:

Eleições de 1992 - 31.669 Eleitores aptos a votar 27.451 compareceram. Houve 4.218 abstenções (13,29% do eleitorado). Os candidatos a prefeito receberam 24.666 votos. 1.718 votaram em branco e 1.067 anularam. O médico José Roberto de Oliveira (PSC),tinha como vice o ex-prefeito Osmar Lacerda França “Liliu” (PMDB) e contava com  apoio do então deputado estadual Bené Guedes (PTB), e do deputado federal, Sergio Naya (PMDB) teve 17.223 votos, derrotando o vereador Marco Aurélio Alvarenga Pimentel, o 'Pachá’, (PDS), que teve 6.604 votos. Pachá tinha como vice o médico Sebastião Coutinho Ramos (PFL) e era apoiado pelo então prefeito Márcio Freire (PDC) que embora aparentemente bem avaliado, não conseguiu transferir votos. O terceiro colocado, José Ribeiro Farage, o “Zé Turquinho”, recebeu 839 votos.

Eleições de 1996 – O ex-prefeito Márcio Freire (PFL), oposição ao governo Zé Roberto, tendo como vice Darcy Rezende (PL) vence com 13.380 votos o candidato governista José Newton Ferreira de Oliveira  (PMDB),  seu ex-aliado.   Zé Newton tinha como vice, o ex-vereador Eli Rodrigues Neto (PSDB) e recebeu 12.831 votos. A professora Terezinha das Graças Raimundo Silvino (PPS) recebeu  618 votos. A campanha foi marcada pelos programas eleitorais transmitidos pela extinta TV Cidade do deputado Sérgio Naya, por disputados comícios e pela comparação dura entre os candidatos a vice-prefeito. Em 1988 Darcy Rezende, havia sido candidato a vice do candidato do PMDB, Antônio Celso Chaves Junqueira, contra Márcio Freire.  Em 1996 foi a última eleição municipal com a utilização de cédulas de papel.

Eleições de 2000 – O prefeito Márcio Freire (PV) apóia  a chapa Zé Newton/Iolanda  da coligação PT / PST / PMDB / PDT / PPB que também  são apoiados pelo deputado Bené Guedes (PDT). Zé Roberto da coligação PSC / PSDC / PTN / PTB / PSDB tinha como vice o Cardiologista Guilherme Junqueira Reis, ex-vice de Márcio Freire,  em substituição a  Zé Roberto quando este se recusou a ser vice em 1988.  Zé Roberto vence com 16.917. Zé Newton fica com 11.062 votos. No governo, Dr. Guilherme rompe com Zé Roberto, como já havia rompido com Márcio Freire.

Daí pra frente, mudanças na legislação eleitoral, impediram a realização de showmícios, boca de urna, distribuição de brindes, como bonés, chaveiros, camisetas  entre outras limitações à propaganda eleitoral.

Eleições 2004 – Dos então 37.369 eleitores, 31.789 compareceram às urnas.  O prefeito Zé Roberto (PSC), candidato a reeleição, tendo como vice  o vereador Breno Colli Rodrigues (PTB) obteve 13.950 votos.  Bené Guedes(PSDB), tendo como vice Marcinho Pimentel (PP) obteve 11.844 votos.  A coligação que tinha como candidatos Iolanda Cangussú (PT) e vice Márcio Freire (PPS) recebe 3.835 votos. Esta coligação acusa Zé Roberto de suposto uso da máquina pública e do jornal Oficial Equipe para autopromoção. Zé Roberto foi condenado em primeira e segunda instância, concorrendo sub-judice. Bené que apoiou a ação em segunda instancia, foi declarado prefeito eleito pelo site do TRE.  . Após  recorrer em Brasília e ser absolvido, Zé Roberto tomou posse como prefeito.

Eleições 2008 – O professor, advogado e contabilista Zé Newton (PMDB) tenta pela terceira vez chegar à prefeitura. Apoiado novamente por Zé Roberto, e tendo como vice  o presidente da Unimed e APAE, Dr. Marco Antônio (PT), até então um partido de oposição a Zé Roberto. Recebe 10.690 votos. (36%) O Ex-deputado Bené Guedes (PSDB) é eleito  com 12.248 votos (41%). Seu vice é o Engenheiro da Copasa  e seu sócio em alguns  empreendimentos, João Ricardo Mothé Fernandes (PDT,depois PSB). O Arquiteto e presidente licenciado do SINSERPU Marcinho Pimentel (PP), tendo como vice o ex-vereador Cabo Lúcio (PV) (ex-aliado de Zé Roberto), tenta se firmar como terceira via.  Embora tenha crescido na reta final da campanha e tido desempenho considerado bom no debate promovido no CEFET, fica com 6.654 votos (22%).

 
Eleições 2012
Total de eleitores: 39.774, abstenção:7.108 (17,87%), comparecimento: 32.666(82,13%), em brancos: 835(2,56%), nulos:586(1,79%), votos válidos: 31.245(95,65%),nominais:29.123(93,21%), legenda: 2.122(6,79%)
 
O ex-prefeito Zé Roberto (PSC), novamente tendo como vice Brenio Colli (PTB)  recebe 15.586 votos, representando 51,21% dos votos válidos.  A campanha foi marcada por duras críticas. O segundo colocado foi Marcinho Pimentel (PP) que tinha como vice Dr. Marco Antônio (PT) recebendo 13.620 votos, igual a 44,75%dos votos válidos e em terceiro lugar ficou o engenheiro Roberto de Paiva Bretas(PRTB), que tinha como vice sua esposa Silmara Matola(PRTB). Oficialmente apoiado por Bené, Bretas foi “Cristianizado” por aliados e teve 1.232 votos (4,5 % dos votos válidos).

  Relembrando estas eleições passadas, cada um fará interpretações diferentes, mas pelo menos baseadas em números reais e não em suposições, desejos ou fantasias.
 
Fontes: TRE, jornais Equipe, Gazeta de Leopoldina e Leopoldinense
 
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