28/04/2017 às 12h40min - Atualizada em 28/04/2017 às 12h40min

Cooperativas geram mais de 36 mil empregos em Minas Gerais

Sistema reúne 774 entidades no Estado, segundo último levantamento

Mírian Pinheiro - Diário do Comércio
Para Scucato, da Ocemg, 2017 será mais um ano positivoAlisson J. Silva.
O cooperativismo mineiro manteve a sua força diante do cenário incerto da economia nacional. Dados mais recentes mostram que o setor deteve 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual de 2015, superou em 1,2% o número de contratações em 2015 na comparação com 2014, totalizando 36.128 empregados, e é o segundo maior em número de cooperativas no País, com 774. Esses são os últimos dados apurados.
 
De acordo com o presidente reeleito do Sistema Ocemg (Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais, Ronaldo Scucato, que estará à frente da entidade até 2021, ainda que estejam em pleno momento de compilação dos números, que darão à entidade melhores indicativos para uma avaliação minuciosa do setor, ele se sente à vontade para arriscar a opinião de que será mais um ano positivo. “Posso afirmar com segurança que não será diferente em 2017.”
 
A certeza tem fundamento. O cooperativismo mineiro parte de uma movimentação econômica de R$ 27,9 milhões em 2013 para R$ 38,3 bilhões em 2015, número mais recente levantado. No mesmo período, aumentou em 4,4% o número de empregados, gerando um total de 1.539 postos de trabalho nas cooperativas em Minas. Segundo Scucato, em 2016, 13.941 pessoas participaram de ações de capacitação promovidas pela Ocemg, como cursos, treinamentos, seminários, eventos e palestras. A organização registrou, ainda, uma evolução no número de associados, que saltou de 1.109.000 em 2013 para 1.373.173 pessoas em 2016.
 
Mais dados relacionados ao exercício de 2016 serão divulgados em julho, com a publicação do Anuário de Informações, mas para dar um panorama e explicar o porquê de o cooperativismo mineiro estar, como diz, resistindo bravamente à derrocada político-econômica nacional, Scucato recorre à análise dos últimos anos no Brasil: “Iniciamos o último quadriênio com o Brasil crescendo a 2,3%, uma economia pujante, e chegamos ao final com uma prévia de encolhimento de 4,3% do nosso PIB em 2016. Saímos de uma taxa de 4,3% de desempregados, a menor em 11 anos, e batemos em 12% ou 12 milhões de pessoas. Fomos da euforia à depressão em curtíssimo espaço de tempo, um cenário de pesadelo para quem tenta empreender por aqui”, compara.
 
Nesse sentido, o bom desempenho das cooperativas mineiras, para ele, está relacionado ao fato de terem um modelo econômico embasado nas pessoas, o que, em sua opinião, é um porto seguro ao qual recorrem no momento incerto. “Somos um modelo econômico lastreado nas pessoas e que carrega valores como honestidade, transparência e responsabilidade social”, orgulha-se.
 
Neste novo mandado, que tem Luiz Gonzaga Viana Lage como vice da instituição, Scucato diz que pretende embutir em todos a ideia de reinvenção. Para isso, ele diz que será necessário implementar a educação cooperativista de qualidade e continuada. “Nós precisamos ter dirigentes capazes de conduzir as cooperativas para obterem resultados positivos e de sucesso, atendendo à qualidade de vida do seu quadro social, mas também cumprindo as funções de responsabilidade social junto às comunidades em que atuam. É essa educação executiva continuada que faz com que sejamos inovadores e criativos”, observa. Para ele, em meio à crise de liderança que se vive no Brasil, é fundamental investir no aprimoramento da governança cooperativa, não só como geradora de desenvolvimento, mas como guardiã da ética cooperativista.
 
Desafios - Como desafios da nova gestão, o presidente da Ocemg cita a informação, a capacitação e a intercooperação. Para Scucato, o conhecimento é a principal alavanca para o desenvolvimento e, por isso, propagá-lo está na ordem do dia. “Queremos disseminar nossas parcerias com as melhores fontes de conhecimento existentes. Temos convênios com Universidade Católica Portuguesa (UCP), Universidade de São Paulo (USP), Fundação Dom Cabral (FDC), Fundação Nacional de qualidade (FNQ), Instituto Qualidade e Produtividade Minas (IQPM), HSM Educação Executiva, Oscar Motomura e Fundação Unimed, entre outros”, pontua.
 
Para fazer frente a toda essa capilaridade de cooperativas, com sede em 224 municípios, Scucato pretende implantar o ensino à distância, mas atenta para o cuidado ao se trabalhar as ferramentas pedagógicas, para que a qualidade seja a mesma do ensino presencial. O investimento em capacitação, ele diz, vem, sobretudo, da necessidade cada vez maior de se obter uma gestão profissionalizada das cooperativas. “Precisamos nos reinventar diariamente e isso só acontece através das pessoas. Nosso trabalho de monitoramento, que é quando vamos a campo e nos aproximamos das cooperativas, também está se voltando para essa profissionalização, com o foco em programas que levam à excelência da gestão”, completa.
 
Um dos princípios cooperativistas, acredita, é o da intercooperação. Para ele, essa é a qualidade segundo a qual as cooperativas servem de forma mais eficaz aos seus cooperados. “Nosso espírito não pode nunca ser o de concorrer, mas sim de cooperar. Queremos intensificar essa união entre as cooperativas e estimular a verticalização de ramos que ainda não se organizam por meio de centrais e federações.”
 
O presidente também entende por desafio fortalecer a imagem e a cultura cooperativista em Minas Gerais. “Crescemos e ocupamos espaço a cada ano, mas o potencial de expansão do nosso modelo ainda é imenso, se compararmos ao que acontece na Europa e nos Estados Unidos”, diz. O cooperativismo, acrescenta,representa a face humana da economia e é preciso que as pessoas saibam que podem alcançar seus objetivos de vida e bem-estar praticando a cooperação.
 
Outro ponto que merece atenção, diz Scucato, é o diálogo com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de órgãos reguladores. Na sua avaliação, o conhecimento do universo cooperativista pelos integrantes dos três poderes tende a diminuir e até extinguir conflitos, provenientes, sobretudo, da falta de convivência com as legislações específicas e as práticas cooperativistas.
 
Com 47 anos de história, o Sistema Ocemg é responsável pela representação política, sindical-patronal e de defesa do cooperativismo no Estado, assim como pelo desenvolvimento de atividades de formação profissional, monitoramento e promoção social das cooperativas em Minas Gerais. Ele é formado pela junção de duas instituições: o Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo de Minas Gerais (Sescoop-MG). A Ocemg ainda integra a Federação dos Sindicatos das Cooperativas dos Estados de Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Santa Catarina (Fecoop-Sulene).
 
 
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