28/04/2017 às 20h01min - Atualizada em 28/04/2017 às 20h01min

Em casa ou nas ruas, greve geral envolveu 35 milhões de pessoas, dizem organizadores

Ruas, avenidas e estações praticamente vazias ao longo do dia nas principais cidades brasileiras demonstram que a população aderiu ao movimento. E uma multidão deu seu recado ao governo Temer

Rede Brasil Atual
Ato Largo da Batata, com caminhada até a casa de Michel Temer, encerra o dia em São Paulo (Keiny Andrade/Folhapress)

São Paulo – Apoio da imprensa comercial não faltou ao governo Temer. Primeiro para esconder a greve geral desta sexta-feria 28 de abril. Depois para desconstruir o que organizadores e analistas classificaram como o maior movimento do gênero desde a ditadura. Integrantes do governo de ocuparam câmeras e microfones com a tentativa de desqualificar. Um deles, o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, chegou a dizer: “Se tivéssemos aquelas multidões que tivemos quando mobilizamos em busca do impeachment, teria repercussão”.

Os movimentos, entretanto, não se surpreendem nem se incomodam com o que consideram uma desfaçatez. O objetivo da greve geral em nenhum momento foi convocar multidões às ruas. “A população atendeu aos apelos das centrais e ficou em casa. Foi como a canção do Raul Seixas, O Dia em que a Terra Parou. Podemos dizer com tranquilidade que São Paulo parou. E o Brasil todo foi sacudido pela greve geral”, afirmou Raimundo Bonfim, coordenador da Frente Brasil Popular. O presidente da CTB endossou: “O Brasil cantou Raul”.

Em São Paulo, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego, pela manhã, o ápice da lentidão ocorreu às 9h, em 3,9% dos 868 quilômetros de vias monitoradas, muito abaixo da média “inferior” para o horário, cerca de metade da “média” para o horário. O mesmo no período da tarde: às 17h30, 5,4% de lentidão, ante 11% em dias normais.

Isso significa que, mesmo com a paralisação dos transportes, as pessoas não se desesperaram para colocar seus carros nas ruas. Ficaram em casa. Muitas, é claro, não resistem a um “vamos para a rua”. E as manifestações contra as reformas da Previdência, trabalhista e as terceirizações não deixaram deixar suas marcas nas ruas do país. As imagens a seguir – que você provavelmente não vai ver na imprensa comercial, mostram um pouco dessas duas faces deste vitorioso dia greve geral, do qual participaram de 35 milhões a 40 milhões de pessoas – algo perto de um terço da população economicamente ativa do Brasil.

 

 

Twitter/Rodrigo Vianna
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Rua Barão de Itapetininga, na região da Praça da República, diariamente tem comércio movimentado.

 

À tarde diversos grupos foram às ruas da capital gaúcha para protestar contra as reformas. No entanto, pela manhã, o portoalegrense aderiu a greve e não foi trabalhar. Uma das estações mais movimentadas ficou deserta. 

Twitter/Sul21
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Estação Parobé, um dos pontos mais movimentados do centro de Porto Alegre

 

Na capital paranaense a adesão também foi grande. Tanto que os principais corredores de acesso aos ônibus urbanos não tiveram movimento.

Twitter/Fundação Perseu Abramo
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Com os usuários em casa, acesso aos ônibus em Curitiba ficou vazio

 

 Ruas e avenidas de Recife tiveram menos carros circulando do que em finais de semana. 

 

Twitter/Humberto Costa
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Uma das principais avenidas de Recife esteve deserta nesta sexta-feira

 


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