02/05/2017 às 08h30min - Atualizada em 02/05/2017 às 08h30min

O dia que o Maracanã vibrou com o Ribeiro Junqueira

Jogo completou 60 anos e ex-jogadores relembram detalhes dessa história emocionante.

Registro fotográfico do jogo entre Brasil e Peru - ao fundo se vê parte da multidão de 137.522 torcedores.
Quem acompanha o futebol fica empolgado quando há um grande número de espectadores nos estádios, principalmente os jogadores, que fazem parte deste espetáculo.

Em 21 de abril de 1957 os atletas do Esporte Clube Ribeiro Junqueira tiveram um momento marcante em suas vidas, ocasião em que foram ovacionados por 137.522 torcedores no Maracanã. O motivo de tantas pessoas no estádio: assistir ao jogo da Seleção Brasileira, que venceu o Peru por 1x0, nas eliminatórias para a Copa do Mundo da Suécia. No ano seguinte, o Brasil ganhou o seu primeiro título mundial.

Naquela época era comum a realização de amistosos que antecediam os confrontos principais, a exemplo do jogo entre Brasil e Peru. Havia uma grande expectativa dos brasileiros para assistir o duelo entre as seleções no Maracanã, mas também eles queriam ver o Ribeiro Junqueira, conhecido em toda região sudeste do Brasil por vencer com facilidade grandes equipes do futebol nacional.

Os jornais eram enfáticos ao anunciar o primeiro jogo do Ribeiro Junqueira no Maracanã contra a equipe do Grêmio Recreativo Tyresoles: “O tricampeão da Zona da Mata é conhecido dos cariocas através do noticiário frequente de nossos jornais, dando-nos conta das vitórias obtidas sobre equipes da nossa primeira divisão”, noticiou o Diário de Notícias na página 3, suplemento esportivo de 21 de abril de 1957.

Para o leitor ter a dimensão do ocorrido, a quantidade de pessoas presentes no estádio representava mais do que o dobro da população de Leopoldina. Foram 120.000 pagantes, totalizando 137.522 pessoas. Nos dias de hoje, a presença de torcedores nos estádios é inferior. Só para se ter uma base, a final da Copa do Mundo de 2014 teve o público de 74.738.  

Os números expressivos de torcedores que assistiram o jogo do Ribeiro Junqueira no Maracanã, pode ser considerado um dos momentos mais emocionantes na história do clube. Naquela ocasião, o time de Leopoldina ganhou simpatia dos torcedores, por causa do uniforme semelhante ao do Flamengo. No decorrer da partida, o futebol envolvente do rubro negro leopoldinense também conquistou outros torcedores, arrancando aplausos de todos.

Infelizmente, não há registros fotográficos dessa partida. Os jornais dessa época focalizaram as suas publicações na classificação do Brasil para a Copa da Suécia, além de evidenciar o gol de Didi “Folha Seca” – que ficou marcado na história do futebol com um chute de falta que mudou a trajetória da bola, dando a vitória do Brasil sobre o Peru por 1x0.

No entanto, houve publicações anunciando que iria acontecer o jogo entre Ribeiro Junqueira e Tyresoles. O jornal Diário de Notícias de 21 de abril de 1957, destacou em seu suplemento esportivo informações da preliminar, descrevendo que se tratava da TAÇA TYRESOLES DO BRASIL S/A, que promoveu o torneio “melhor de três”.

Registros de jogos do Ribeiro Junqueira dão conta da vitória do time de Leopoldina em todos os jogos, conquistando o torneio interestadual, descritos detalhadamente a seguir:

1º JOGO
Ribeiro Junqueira 2 x 0 Tyresoles
06/11/1956 – Estádio da Linha Férrea, Leopoldina/MG
Gols: Contra (1º tempo) e Onalde (2º tempo)
Escalação do RJ: Tote, Heleno e Cabeção. Raul, Jorge e Barão. Gilberto (Popota), Onalde, Dirceu, Tomazinho e Zé Chico.  Guigui entrou no 2º tempo.
 
2º JOGO
Tyresoles 1 x 2 Ribeiro Junqueira
Data: 21/03/1957
Estádio:  Jornalista Mário Filho – Maracanã, Rio de Janeiro.
Árbitro: Miguel Ruas da Federação Mineira de Futebol.
Gols: Gilberto (1º tempo) e Raul (2º tempo)
Escalação do RJ: Tote, Estigarribia e Cabeção; Nilo, Jorge e Barão; Gilberto, Raul, Raulzinho; Dirceu e Onalde. Marinho e Zé Chico entraram no 2º tempo.
Escalação do Tyresoles: Romiro, Azarias e Joel; Pascoal, Tião e Jorginho; Mundinho, Agildo, Roberto, Cdinho e Quivam.
 
3º JOGO
05/05/1957
Ribeiro Junqueira 2 x 1 Tyresoles
Gols: Gilberto Popota e Raul.
Escalação do RJ: Tote, Estigarribia e Cabeção; Tebano, Jorge e Barão; Gilberto, Raul, Raulzinho, Sapucaia e Parajara. Roney, Benito e Alcér entraram no 2º tempo.
 
Os encontros foram possíveis por intermediação da Tyresoles de Leopoldina, distribuidora da marca na região. Segundo o empresário José Ramalho, um de seus funcionários tinha uma comunicação frequente com representantes da empresa no Rio de Janeiro. A empresa patrocinava um time de futebol que levava o seu nome e promoveu disputas com o Ribeiro Junqueira – conhecido time do interior, que ficou famoso por desbancar equipes do futebol carioca.

O auge da ‘Taça Tyresoles’ foi no Maracanã, mas nem todo elenco do Ribeiro Junqueira pode estar presente,
 como explicou o saudoso Getúlio Subirá, que em determinada ocasião conversou com Luiz Ronaldo Botelho França sobre a dificuldade de levar todos, explicando que não havia espaço nos veículos que seguiram em comboio para o Rio de Janeiro, deixando muitas peças importantes fora do time.
1 - Getúlio Subirá (Técnico); 2 - Tote; 3 - Estigarríbia; 4 - Cabeção; 5 - Nilo; 6 - Jorge; 7 - Barão; 8 - Dirceu; 9 - Gilberto Popota; 10 - Onalde 11 - Raul; 12 - Raulzinho; 13 - Zé Chico e 14 - Marinho 
Consultamos publicações na Biblioteca Nacional e entrevistamos personagens dessa história, recuperando fragmentos de um dia marcante para o futebol leopoldinense. Dos que estão vivos, conversamos com Francisco José Guimarães Barbosa (Zé Chico), Dirceu Francisco (Pantera), Aimar Nogueira de Abreu (Marinho) e Jorge de Souza Pacheco.

Apesar das dificuldades de recordar de um jogo que aconteceu há 60 anos, os entrevistados revelaram detalhes importantes, contribuindo para que a história fosse registrada para pesquisa de futuras gerações.

Dirceu Francisco, o Pantera.

Nasceu em Leopoldina, foi bicampeão, tricampeão e tetracampeão da Zona da Mata pelo Ribeiro Junqueira; Foi um dos maiores artilheiros da história do Cruzeiro, ocupando a 24ª posição com 72 gols.  Também jogou no Botafogo, Vila Nova, América Mineiro e Desportivo Itália da Venezuela. Dirceu Pretinho, como era conhecido, também fez parte da equipe que jogou no Maracanã. Hoje, com seus 81 anos, Dirceu vive em Belo Horizonte com a família, mas sempre frequenta a sua terra natal para visitar os parentes e amigos. Ele nos contou sua recordação desse jogo no maracanã.

“Jogava no Ribeiro Junqueira, estava iniciando a minha carreira. Já se passou muito tempo, não é mesmo!? O time do Ribeiro Junqueira estava acostumado a jogar junto, participava com frequência de treinos e jogos - uma equipe muito entrosada. Não recordo de muita coisa, mas lembro que tinha muita gente no Maracanã, que era o maior estádio de futebol que existia. Foi um jogo de preliminar, estávamos com um uniforme igual ao do Flamengo - que tinha uma torcida grande no Rio de Janeiro. O pessoal estava torcendo pra gente, escutei muitos aplausos. O time do Ribeiro Junqueira era muito bom. Lembro que eu e o Gilberto Popota  ficamos no Rio por mais um dia para conhecer a cidade”, comentou
 
Aimar Nogueira de Abreu, o Marinho.
 
Marinho jogou pelo Ribeiro Junqueira nas décadas de 1950 e 1960. Também atuou no time da Liga Esportiva Leopoldinense, Rosário Central, Riachuelo e o Comercial – que ajudou a formar – sendo campeão do Torneio da Liga Esportiva Leopoldinense. Participou de jogos importantes pelo rubro negro e trabalhava concomitantemente no comércio, onde adquiriu experiência para mais tarde tornar-se empresário na região serrana e na região dos lagos, no Estado de Rio de Janeiro. Hoje, com 75 anos, ele está aposentado, mas mantém empreendimentos em Cabo Frio e Macaé. Ele relembrou momentos importantes desse período.
 
“Nessa época eu dividia a posição de ponteiro direito com o Popota. O RJ tinha um time muito forte. Para se ter uma ideia, no Brasil, fazia-se umas três ou quatro Seleções sem tem que apanhar ninguém lá de fora – era um celeiro de craques. Na década de 1950, em cada rua da cidade de Leopoldina tinha um time de futebol. Hoje isso é raro! A diversão principal dos jovens daquela época era cinema e futebol. Além desse jogo no Maracanã, participei de outros importantes com o RJ, a exemplo dos amistosos contra as equipes do Vasco da Gama e São Cristóvão. Lembro que fizemos uma excursão, ficamos uma semana fora. Joguei com times de Muriaé, Carangola, Espera Feliz, entre outros. Foram jogos marcantes contra a equipe do Flamenguinho, Nacional de Muriaé, entre outros. O Ribeiro Junqueira daquela época contou com a colaboração do Djalma Nogueira, leopoldinense, que foi diretor do Botafogo de Futebol e Regatas, do Rio de Janeiro. Era uma pessoa muito boa e comunicativa. Trouxe o José Henrique para cá, que foi jogador do Fluminense. O técnico do tricolor Zezé Moreira queria colocá-lo na ponta esquerda, mas ele era centroavante. O Ponta esquerda daquela época era um tal de Carlaile – que tinha um defeito na orelha com um lado pequeno e era muito conhecido por isso. O José Henrique não aceitou jogar em outra posição e o Fluminense o dispensou. Acho que foi o Djalma que o levou para Leopoldina. Era uma craque aquele rapaz!
 
Para o time jogar uma partida preliminar no Maracanã numa classificatória da Copa do Mundo, tinha que ter  uma condição de destaque muito grande.  Nesse dia o estádio estava lotado e um detalhe que me chamou a atenção foi o grito da torcida quando fazíamos uma jogada diferente. Estávamos enfrentando uma equipe muito boa, mas nosso time era melhor.
 
A torcida aplaudia de forma muito entusiasmada. Tive uma sensação muito boa quando escutei o eco por um drible que fiz no meio de campo. Recebi a bola, fingi que devolvi e continuei com ela, dando um drible de corpo sem encostar no meu adversário.
 
Outro fato curioso é que a dimensão do campo era muito maior do que estávamos acostumados a jogar no interior. Para se bater um escanteio, tinha que ter muita força para a bola chegar na área.
 
Não recordo exatamente de como se deram os gols que foram feitos pelo Gilberto Popota e pelo Raul. Eu vi o primeiro tempo e entrei no segundo e posso afirmar uma coisa: o nosso time tinha uma harmonia em campo e dificilmente um se destacava isoladamente. A impressão que se dava era que nosso time tinha mais jogadores em campo do que o adversário. A bola passava em muitos pés e o atacante só tinha o trabalho de arrematar. Posso dizer que o estilo era o do Santos de Pelé, ou seja, uma movimentação geral, que abria espaço no campo adversário. Prevalecia a inteligência, habilidade e raciocínio rápido. Antes da bola bater no pé os jogadores sabiam o que fazer.
 
Éramos treinados pelo o Senhor Getúlio Subirá, uma pessoa muito equilibrada. Recordo de um jogo contra o Vasco, ocasião que o Dirceu fez dois gols de cabeça. O Getúlio disse para me desvencilhar do marcador, olhar para o Dirceu e colocar a bola na cabeça dele – assim foi feito – parecia que ele cantava a jogada antes.
 
Tive oportunidade de ver o gol do Didi Folha Seca. Quando batia na bola, depois de um certo tempo em que ela estava viajando, parecia uma folha seca, pois mudava de posição. Parecia uma mágica, uma coisa impressionante”, finalizou.
 
Francisco José Guimarães Barbosa, o Zé Chico
 
Zé Chico é natural de Recreio, mas viveu em Leopoldina a maior parte de sua vida. É de uma tradicional família de comerciantes da cidade - da antiga Serraria São José. Jogou em times da região como o Recreio, Ribeiro Junqueira, Liga Esportiva Leopoldinense, entre outros. Chegou a jogar com os aspirantes do Fluminense, no Rio de Janeiro. Hoje, com os seus 84 anos, ele nos revelou detalhes importantes do jogo no Maracanã, além de contar histórias do futebol regional.
 
“Eu tinha um relacionamento muito bom na área esportiva no Rio de Janeiro. O jornalista Teixeira Heizer foi amigo de minha família e me convidou para fazer um teste no Fluminense. Ele chegou até anunciar no jornal Diário da Noite sobre minha chegada no Rio de Janeiro. Fui apresentado ao presidente da época, tinha 18 anos de idade. Um fato curioso, foi quando estava jogando pelo Fluminense em Bangu e escutei alguém da torcida gritar o meu nome. No intervalo fui para o alambrado e ali estavam dois leopoldinenses: O Edson (Azeite) e o Júlio (Peru), antigos funcionários do Bemge – eles foram lá só para me ver jogar, nunca esqueci disso.
 
No Fluminense fiquei pouco tempo, me sentia preso, meu pai estava preocupado e atarefado com seu movimento comercial em Leopoldina. Então desisti e comuniquei ao Teixeira Heizer. Ele insistiu para que ficasse, mas meu desejo era estar em Leopoldina.
 
Antigamente as preliminares eram feitas por equipes aspirantes. O Ribeiro Junqueira era muito famoso em toda região sudeste e impôs a condição para o Tyresoles de jogar no Maracanã. E conseguiram, fecharam contrato para esse jogo preliminar. Nesse período eu ainda estava no Rio de Janeiro e o senhor Getúlio Subirá me fez o convite para jogar – aceitei com muito orgulho.
 
O RJ era muito famoso em todo estado e impôs uma condição para jogar contra o Tyresoles, desde que fosse no Maracanã - eles conseguiram e fizeram um contrato. No dia do jogo, tivemos uma boa apresentação, todos falavam sobre nosso time – os que estavam lá ficaram sabendo que o RJ era um timaço e, além disso, o uniforme era parecido com o do Flamengo.
 
Quando entrei em campo, um repórter esportivo que não recordo o nome, perguntou de onde eu era. Respondi que nasci em Recreio e ele ficou todo feliz, pois também era a terra dele. Todos ficaram satisfeitos de ver a nossa equipe, um time homogêneo, que jogava bem. O Getúlio era um excelente treinador. Ele me colocou na ponta direita, pois eu cruzava muito bem as bolas. O primeiro gol marcado pelo Gilberto Popota aconteceu numa sequência de passes dentro da área, ele acabou chutando e fazendo o gol. O Popota era um jogador viril, muito forte.  O segundo gol foi marcado pelo Raul de cabeça, após um cruzamento que fiz na área. Ele era um grande cabeceador. O Tyresoles era uma timaço, chegou a disputar jogos no Rio de Janeiro, no Canadá, contra o Benfica de Portugal e outros. O Ribeiro Junqueira era o fantasma da Zona da Mata, muitos jogadores queriam jogar, mas o Getúlio estava ali para ganhar e formou o time de acordo com suas convicções, não dava pra colocar todo mundo, ele só fez duas substituições”.
 
 
Jorge de Souza Pacheco.

Jorge de Souza Pacheco tem 83 anos, é natural de Pirapetinga. Ainda jovem, saiu do interior para jogar no América de São José do Rio Preto, Botafogo de Ribeirão Preto, entre outros times de futebol paulista. Após nove anos sem ver a família, retornou para sua cidade natal e logo em seguida foi convidado pelo leopoldinense Dr. Haroldo Maranha, amigo de sua família, para jogar futebol em Leopoldina, pelo Ribeiro Junqueira. Por aqui ficou durante muitos anos, casou-se, conquistou títulos importantes e fez muitas amizades. Foi bi, tri e tetra campeão da Zona da Mata, participou de jogos históricos contra equipes do Madureira, São Cristóvão, Botafogo, entre outros. Trabalhou como alfaiate, mudou-se para o Rio de Janeiro, depois regressou a sua cidade natal e aposentou-se há pouco tempo.  Jorge nos contou um pouco de história, confira:

“Eu jogava em times do interior de São Paulo, morei em Bauru, em municípios da divisa com o Paraná. No futebol, conheci pessoalmente o Viana, zagueiro do Vasco e o Julinho, ponta esquerda do Ypiranga de Carangola. De São Paulo retornei para Pirapetinga - não entrei em acordo na renovação de contrato. Em 1956 recebi o convite do Dr. Haroldo Maranha para jogar pelo Ribeiro Junqueira.

Daí tenho muitas lembranças e fico emocionado só de lembrar. Recordo de um jogo de Ribeiro Junqueira contra o Botafogo – o Garrincha deu um baile no Barão – ele era difícil de ser marcado. Eu sou suspeito para falar de nosso time, mas muita gente dizia que era muito bom. Eu lutava e brigava com a camisa do Ribeiro Junqueira, foi um time que gostei de jogar. Tínhamos determinações da diretoria – que nunca deu boa vida para os jogadores – todos nós tínhamos que cumprir nossas obrigações. Não podia encher a cara de bebida, tinha horário para dormir – quando estávamos no baile com a namorada, o Sr. Getúlio e o Dernerval Vargas chegava, batia no ombro e dizia que já estava na hora de ir para casa. No RJ eu fazia o quarto zagueiro - nossa defesa era o Coutinho, Cabeção, eu e o Barão.

Sobre o jogo no Maracanã, saímos em seis ou mais veículos para o Rio de Janeiro, não dava para levar todos do time.  Fomos muito elogiados pelo Ary Barroso, conhecido comentarista esportivo, natural de Ubá. Quando entramos em campo, foi feito um comentário de que estavam jogando times fantasiados de Flamengo e Botafogo.

O meu amigo Untinha, de Pirapetinga, estava na arquibancada e escutou comentários a meu respeito. Lembra do Dequinha que jogou no Flamengo? Ele fazia lançamentos que deixavam a torcida maluca. Eu fazia esse tipo de jogada no dia do jogo e a torcida elogiou muito, dizendo inclusive que eu poderia ir para o Flamengo.

Nunca tinha participado de um jogo com tantas pessoas dentro de um estádio, mas isso não me assustou, lidei com naturalidade, pois estava mais ou menos acostumado com um número razoável de presenças de torcedores em estádios por onde passei. Fiquei parado olhando o Maracanã por alguns segundos, era muito bonito, pois chamava a atenção do mundo inteiro. O gramado era uma coisa fora do comum, não tinha visto em nenhum lugar.

Nesse dia, o Didi ‘Folha Seca’ fez um gol de falta. Eu já chutava ao estilo ‘folha seca’ aqui em Pirapetinga, mas de outra maneira, batia na bola por dentro do pé, já o Didi pegava ela por fora.  Eu era o quarto zagueiro, jogava um metro na frente do Cabeção. O nosso técnico Getúlio Subirá era muito amigo do Martinho Francisco, técnico do Vasco – ele quis me levar para o time carioca.  Tive propostas do América Mineiro, que tinha como técnico o filho do Gentil Cardozo, amigo do Getúlio. Eu não fui na época porque o que eu ganhava dava para viver uma vida razoável, e também gostava daqui, estava namorando, noivo. Todos tinham consideração por mim na cidade, então resolvi ficar.

Uma pena não terem registrado foto a época. Lembro que um jornalista amigo do pessoal de Leopoldina Iria tirar uma foto e iria colocar na capa de uma revista, no entanto, isso não foi feito. Deve ter ocorrido algum contratempo. Seria uma lembrança que teria para mostrar para a minha família e amigos, uma pena.

Com idade avançada, parei de jogar futebol, já estava casaso, tive uma filha e fui embora para o Rio de Janeiro. Trabalhei durante toda minha vida como alfaiate, mas atualmente estou aposentado”, concluiu

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