O leopoldinense Fabrício Manca, popularmente conhecido como ‘Sapin’, que trabalha como carteiro na Agência dos Correios, representou a cidade de Leopoldina e os Correios, no 4º Prêmio SESI de Literatura, evento que aconteceu no dia 5 de agosto, no Teatro SESIMINAS, em Belo Horizonte, onde declamou a poesia de sua autoria intitulada ‘A pedra’. Uma torcida organizada por amigos e familiares alugou um ônibus para ir a Capital vibrar com Fabrício.
Na sua quarta edição, o Prêmio SESI de Literatura recebeu 625 inscrições, de 306 instituições e indústrias de 92 municípios de Minas Gerais, um crescimento de mais de 25% em relação à edição de 2016.
Infelizmente, Fabrício Manca (popular Sapin) não foi um dos premiados no Festival Literário do SESI. Porém, ficou muito feliz de ter participado do Festival. Das 625 obras enviadas, sua poesia ficou entre as 30 classificadas, sendo escolhida por membros da Academia Mineira de Letras para ser publicada no livro do Festival SESI Literatura em Prosa e Verso, que foi lançado durante o evento. Fabrício Manca – ‘Sapin’ que autografou livros para seus convidados, parentes e amigos.
"É uma honra muito grande ter uma poesia analisada por membros da Academia de Letras. Honra maior ainda é saber que essa poesia foi classificada para a final e publicada no livro do Festival. Agradeço a todos que me apoiaram, principalmente os amigos e familiares que compareceram no evento", disse Fabricio no retorno a Leopoldina.
Os vencedores:
Categoria Prosa
1º - Luan Domingues de Oliveira Alves, Graham Packaging do Brasil, Poços de Caldas (“O vendedor de tempo”) 2º - Wellington Pinto Coelho, Cemig Distribuição, Belo Horizonte (“O muro”) 3º - Layane Michelly Almeida, Telemar Norte Leste, Belo Horizonte (“Tereza”)
Categoria Verso
1º - Marcelo Soares Firmino, Líder Indústria e Comércio de Estofados, Carmo do Cajuru (“Por que não lhe escrevo um conto”) 2º - Marina Faria Silva Fernandes, Thyssenkrupp Brasil, Ibirité (“O menino e o rio”) 3º - Fernando Márcio Soares Pimentel, Cemig Distribuição, Belo Horizonte (“Tudo prosa”)
A poesia de Fabrício Manca
A pedra (Fabrício Manca)
A pedra que acertaste em minha testa É tão fria quanto tua mão que a molesta Tão rígida quanto seu coração sombrio Na noite que juraste ferir-me por amor Restou-me apenas espinhos de uma flor Que morrera de tristeza, câncer e frio Perdi o caminho de casa naquela noite triste Vi as desgraças reunidas, mas tu, tu não viste Testemunhei a queda humilhante dos vitrais Vi a agonia divertir-se enquanto esquartejava Minha alma, tu não vira, a essa hora já estava Recolhendo os cacos da dor que me ardia mais Meu coração, assim como fígado de Prometeu Regenerou-se tão rápido quanto você o comeu Para que no dia seguinte voltasse a devorá-lo E assim, dia a dia, o meu sofrimento eterno ia, ia… E quanto maior meu coração, mais você o comia Eternizando assim a agonia de não poder pará-lo Eu era um desgraçado esmolando flor no paraíso Oferecendo a eternidade em troca do seu sorriso Ao som sarcástico das gargalhadas dos cupidos Que no submundo do Éden, traficavam os amores Arrancando a alma e a dignidade desses senhores Em troca de todos os valores não correspondidos E assim, no nível mais inferior da minha loucura Eu observava tua cria porca com tamanha paúra Que em meio a tantas quimeras e abstrações Era ela, a fera mais desorientada, rústica e louca Que carregava no vermelho quente da sua boca O sangue fresco de todos os sôfregos corações Como Atlas que carregava o peso do firmamento Sobre minhas costas eu tinha todo o sofrimento Dos bilhões de amores perdidos naquele segundo Eu gemia só, aquela dor, com tamanha intensidade Que tal era o peso do desespero da humanidade Era assim, sobre minhas costas, o peso do mundo Era a voz da alma que me esgoelava toda tristeza E na afasia desesperadora da minha língua presa Eu ruminava restos podres de poesias esquecidas Eu era como o beato que se entrega ao ateísmo O Poeta desacreditado que se joga nesse abismo Onde jazem todas as inspirações desaparecidas Não, não me negaram flores no dia seguinte Não me era o Natal, era-me sim, por conseguinte O dia derradeiro em que hoje comemoro a morte O dia em que os monstros me comeram a psique Com a beleza de quem monta um piquenique Para devorar o fraco que se mostrar mais forte E foi de manhã, numa súbita crise de sanidade Que me vi dominar o amor com tanta habilidade Que ele me parecia no colo, um filhote vulnerável E antes que crescesse e me devorasse por inteiro Fiz com que gritasse e se escondesse no bueiro Onde esconde todo sentimento hostil e miserável A pedra ainda ardia minha testa quando adormeci E durante o sono, em um pesadelo, foi que eu vi Que amar tanto assim, é que me foi o maior erro Eu acordei na mais completa e absoluta solidão E descobri sob os escombros do meu coração Que o amor morreu e eu não fui ao seu enterro