12/10/2017 às 11h09min - Atualizada em 12/10/2017 às 11h09min

Morto em São Paulo, aos 92 anos, jornalista José Barroso Junqueira recebe homenagens de amigos

Ao lado de José do Carmo Machado Rodrigues e Luiz Otávio Meneghite ele foi um dos fundadores do jornal Leopoldinense. Barroso também foi co-fundador da ALLA.

José Barroso, Luiz Melo Sobrinho,Affonso Romano de Sant'Anna e Ronald Alvim Barbosa em encontro na Casa de Leitura em 2010 (ALLA)
A morte do jornalista e sociólogo José Barroso Junqueira, no dia 3 de outubro, aos 92 anos, na cidade de São Paulo, onde estava residindo e tratando de uma enfermidade, repercutiu muito entre os que o conheceram e os que apenas tinham ouvido falar sobre ele. O jornal Leopoldinense ouviu algumas pessoas que conviveram com José Barroso na Academia Leopoldinense de Letras e Artes ou que acompanharam seus artigos e crônicas nas páginas da Gazeta de Leopoldina e após o seu fechamento, nas páginas do Leopoldinense, Barroso também participou durante muito tempo do Jornal Leopoldinense no Ar, pela Rádio Jornal AM de Leopoldina.

Com uma carreira rica em produções jornalísticas ele trabalhou em grandes jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo, como o Correio da Manhã, Jornal do Brasil, Última Hora e Folha de São Paulo, chegando a prestar serviços para a ONU-Organização das Nações Unidas.  Uma coisa que pouca gente sabe é que José Barroso Junqueira escreveu os Estatutos da primeira Unimed do Brasil, criada em Santos-SP. Ele também foi editor da Balde Branco, uma das revistas rurais mais antigas do país. Do setor leiteiro é a pioneira. Com circulação mensal, nunca deixou de ser distribuída aos seus leitores. Aposentado, veio morar em Leopoldina, cidade onde nasceu e que amava.

Aqui, ele foi um dos fundadores da ALLA-Academia Leopoldinense de Letras e Artes e também do jornal Leopoldinense, do qual foi articulista até que a doença o impediu continuar. Grande incentivador do jornal Leopoldinense, José Barroso Junqueira, criou seu slogan: “A consciência crítica da cidade”. De sua primeira edição até hoje, a equipe do jornal leva à risca, o que considera mais do que uma frase de efeito e sim como uma missão. Ser a consciência crítica de uma comunidade vai mais além, é chamar para si a responsabilidade de ser porta voz de grande parcela do povo de Leopoldina, que clama por uma sociedade mais justa, imparcial e independente, ainda que alguns tentem calar sua voz através de processos na justiça e outros artifícios impublicáveis.

A reação de Luiz Otávio Meneghite
 
O jornalista Luiz Otávio Meneghite, editor do jornal Leopoldinense recebeu a notícia da morte de José Barroso por um telefonema de sua sobrinha Maysa Fajardo Cury:  “apesar de ser uma notícia esperada devido à enfermidade e à idade dele, confesso que poucas vezes me emocionei tanto. O Barroso foi mais do que um amigo, foi professor e conselheiro. Eu o conheci quando era assessor de imprensa da Prefeitura de Leopoldina e tive a honra de recebe-lo na redação do jornal Equipe, do qual fui editor por 8 anos. Quando fui dirigir a Gazeta de Leopoldina, ele se tornou um dos colaboradores do jornal e ficamos juntos durante os 5 anos em que lá permaneci. Com o fechamento do mais tradicional periódico da cidade, pensei em abrir o meu próprio jornal. Foi então que o Barroso se juntou ao advogado e escritor José do Carmo Machado Rodrigues e os dois me ofereceram todo o suporte para colocar o jornal Leopoldinense em circulação ininterrupta a partir de 23 de agosto de 2003. Ambos nunca quiseram qualquer compensação por isso, apenas um espaço para publicar seus artigos e crônicas. Sofri muito com a perda do José do Carmo e agora com a partida do José Barroso. Fui recompensado por Deus com lágrimas sinceras pela gratidão que tinha aos dois”, lamentou Luiz Otávio.
 
 
O que disseram os amigos

Ronald Alvim Barbosa, presidente da ALLA> Foi com profundo pesar que a Academia Leopoldinense de Letras e Artes - ALLA – recebeu a notícia do falecimento do seu Membro Fundador José Barroso Junqueira, que ocupava a Cadeira Nº 8, tendo como Patrono João Barroso Pereira Júnior. Barroso, como era carinhosamente chamado por todos nós, foi jornalista e sociólogo, tendo sido também professor e escritor. Ganhou a simpatia de todos os leopoldinenses por sua simplicidade, cultura e, principalmente, pela forma delicada e educada de se comunicar. Junto ao pesar pela sua ausência, Barroso nos deixa como legado os sentimentos de dignidade e generosidade.
 
Maria José Sales Fernandes>Meus sentimentos sinceros!Uma pena não ter tido a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente.
 
Antonio Marcio Junqueira Lisboa> Transmito os meus sentimentos à família. Tive sempre uma grande admiração pelo Barroso, que é um primo meu.

Nilza Cantoni e Luja Machado>Do pouco que conhecemos e convivemos com o acadêmico, jornalista, professor, escritor e sociólogo José Barroso Junqueira, fica-nos a certeza da grande perda sofrida pela área cultural de Leopoldina. Portador de uma escrita fácil e de admirável consciência crítica, Barroso foi um dos fundadores e grande colaborador do Jornal Leopoldinense. De pensamento livre e aberto às letras e artes, como um dos fundadores, abriu caminho para a ALLA chegar aos dias de hoje. Certamente fará muita falta.

Natania A Silva Nogueira>José Barroso Junqueira era uma daquelas pessoas inspiradoras. Eu o conheci quando entrei para a ALLA. Sempre com um sorriso aberto e uma palavra gentil ele era muito querido por todos. A primeira palavra que me vem à mente quando penso nele é "acolhida". José Barroso era uma pessoa que fazia com que eu me sentisse acolhida em meio a tantas pessoas geniais, como ele, que fazem e fizeram parte da ALLA desde a sua criação. 
 
Maria José Baia Meneghite>A distância motivada por sua enfermidade nunca foi fator de afastamento e tão pouco limitou nossa convivência.Sabíamos da fragilidade de sua saúde e por isso estávamos sempre em contato com sua esposa Neli e posterior ao falecimento dela,tínhamos notícias através dos parentes.Recentemente,  José Barroso faleceu e o sentimento de perda desse amigo foi tão grande quanto foram em vida sua generosidade,inteligência e carinho.Pessoas como ele passam por nossas vidas para dar o exemplo e ele foi exemplo de profissional e amigo.Que os anjos de luz tenham iluminado seu caminho de volta, onde certamente estará em paz. 

José Gabriel Couto Viveiros Barbosa> Obrigado, Sr. Barroso! É com muita gratidão que sempre vou me lembrar do senhor, sócio fundador da Oscip Felizcidade, e depois da Alla, organizações das quais me orgulho de ainda participar. Sua sabedoria e experiência de tantos anos e seu exemplo de retidão e coerência foram fundamentais no meu aprendizado pessoal e coletivo. Segue em paz seu caminho de semeadura, enquanto por aqui celebraremos sua memória! Saudoso abraço...

Luiz de Melo Sobrinho>     Nosso breve convívio, restrito à participação das primeiras reuniões da ALLA, consolidou-me a consciência de ser José Barroso o detentor de uma mente bem cultivada, de profundos e vastos conhecimentos. Após operosa e profícua carreira profissional fora, de volta, no momento em que disponibilizava seu valioso potencial em prol de Leopoldina, foi surpreendido e retirado de cena. Um vazio se forma. Mas, seu legado de cultura, dignidade e integridade deixa-o presente, para sempre, entre nós.
 
Glória Barroso>Primo José, José Barroso Junqueira, conhecido por sua capacidade intelectual, cultura, sua gentileza e cavalheirismo.Deixa saudade como amigo, como confrade na Academia Leopoldinense de Letras e Artes, como jornalista cujas crônicas despertavam sempre interesse e agrado.Seu lugar está reservado ao lado do Senhor pela grandeza de alma, pelo respeito que dispensava a todos do seu convívio, pelo seu espírito de cidadania. Agradeço pelo tempo e privilégio que tive de gozar da sua companhia com sua querida esposa e grande companheira Nely. 

Phablo Gouvêa(Professor de Sociologia)>"O Sr. José Barroso foi um querido amigo e leopoldinense inspirador. Motivou-me na escolha da Sociologia como disciplina fundamental para nortear os rumos de minha vida. Ele e sua esposa Dona Nely me acolheram com carinho em minha passagem pela cidade de São Paulo durante os anos da graduação na Escola de Sociologia e Política e na pós-graduação na Universidade de São Paulo. Deixará para mim uma saudosa lembrança das tardes frias regradas a um saboroso café, conselhos e inquietações a respeito do pensamento político e social brasileiro." 

 
Arnaldo Spindola> Um homem íntegro e valoroso. Sabia colocar suas opiniões com inteligência, serenidade e equilibro. Mesmo quando tinha que fazer alguma crítica, fazia-a com ternura. Ouvi-lo era sempre um aprendizado. Dava lições com poucas, porém sábias palavras. Foi um grande incentivador para a criação da ALLA.
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