16/10/2017 às 09h03min - Atualizada em 16/10/2017 às 09h03min

Grupo do CEFET-MG apresenta proposta de materiais para minimizar impacto da produção de cimento

Pesquisas desenvolveram adições que podem substituir total ou parcialmente o cimento que emitem muito CO2, reduzindo assim a pegada de carbono da indústria da construção civil.

Fábrica da Votorantim Cimento em Ribeirão Grande(Foto meramente ilustrativa)
O setor de construção é considerado um dos grandes responsáveis por impactos ambientais no planeta por utilizar grande volume de recursos naturais como matéria-prima. No caso da produção de cimento, há um consumo grande de energia e também de matéria-prima como o calcário, que já foi bem abundante na região central do Estado de Minas Gerais. Neste contexto, professores do CEFET-MG apresentam propostas de estudo sobre materiais alternativos com a finalidade de garantir o fornecimento e, ao mesmo tempo, minimizar os impactos ambientais da atividade.
 
Segundo o professor do CEFET-MG, Augusto Bezerra, para a produção do cimento, o calcário junto com argilas e outras adições em proporções menores são aquecidas a temperaturas entorno de 1.500°C, que “além de consumir energia emitindo gases de efeito estufa pela queima de combustíveis e co-produtos, ainda libera uma quantidade expressiva de CO2 fornecida pela dissociação do carbonato de cálcio (CaCO3) presente no calcário. Estima-se que para cada tonelada de cimento produzido possa ser emitido na atmosfera até 650kg de CO2”, explica.
 
A dissociação do carbonato de cálcio e a queima de combustíveis fosseis coloca a indústria do cimento entre as que mais emitem CO2 na atmosfera no mundo. A emissão de gases de efeito estufa de uma indústria é chamada pegada de carbono. A partir desse cenário, o grupo de pesquisa Materiais Inovadores Sustentáveis (MIS), cadastrado no
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
(http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/0785635655319418), coordenado pelo professor Augusto Bezerra, desenvolve pesquisas com adições que possam substituir total ou parcialmente o cimento que emitem muito CO2, reduzindo assim a pegada de carbono da indústria da construção civil. 
 
Entre os principais resíduos utilizados pelo Grupo MIS para o desenvolvimento dos cimentos de baixo carbono, estão: resíduos de construção e demolição, escorias, estéril e rejeito do minério de ferro, estéril e rejeito da produção de fertilizantes, cinzas de biomassa, como cinzas do bagaço de cana-de-açúcar e cinzas de eucalipto, argilas calcinadas e produtos sintetizados em laboratório.  “Com avaliação da durabilidade dos cimentos de baixo carbono desenvolvidos pelo MIS, espera-se dar destino a alguns resíduos gerados no estado de Minas Gerais, reduzir em até 50% as emissões da indústria cimenteira no Estado e ainda aumentar a vida útil das construções”, conclui o professor.
 
Acreditando no potencial da proposta, a Fundação de Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) financiou o projeto “ Desenvolvimento de concretos sustentáveis do ponto de vista técnico e ambiental” com o valor de R$ 39.900,00, em 2009, por meio de uma chamada universal. E este ano financiará o projeto “Durabilidade de Aglomerantes de Baixo Carbono”, com a compra de um equipamento para avaliar de forma acelerada a durabilidade de cimentos produzidos com baixa emissão de carbono, com o valor de R$59.850,00. “Este já é o quarto auxílio financeiro que a Fapemig concede ao MIS para continuidade da pesquisa de cimentos e concretos de baixa emissão de gases do efeito. Ressalto a importância da Fapemig para o desenvolvimento de minhas pesquisas e para o progresso da ciência no Estado e no Brasil, principalmente no que diz respeito a pesquisas aplicadas e de inovação tecnológica”, destaca o professor.
 
Fonte> Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais-CEFET-MG

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