13/12/2017 às 15h22min - Atualizada em 13/12/2017 às 15h22min

Encerrada a temporada 2017 de natação e Leopoldina manteve tradição vitoriosa

O professor Hudson Rodrigues de Jesus concede entrevista exclusiva ao jornal Leopoldinense onde revela as conquistas de 2017 e projetos para 2018.

Projeto Novos Tubarões
Um ano cheio de boas e más surpresas marcou a nossa natação, que mesmo participando de menos eventos que o costume, manteve sua posição de destaque na região e em todo estado, mantendo a tradição vitoriosa de Leopoldina entre as equipes não federadas.

GLN: Hudson, Leopoldina se acostumou com as carreatas empolgadas organizadas pelos pais ao receberem seus filhos voltando com troféus e por isso estranhou tão poucas notícias e festa da natação esse ano. O que aconteceu para tão poucas participações em 2017?

Hudson: Aconteceram algumas coisas que nos impediram de ter uma participação tão intensa como sempre. Tivemos um inverno mais rigoroso e prolongado, crise econômica afetando os patrocinadores e as famílias dos atletas, reforma na piscina do CEFET onde treinamos e também muitos compromissos escolares em dias de competição.

GLN: Mesmo participando de apenas metade das competições da temporada, a natação conseguiu resultados individuais importantes. Quais foram eles?

Hudson: Coletivamente fomos vice-campeões da Regional Leste da Copa Minas Gerais, mas de fato, nossas maiores conquistas em 2017 foram individuais. Estávamos prontos para conquistar o pentacampeonato do festival Sudeste em Vitória-ES, mas acabamos por enviar apenas o atleta Ítalo Rodrigues que conquistou seis medalhas e foi um dos destaques da competição. Além desse fato, tivemos o atleta Wallace Guida que liderou o Ranking Estadual da Copa Minas Gerais em três provas. E por fim, todos os atletas que participaram da etapa estadual da Copa Minas Gerais ficaram entre os oito melhores do estado. Um feito a ser muito comemorado, num ano de tantas dificuldades.


GLN: Após quatro conquistas consecutivas no Festival Sudeste, principal competição para clubes não federados no Brasil, ficamos de fora da disputa esse ano. A equipe Tubarão conquistaria o penta? O que a impediu de participar e trazer mais um troféu para a cidade? É verdade que a Prefeitura não cedeu o transporte e isso inviabilizou a viagem?

Hudson: Sim, conquistaríamos o penta. Após ver os resultados on-line, posso afirmar que seríamos campeões novamente.  A Prefeitura cedeu sim o ônibus como tem feito nos últimos anos. Mas, infelizmente, quando o fez, estava fora dos prazos exigidos para inscrição, hotel e outras demandas exigidas pela organização.  O processo licitatório para transporte foi mais demorado esse ano e não deu tempo para fecharmos tudo e participarmos. Lamentamos, mas compreendemos e isentamos a Prefeitura dessa responsabilidade. Contamos com ela para a temporada 2018. Vamos lá buscar esse penta.
 
GLN: É verdade que uma competição em Leopoldina foi cancelada? Você é defensor da teoria de que competições esportivas podem ajudar o comércio local. Essa competição traria os benefícios que você prega? Por que não aconteceu?

Hudson: Não realizamos a competição esse ano em função da reforma da piscina do CEFET. Mas era uma competição de menor porte. Defendo sim, o fato do esporte poder melhorar nossa cidade. E tenho números para comprovar isso. Na etapa estadual da Copa Minas Gerais em novembro, em Conselheiro Lafaiete, foram movimentados aproximadamente 200 mil reais em um único final de semana. Um valor difícil de acreditar, mas perfeitamente normal para quem vive a natação. O Festival Sudeste em Vitória movimenta algo próximo de 60 mil reais em apenas um final de semana também. Valor menor pelo fato da maior parte das equipes serem da cidade. Sobre esses valores e a força econômica do esporte, já temos uma palestra pronta para apresentar aos empresários locais e aos interessados através da Sociedade Olímpica Leopoldinense. Nessa palestra apresentaremos esses dados minuciosamente. Não dá mais para negligenciar essa ferramenta.

Hudson e os atletas de Leopoldina em Conselheiro Lafaiete

GLN: De fato são números difíceis de acreditar. Você pode nos explicar um pouco melhor?

Hudson: Sim, claro. Usarei como exemplo a Final da Copa Minas Gerais e do Meeting Master que aconteceram simultaneamente em Conselheiro Lafaiete e reuniram 590 atletas no Clube D. Pedro II. Tomando por base o consumo de nossos atletas, temos o valor de R$40,00 com alimentação por dia. Fomos com apenas 6 atletas e em apenas um dia. Mas as outras equipes ficaram os dois dias do evento.  Gastando o mesmo que nós, cada atleta gastou R$80,00 em dois dias com alimentação. Multiplicando 584 atletas por R$80,00, temos o valor de R$46.720,00.  Mais os R$240,00 dos atletas leopoldinenses temos o total de R$46.960,00.  Não coloquei nessa conta os técnicos e nem os familiares. A organização do evento afirmou ter envolvido 1000 pessoas no evento. O ticket médio dos hotéis foi de R$160,00 pelo final de semana. Novamente considerando apenas os atletas, tirarei nossos seis, os anfitriões e uma outra equipe que ficou em alojamento. Sobram 520 atletas pagando R$160,00 e totalizando R$83.200,00. Somando com a alimentação, temos aqui um total de R$130.160,00. Podemos acrescentar 50% a esse valor se consideramos a presença das famílias e comissões técnicas que viajaram até a cidade. A competição é organizada para dar tempo aos atletas visitantes e seus familiares passearem pelo comércio local e fazerem compras. Os dados finais eu apresentarei na palestra, mas posso afirmar aqui, que nós gastamos muito menos que as outras equipes com  maior poder aquisitivo. O que nos faz concluir que esses números podem ser muito maiores.

Quase 600 atletas inscritos na Final da  Copa Minas Gerais

GLN:  O que Leopoldina precisa para realizar aqui eventos como esse?

Hudson:  Atitude. Quebrar os paradigmas envolvendo o esporte. A cidade que quer resultados diferentes deve começar a pensar diferente.  Após essa mudança, temos a questão da infra-estrutura e do fomento eficaz ao esporte.  Com a estrutura ideal podemos trazer eventos não federados e federados também, cujos números são ainda maiores.

GLN: Isso já foi explicado antes, mas é sempre bom esclarecer aos leitores. Qual a diferença entre a natação federada e não federada?

Hudson: Isso é sempre bom explicar. Até o início dos anos 2000 só existiam competições organizadas pelas federações estaduais. Mas, questões técnicas, políticas e econômicas, fez nascer em todo o país uma organização independente. Aqui em Minas Gerais, a maior organizadora de eventos é a empresa MG Esportes, de Belo Horizonte. Em linhas gerais a natação não federada é menos burocrática, mais flexível, mais barata e com mais participantes. Seu nível técnico é mais baixo, mas cresce a cada ano. Apesar dessa separação, as federações também realizam competições para as equipes que não participam de seus quadros, como é o caso do Festival Sudeste Não federado, organizado pela Federação Aquática Capixaba. Os atletas que se destacam nas competições não federadas são freqüentemente convidados a ingressar nas equipes federadas. Esse é o caminho escolhido por centenas de atletas em todo o estado.

GLN:  E sabemos que esse foi caminho de vários nadadores leopoldinenses. Mas, nos fale da nova realidade prevista para nossa natação e também do Projeto Novos Tubarões.

Hudson:  A nova realidade que costumo falar diz respeito a natureza dos resultados. Sempre priorizei o resultado coletivo e não o individual. Entretanto, temos vivido tempos cada vez mais difíceis para se montar equipes tão grandes como antes. Cada vez menos jovens têm a força mental necessária para encarar a rotina de treinos e um número menor ainda encontra o apoio necessário nas suas famílias. Dessa forma, passamos a trabalhar com menos atletas e a priorizar suas conquistas individuais até voltarmos a ter uma equipe maior que nos permita disputar todas as grandes competições e vencê-las novamente. Nossa esperança está depositada na nova metodologia a ser adotada pela Acquademia e também no Projeto Novos Tubarões. Acreditamos que no segundo semestre do ano que vem já teremos uma turma nova pronta para começar a competir.  O projeto Novos Tubarões apresenta a natação para alunos das escolas públicas e já conta com 107 inscrições e algumas feras descobertas. No ano que vem pretendemos mudar a estrutura do projeto e atendermos mais crianças durante todo o ano. Necessitamos de parceiros para isso e estamos evoluindo nesse aspecto.

GLN: Como será a participação de Leopoldina na temporada 2018? Será menor como esse ano ou há o interesse em participar de mais eventos?

Hudson:  Como eu disse, temos uma nova realidade que precisa ser encarada de frente. A realidade financeira do país e da cidade não nos anima muito e por isso teremos uma participação parecida com esse ano. Desde outubro já temos à nossa disposição o calendário da próxima temporada e estamos fazendo um planejamento mais racional que nos garanta a participação nas principais competições com os atletas veteranos e também em competições mais tranqüilas para inserir os novos tubarões. Temos treze eventos confirmados em 2018 e queremos participar de ao menos seis deles. Para isso precisamos do apoio do empresariado local e Prefeitura. Mantendo nossa participação e força, podemos pleitear para 2019 eventos tão grandes como o que já citei aqui e dar grande retorno ao comercio local.

GLN: Quais as sua considerações finais?

Hudson: Agradeço a atenção de sempre para com nossa equipe. Agradeço também todas as pessoas que compraram as rifas vendidas por nossos atletas e aos nossos patrocinadores. Além é claro, de agradecer aos pais pela confiança e apoio ao nosso trabalho. Ano que vem, comemoramos 20 anos de participação em competições e 18 de equipe Tubarão. Será um ano incrível e convido a todos os jovens interessados em fazer parte de nossa história vitoriosa a nos procurar a partir de fevereiro na Acquademia ou no CEFET. Desejo a todos, boas festas e um ano novo campeão em saúde, realizações e prosperidade.
 

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