26/06/2018 às 07h22min - Atualizada em 26/06/2018 às 07h22min

Justiça envia para PF inquérito de Aécio sobre Cidade Administrativa

Senador mineiro é suspeito de desviar verba da construção da Cidade Administrativa, sede do Estado inaugurada na gestão do tucano

Ezequiel Fagundes, Da RecordTV Minas

A Justiça de primeira instância em Belo Horizonte mandou para a PF (Polícia Federal) o inquérito que apura se o senador Aécio Neves (PSDB) recebeu propina desviada na construção da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, inaugurada quando o tucano era governador de Minas Gerais. Projetada pelo arquiteto Oscar Niemayer, a sede oficial do governo do Estado custou R$ 1,7 bilhão.

Além de Aécio, são investigados no mesmo inquérito o empresário Oswaldo Borges da Costa Filho. O ex-executivo Antônio Alvim, da Queiroz Galvão, também figurava como investigado, mas ele morreu.

A obra foi inaugurada em 2010, no segundo governo de Aécio, e é considerada um símbolo da gestão do PSDB no Estado. A remessa do inquérito para PF foi necessária para a realização de possíveis novas diligências e interrogatórios no âmbito da operação Lava Jato.

No início deste mês, o inquérito foi enviado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) à primeira instância, em BH, após a corte máxima do Judiciário restringir o foro privilegiado de parlamentares no caso de supostos crimes cometidos dentro do mandato e ligados ao cargo.

O inquérito foi instaurado com base na chamada delação do Fim do Mundo, celebrada pelos executivos da empreiteira Odebrecht. Na lista da empresa, Aécio é identificado como Mineirinho. Já Oswalgo Borges da Costa Filho, ex-diretor da Codemig (Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais) e responsável pela execução da obra, é o Oswaldinho.

Em 2007, segundo os delatores da Odebrecht, com base em declarações e prova documental, Aécio "teria organizado esquema para fraudar processos licitatórios, mediante organização de um cartel de empreiteiras, na construção da Cidade Administrativa (ou Centro Administrativo) de Minas Gerais, com o escopo último de obter propinas decorrentes dos pagamentos das obras”.

Os advogados do senador e do ex-diretor da Codemig, Alberto Zacharias Toron e Sânzio Baioneta Nogueira, respectivamente, disseram que não vão se manifestar, por ora.


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