13/09/2014 às 17h09min - Atualizada em 13/09/2014 às 17h09min

Ubá parte para diversificação econômica

Município da Zona da Mata mineira pretende atrair projetos em shoppings e de empresas do setor atacadista

Rafael Tomaz
Diário do Comércio
Ubá foi apontada como uma das melhores cidades para se investir em shopping.

O município de Ubá, na Zona da Mata mineira, enxerga na atração de investimentos nos setores de comércio e serviços a oportunidade de diversificar a atividade econômica e incrementar a arrecadação. Entre os projetos em curso está a implantação de um shopping center, orçado em R$ 80 milhões, que está próximo de ser anunciado.

O prefeito de Ubá, Vadinho Baião, informa, sem revelar nomes, que dois grupos estão interessados em investir em um shopping na cidade e um deles está com o projeto pronto, dependendo apenas do terreno para anunciar o investimento. O mall, previsto para entrar em operação em 2016, terá aproximadamente 140 lojas. O empreendimento deve gerar entre 600 e 800 empregos.

O município pretende também se tornar um importante polo atacadista, posição que já ocupou há alguns anos. Em Ubá, estava sediado o Armarinho Santo Antônio, uma das maiores empresas do ramo do país, porém, as operações foram encerradas em 1994 e resultou em grande perda para receita da cidade.

Mas as perspectivas são positivas para os próximos anos. Entre os fatores está o aporte de R$ 7 milhões do grupo Bahamas em uma unidade de atacado e varejo no município. O empreendimento deve ser inaugurado entre dezembro deste ano e janeiro de 2015. Serão gerados cerca de 200 postos de trabalho. Conforme Baião, a empresa já está presente na cidade, porém, com o crescimento da demanda foi necessário fazer os aportes.

Além disso, segundo ele, outro grupo do ramo atacadista está avaliando investir em Ubá. Os detalhes do empreendimento não foram revelados. De acordo com o prefeito, não foram necessários incentivos fiscais por parte da administração municipal para atrair os novos investimentos.

 

Perfil - O perfil da cidade, que se tornou o polo de uma microrregião com 400 mil habitantes, e o crescimento populacional acelerado nos últimos anos são os principais atrativos. Além disso, Ubá foi apontada em pesquisa como uma das melhores cidades para se investir em shopping center em Minas, segundo o prefeito.

Além do comércio, o município pretende fomentar o turismo de negócios voltados para o setor moveleiro. Em Ubá está um dos maiores polos de móveis do país, com cerca de 300 empresas.

Baião explica que a prefeitura irá investir na divulgação do polo para atrair consumidores de todo o país para comprar móveis no município. Dessa forma, além do comércio, o fluxo deverá movimentar os hotéis e outros serviços da cidade.

A diversificação passará também pela formação de um polo educacional. A cidade vem recebendo investimentos importantes. Entre eles está uma unidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (Ifet), que deverá iniciar as atividades em 2015.

"Precisávamos muito, pois uma cidade com característica industrial, sede do maior polo moveleiro do Sudeste, ainda não tinha uma qualificação da mão de obra", afirma. Com a chegada da escola técnica federal vai haver qualificação de acordo com a vocação da região, segundo ele.

No âmbito do ensino superior, a cidade já conta com faculdades presenciais e a distância. Baião destaca que Ubá passa a contar também com um curso de medicina, que será ministrado pela Faculdade Governador Ozanam Coelho (Fagoc).

Meta é expandir a arrecadação municipal

A diversificação da economia de Ubá visa incrementar a receita municipal. O município, com 110 mil habitantes, possui as características e problemas de cidades de médio porte, mas arrecadação de cidade pequena, segundo o prefeito Vadinho Baião.

Conforme ele, em 2009 apenas 8% da receita total do município era proveniente de arrecadação própria, ou seja, a maior parte era do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Hoje, este índice é de 20% e a prefeitura pretende alcançar 25% até o fim da atual gestão.

Com o crescimento na arrecadação própria, a cidade pretende atingir neste exercício receita de R$ 160 milhões, ante R$ 140 milhões no ano passado, alta de 14,2% no período.

Apesar de admitir os impactos da perda de ritmo da economia brasileira sobre a cidade, Baião não concorda com a estimativa de mil demissões no polo moveleiro de Ubá, o que ele classificou como "terrorismo empresarial". "Até porque hoje os empresários já se conscientizaram que você não dispensa um funcionário por uma pequena crise", afirma.

O prefeito explica que é melhor manter um trabalhador durante alguns meses de crise, pois quando for verificada a retomada na demanda o empresário terá dificuldade em encontrar mão de obra qualificada.

Para o chefe do Executivo, a atual crise é diferente das demais, pois nas outras o desemprego chegava primeiro. "Nós sobrevivemos o pior momento de uma crise mundial e a tendência a partir de 2015 é de melhora", afirma.

O Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Mobiliário de Ubá (Intersind) estima queda de 15% no volume de negócios das empresas da região. Algumas fabricantes chegaram a fechar as portas por conta da retração no consumo.

 

 


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