18/09/2021 às 15h45min - Atualizada em 18/09/2021 às 15h45min

Arborização de vias públicas em Leopoldina está irregular e falta manutenção

A estética também não existe e a visão que se tem é de coisa malfeita ou abandonada, há alguns anos

Luiz Otávio Meneghite
Na rua Acácio Serpa as palmeiras plantadas no canteiro central limitado pelas paredes de tijolos acabaram sendo cortadas e outras retiradas inteiras. (Foto: Luciano Baía Meneghite - 18/09/2021)
Leopoldina ficou conhecida nacionalmente pela beleza dos oitizeiros plantados nas laterais da maioria de suas vias públicas.  Quando foram escolhidos para arborização da rua Barão de Cotegipe na primeira metade do século XX eles foram sendo podados ganhando o formato retangular e dali em diante foram sendo plantados em todas as ruas, proporcionando, além da beleza já mencionada, sombra para os transeuntes. Hoje, são milhares de oitizeiros plantados por toda a cidade, quase sempre nos passeios laterais de nossas ruas e avenidas e também em algumas praças.

Uma imagem negativa na entrada da cidade


De um lado predominam os oitizeiros e na outra lateral tentaram o plantio de palmeiras. Algumas pegaram e outras não  (Foto: Luciano Baía Meneghite - 18/09/2021)

Com o passar do tempo, em algumas vias tentaram introduzir o plantio de outras espécies como as palmeiras, também belas, mas talvez inadequadas em determinados locais. Dois exemplos chamam a atenção: no canteiro central da avenida Acácio Serpa e a partir do Pórtico de entrada da cidade na rua José Peres, onde de um lado predominam os oitizeiros e na outra lateral tentaram o plantio de palmeiras. Algumas pegaram e outras não. A crítica construtiva que fazemos é que não houve sequência na manutenção e as que não cresceram não foram substituídas e o resultado é uma visão de coisa malfeita. Se os oitizeiros já existiam na outra lateral antes do plantio das palmeiras, eles deveriam ter sido plantados ali, até por uma questão de estética.

As palmeiras da Acácio Serpa


Cortaram as palmeiras e não reconstruíram o canteiro central 
(Foto: Luciano Baía Meneghite - 18/09/2021)

Na Acácio Serpa, a situação merece uma crítica mais severa. Ali dividiram a via pública com um canteiro central e nele plantaram palmeiras imperiais que chegaram a ficar lindas, mas, infelizmente, tiveram que ser cortadas. Isto porque, segundo a Embrapa, quando adultas suas raízes se estendem em um raio de 2 metros e atingem uma profundidade de até 40 centímetros. As palmeiras não foram plantadas diretamente no solo e sim no canteiro central limitado pelas paredes de tijolos e sem espaço para sua expansão e, consequentemente, sem a metragem recomendada para o crescimento das raízes, que dão sustentação à arbórea.

O triste nisso tudo é que cortaram as palmeiras e não reconstruíram o canteiro central onde ele foi danificado e, em alguns pontos deixaram os tocos das árvores. Em um trecho plantaram uma outra espécie de palmeira e a avenida ficou metade plantada e metade abandonada. O que vocês acham?


Algumas palmeiras retiradas inteiras em 2015 poderiam ser replantadas em outro local, mas não se sabe o destino
(Arquivo- PML)

A proposta de tombamento dos oitizeiros

Em 2017, o vereador Valdilucio Malaquias, popularmente conhecido como ‘Didi da Elétrica, apresentou um Projeto de Resolução na Câmara Municipal de Leopoldina, propondo o tombamento dos oitizeiros, que não chegou a ter sua apreciação concluída e ele acabou sendo arquivado.

Em 2019, o nosso colaborador Giovani Nogueira Rodrigues publicou uma matéria no Jornal Leopoldinense tratando do tema. Segundo ele, pelo projeto de Didi da Elétrica, a espécie ficaria imune à corte, remoção, queima, poda abusiva e todo e qualquer dano que pudesse acarretar sua morte ou prejudicar seu estado fitossanitário.

Giovani observou em seu texto, que: “diariamente a cidade sofre um desmatamento silencioso e progressivo, comprometendo o meio ambiente, afetando a qualidade de vida, castigando o cidadão. Sem árvores, a cidade se torna mais quente, empoeirada e empobrecida visualmente. O que parece ser casos isolados, aos poucos vai se transformando em uma espécie de chacina ambiental. Árvore regula a temperatura do ambiente, retira o gás carbônico que nos envenena e libera o oxigênio que nos dá vida. Segundo especialistas, a diferença de temperatura entre ambientes arborizados e não arborizados varia de cinco a oito graus.  Propondo o tombamento dos oitizeiros como patrimônio cultural de Leopoldina, o objetivo era preservar e proteger, nos aspectos, botânico, ambiental e urbanístico estas árvores. Buscando a preservação e conservação dessas arbóreas que envolvem todo o município, harmonizando os vários elementos da arquitetura urbana com a bela e verde fotografia dos oitizeiros”, observou.


Oitizeiros, quando bem podados embelezam a cidade
(Foto: Luciano Baía Meneghite/Arquivo)

A espécie

O oitizeiro é usado na arborização urbana por sua copa frondosa, com ótima sombra. As folhas são muito apreciadas pela fauna em geral. Floresce de junho a agosto. Seus frutos, chamados de oitis, amadurecem entre janeiro e março, com amêndoas ricas em óleo. Um aspecto notável desta espécie é sua reconhecida resistência aos poluentes urbanos.

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