07/01/2022 às 20h09min - Atualizada em 07/01/2022 às 20h09min

Não culpem a natureza

Por Luciano Baía Meneghite/Imagens: Rodney Brandão
Enxurrada na rua Manoel Januário e alagamentos na rua Presidente Carlos Luz. Dois dos muitos pontos críticos durante chuvas. (Imagens de Rodney Brandão em janeiro de 2022)
Sempre depois de tempestades vêem as manchetes falando dos estragos e até tragédias causadas pelo grande volume de chuva ou velocidade dos ventos.

Desde que o mundo é mundo existem chuvas e ventos fortes. A natureza, porém, não é culpada pela infraestrutura precária de cidades como Leopoldina.

A natureza não constrói casas em áreas de risco, não faz obra sem técnica correta, não cava barrancos sem qualquer cuidado.

A chuva só alaga onde não há planejamento na ocupação do solo, não há bom escoamento em bueiros, córregos e rios entupidos por folhas, entulho ou por lixo.

O vento derruba árvores, mas não é culpado pelo plantio sem técnica de espécies frágeis e com espaçamento inadequado. Nem pela falta de poda ou poda incorreta.

Chuva faz barro, mas não é culpada por veículos atolarem em estradas rurais, por pontes podres destruídas, por desmatamento que causa erosão.

É sempre mais fácil culpar a natureza ou o acaso.

A natureza não se vinga.

Apenas responde pela forma como é tratada.

Pelo menos ela responde.

Texto publicado da edição n°394 do Leopoldinense de 19 de dezembro de 2019


 

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