No Brasil, e em outros países, o Dia dos Avós é comemorado em 26 de julho, data escolhida em homenagem ao dia de Santa Ana e São Joaquim, que, segundo a tradição da Igreja Católica seriam pais de Maria, portanto, avós de Jesus Cristo.
Com meus avós (paternos e maternos) aprendi que quase tudo se pode curar e resolver com deliciosas balinhas, bolos, vitamina de abacate e um carinho sincero. Se eu pudesse, gritaria os nomes dos meus avós e gravaria no universo para ouvir o eco, bem como em seus corações — sempre amei vocês!
E, quanto mais amadurecida eu ficava, mais incompreendia por que não se declarava o amor na época em que vocês eram vivos. Mas, para quê? O sentimento já estava implícito em nossos olhares. Talvez por isso. Cada ruga que eu via em seus rostos representava uma história que nunca me foi contada, pois eu ainda era criança; no entanto, sempre que posso, recorro a minhas tias queridas e lhes peço que abram seu cofre de saudades e me contem um pouco sobre seus pais.
O que posso atestar é que bebi a melhor e mais perfumada vitamina de abacate da vovó Conceição, deliciei-me com as balinhas mais deliciosas do mercado do vovô Beliza e comi o bolo mais apetitoso de Leopoldina, quiçá do mundo, feito pela vovó Lourdes, servidos pelas pessoas grandes da família que sempre tinham tempo para mim — primeira neta. O artista da família era o vovô Chico, avô paterno, entendido das artes com a madeira — os quatro avós, exemplo e orgulho para mim.
Sim, a III Festa do Imigrante Italiano em Leopoldina, na qual, inclusive, sendo homenageada a família Curcio, deixou-me bastante orgulhosa, assim como a todos os outros descendentes, em nome de quem agradeço. Meu avô Francisco da Silva Curcio foi um deles, vovô Chico. Viveu toda a sua vida trabalhando na região como carpinteiro, fazendo quase tudo e tudo o mais com madeira (engradamento para telhado, carro de boi, até uma chupeta de brinquedo como presente a uma de suas sobrinhas), deixando sua marca pela inteligência e a sensibilidade que detinha, em sua humildade e no amor para cuidar de si e da família que criou, juntamente com sua mulher, companheira da vida inteira, Conceição. Alguns tios, em sua maioria, ainda moram em Leopoldina. Visito-os de vez em quando.
Os que têm os avós por perto são abençoados, pois convivem com as pessoas que os amam, incondicionalmente e em dobro, sempre dispostas a cuidar, ensinar, mimar e proteger. Sempre!