25/10/2014 às 08h31min - Atualizada em 25/10/2014 às 08h31min

Dilma e Aécio debatem pela última vez antes da eleição

Denúncia de revista, corrupção e política econômica tucana e petista estiveram entre as questões

Jornal do Brasil

A candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) se enfrentaram na noite desta sexta-feira (24) no último debate antes da eleição presidencial. Além das questões destacadas pelos candidatos nos três debates anteriores, ganhou espaço logo no início do programa a edição da revista Veja desta sexta, com Lula e Dilma na capa. Realizado pela TV Globo, o primeiro e terceiro blocos tinham temas livres, e os outros dois perguntas elaboradas por eleitores indecisos, selecionados pelo Ibope. 

Pesquisa do Ibope divulgada nesta quinta-feira mostrou Dilma com 54% dos votos válidos e Aécio com 46%. Já a pesquisa Datafolha apontou a petista com 53% e o tucano com 47% . Neste sábado, estão previstas novas pesquisas dos dois institutos.

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"O Brasil que nós estamos construindo é o Brasil do amor, da esperança e da união. O Brasil da solidariedade. O Brasil das oportunidades. O Brasil que valoriza o trabalho e a energia empreendedora. O Brasil que quer crescer, que quer melhorar de vida e faz isso com muita autoestima. É um país que cresce e que faz todas as pessoas crescerem, mas com olhar especial para as mulheres, para os negros e para os jovens. É o Brasil da educação, da cultura, é o Brasil da inovação e da ciência. É um Brasil que quer crescer e garantir que todos, todos os brasileiros cresçam com ele", declarou a presidente. 

Aécio, por sua vez, destacou que chega ao final da campanha "de pé, honrado, pelo apoio, pelas manifestações de carinho e de confiança", e que não seria hoje mais um candidato de um partido político, mas o "candidato da mudança". "Eu não posso deixar de me lembrar que há 30 anos atrás, acompanhando o meu avô Tancredo, eu fiz esta mesma caminhada pelo Brasil. Ele infelizmente não teve o privilégio de assumir a presidência da República", disse o tucano, para depois pedir votos e dizer que já seria "um vitorioso", porque teria travado "o bom combate". 

Primeiro bloco

Ácio foi o sorteado para realizar a primeira pergunta, destacando que esta campanha se trataria da "mais sórdida das campanhas eleitorais", com "calúnia, infâmia e acusações irresponsáveis" contra ele, Marina e Eduardo Campos. Tratou de destacar, em seguida, as denúncias publicadas pela revista Veja nesta sexta-feira, o que também fez em seu último programa veiculado na TV e no rádio. A revista estampou na capa que Dilma e Lula saberiam dos desvios de recursos da Petrobras, o que foi criticado logo no início do dia por Dilma e pelo seu partido, por não apresentar provas concretas. 

"Candidato, é fato que o senhor tem feito uma campanha extremamente agressiva a mim e isso é reconhecido por todos os eleitores. Agora, essa revista que fez e faz sistemática oposição a mim faz uma calúnia, uma difamação do porte que ela fez hoje, e o senhor endossa a pergunta. Candidato, a Revista Veja não apresenta nenhuma prova do que faz. Eu manifesto aqui a minha inteira indignação." A presidente aproveitou para salientar que se trataria de uma tentativa de "golpe eleitoral", prática que, destacou, teria sido repetida pela mesma publicação nas eleições de 2002, 2006, 2010 e agora em 2014. "O povo não é bobo candidato, sabe que está sendo manipulada essa informação", disse a presidente, reafirmando que vai à Justiça para se defender.

Aécio, em sua réplica, disse que estava apenas dando a Dilma a "oportunidade de apresentar sua defesa", e destacou que a delação premiada só traz ao réu o benefício se ele apresentar provas, o que "nós temos que aguardar que isso ocorra". Para salientar que não haveria um "complô"contra a presidente, destacou outra denúncia publicada também hoje pela revista Isto É, que falaria da "campanha da mentira, da campanha da infâmia". Dilma ressaltou, sobre as duas revistas citadas pelo tucano, "que nós sabemos para quem fazem campanha".

"E acredito que a partir de segunda-feira vai desaparecer essa acusação. Agora, eu não vou deixar que ela desapareça. Eu vou investigar os corruptos e os corruptores e os motivos pelos quais isso chegou a esse ponto", prometeu a candidata.

Em sua vez de perguntar, Dilma destacou o posicionamento do economista apontado por Aécio como seu ministro da Fazenda, caso fosse eleito, de "que o salário mínimo está alto demais", depois de destacar que o governo petista criou empregos e aumentou a renda. Em resposta, o tucano declarou, sobre Armínio Fraga, presente na plateia: " Candidata, não é justo colocar palavra nas bocas de quem não está aqui para respondê-la, eu tenho orgulho enorme do meu candidato a ministro da fazenda".

"Temos uma taxa de investimento hoje de 16,5% do PIB, a pior da década, porque o seu governo afugentou os investimentos e a inflação infelizmente está de volta. A situação do Brasil é extremamente grave, candidata, e é preciso que seu governo reconheça isso, porque os mercados, outros países, os brasileiros, já reconhecem. (...) Lamentavelmente, candidata, este é o retrato do Brasil real. Não é o retrato do Brasil da propaganda do seu marketeiro, mas nós vamos mal na saúde ou a senhora acha bem. Vamos mal na educação. A senhora será a primeira Presidente da República pós-Plano Real que deixará o país com uma inflação maior do que aquela que recebeu", disse Aécio.

Dilma indicou que a inflação deixada pelo ex-presidente Fernando Henrique teria sido maior que a conquistada com o Plano Real do governo de Itamar Franco, que o governo petista aumentou o salário mínimo em 71%, em termos reais. "Além disso, candidato, saúde, quem não gastou o mínimo constitucional foi o senhor quando era governador,que ficou devendo oito bilhões". 

Aécio, em seu momento de perguntar à candidata Dilma, citou o financiamento da construção de um porto em Cuba, de R$ 2 bilhões do "dinheiro brasileiro", após ressaltar os problemas de infraestrutura do Brasil. "O que é mais grave, este financiamento vem com carimbo de secreto, ele não é acessível a população brasileira. O que o  seu governo tem a esconder, candidata, em relação ao financiamento do porto de Mariel em Cuba?"

"O meu governo, nada, agora acredito que o seu tem muito que esconder quando se trata dos gastos com publicidade, não claramente veiculados no que se refere aos jornais e a televisão da sua família", respondeu a presidente, alegando que é importante olhar para a questão do porto com "muita cautela". "Nós financiamos uma empresa brasileira, que gerou empregos no Brasil. Tanto que gerou emprego que foram quase, dos 800 milhões contratados, nós conseguimos gerar 456 mil empregos", alegou, lembrando ainda que o governo Fernando Henrique também financiou empresas brasileiras a exportar e a colocar produtos tanto na Venezuela quanto em Cuba. 

Áécio voltou à questão de Cuba, dizendo que teria recebido um documento do "Ministério do Desenvolvimento Econômico" hoje, que deve ser enviado à Procuradoria Geral da República, que indicaria que o financiamento para Cuba teve um prazo de pagamento de 25 anos. "É justo com o dinheiro brasileiro fazer favores a um país amigo que não respeita sequer a democracia, candidata", atacou o tucano.

Dilma, na tréplica, tratou de esclarecer que não existe Ministério do Desenvolvimento Econômico, mas, sim, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. "O que eu quero te dizer, eu quero te dizer que você pondere. O governo Fernando Henrique fez o mesmo empréstimo. Nós também fizemos. Mas beneficiamos quem, candidato? Empregos brasileiros, brasileiros que são empregados. Eu queria também que o senhor tivesse tanto zelo pela liberdade de informação no caso das empresas que o senhor tem em Minas."

Quando Dilma citou a importância do Minha Casa Minha Vida, programa que estaria recebendo críticas de Aécio Neves, este aproveitou para informar que pessoas que estão na lista para serem beneficiadas pelo programa estariam recebendo mensagens dizendo que quem votasse no PSDB sairia do cadastro, dizendo ainda que manteria o programa caso fosse eleito. "Ninguém pode, candidata, querer se apropriar de programas como se fossem apenas seus, esses programas são da sociedade brasileira, eles são pagos com o dinheiro do trabalhador brasileiro e nós vamos subsidiar sim programas sociais como esses que têm alcance na vida real, que mudam a vida das pessoas, o que nós não vamos fazer no nosso governo é o Bolsa Empresário, que ajuda apenas a um grupo muito restrito de brasileiros em detrimento da grande maioria."

De acordo com Dilma, no entanto, o candidato não entenderia bem o programa, já que o foco deste é  quem ganha uma renda de até R$ 1.600, mas ele abrange também quem ganha até R$ 5 mil. "Candidato, vocês falaram o tempo inteiro que os bancos públicos iam ser redefinidos, agora o senhor vem aqui e quer que as pessoas acreditem que vocês vão manter o subsídio? Eu não acredito nisso, candidato, eu não acredito nisso, porque vocês sistematicamente ao longo de todo o governo Fernando Henrique foram contra o subsídio. E para a pessoa que está nos assistindo ter uma ideia e para os indecisos aqui presentes terem uma ideia, caso fosse a preço de mercado, a prestação seria R$ 940, dentro do Minha Casa Minha Vida o máximo é R$ 80."

Aécio, na tréplica, prometeu que bancos públicos seriam fortalecidos em seu eventual governo, e não aparelhados, citando que enquanto em 2003 o Banco do Brasil tinha 13 diretorias entre presidência, vice presidência, e diretorias, agora tem 37, e que um terço delas seria ocupado por afiliados do PT. O candidato, então, voltou a reforçar a questão da inflação que, para ele, teria estourado o teto da meta

Dilma lembrou então que o governo tucano teria quebrado o Banco do Brasil e o BNDES, e que a inflação tem se mantido dentro dos limites da meta. "Quem não mantinha era o governo Fernando Henrique", disse. "Vocês querem botar na conta do Lula que em 2002, era por causa do Lula que a inflação foi para 12,5%. Não senhor!  Em 2001, ela estava já em 7,7%. Vocês chegaram a obra-prima, candidato, de aumentar imposto e deixar uma dívida pública muito maior do que a que vocês receberam." 

Aécio tratou de se referir à explicação de Dilma como "confusa", afirmou que quem controlou a inflação foi o Plano Real e não o PT, e que o governo atual teria dívidas com a Caixa Econômica Federal e o com o Banco do Brasil "O seu governo descontrolou a economia do país", atacou o tucano, fazendo Dilma ressaltar que foram os tucanos que quebraram os bancos públicos, e aproveitar para declarar que não acredita que um eventual governo de Aécio Neves investiria em política social, já que isto não foi visto na prática em governos do PSDB, e que o que foi visto foi desemprego e baixos salários. 

"Quando vocês enfrentavam a crise, vocês jogaram a crise nas costas de quem? O povo lembra, candidato. Jogaram a crise nas costas do povo brasileiro. Como? Desemprego e baixos salários. Mais claro do que isso, candidato, é impossível. Nós não, nós mantivemos o emprego e aumentamos o salário", disse a candidata do PT.

Na última pergunta do primeiro bloco, Dilma salientou que o governo tucano teria feito uma lei, proibindo que o Governo Federal fizesse e mantivesse escolas técnicas. Aécio, então, voltou a destacar, como nos debates anteriores, que o Pronatec teria se inspirado em programas implementados por governos do PSDB e que, inclusive, a Pepe de Minas Gerais teria servido de inspiração.

"Falta fiscalização, essa última semana as denúncias em relação ao Pronatec são graves, candidata. Em relação às estatísticas. Porque vocês contabilizam o aluno quando ele entra e se ele ficou ali uma semana ou duas semanas e depois saiu ele continua fazendo parte da estatística. Aliás, o seu governo é o governo das estatísticas, desde que elas lhes sejam favoráveis, candidata. Nós vamos aprimorar esses programas, aumentando a carga horária, mais de 70% desses cursos têm uma carga horária de cerca de 160 horas", disse Aécio.

Sem mencionar a questão das estatísticas e afirmando que os programas tucanos seriam apenas pilotos, Dilma lembrou que, enquanto o governo de Fernando Henrique construiu apenas 11 escolas, o seu fez 208 e o de Lula, 214. "O meu número é só 1.600% maior que o que vocês fizeram em oito anos. (...) Candidato, vocês jamais tiveram um programa dessa dimensão."

Depois de Bonner anunciar o intervalo e depois se lembrar que Aécio ainda tinha direito à tréplica, o candidato do PSDB disse que mais importante que ressaltar números seria falar do essencial, educação, alegando que o governo atual não fez nada para que a qualidade da educação pública avançasse, e indicando uma "posição vergonhosa"do Brasil em rankings mundiais, alegando que ele teria levado Minas "a ter a melhor educação fundamental do Brasil".

Segundo bloco

Na segunda parte do programa os candidatos tiveram que responder às perguntas de eleitores indecisos selecionados pelo Ibope. De acordo com o mediador do debate, os indecisos escreveram perguntas sobre 14 temas de interesse geral, e as questões "mais representativas "foram selecionadas, para que oito delas fossem sorteadas. O primeiro a perguntar foi um eleitor de São Paulo, um florista de 43 anos, a candidata do PT. 

"Qual será a sua política para quem mora de aluguel? Pois está cada vez mais difícil e muito mais caro alugar uma casa, os preços estão muito inflação da inflação. Moro há quinze anos e meu aluguel triplicou nos últimos quatro anos", questionou o eleitor para Dilma responder, Aécio fazer uma réplica e a candidata a tréplica.

Dilma comentou sobre O Minha Casa Minha Vida, que contempla quem quer ter e comprar um imóvel, com vários níveis de subsídio que não comprometem muito da renda, e garante vantagens como o seguro e um fundo garantidor. Prometeu ainda que, caso seja reeleita, fará mais 3 milhões de casas do Minha Casa Minha Vida, e reajustar as faixas de renda, em um movimento de ampliação. "Eu tenho certeza que você vai poder ser uma das pessoas contempladas, caso você seja sorteado, porque é um processo bastante democrático. Para impedir que haja uso político e manipulação,"

Aécio aproveitou, contudo, para ressaltar o "drama que milhões de brasileiros vivem" para pagar aluguel e ter a casa própria, indicando que a propaganda oficial estaria mentindo quando diz que foram entregues 3,5 milhões de habitações. Para Aécio, apenas metade foi entregue. Dilma explicou na tréplica 1,8 milhão de casas foram entregues, e 1,8 milhão de casas estão em construção.

Uma eleitora indecisa de Belém (PA) perguntou a Aécio sobre educação, ressaltando que, desde que se entende por gente, escuta os candidatos dizerem que vão transformar a educação e que vão valorizar o trabalho dos professores. Aécio disse que "se nós não enfrentarmos com coragem, não com promessas, mas com coragem a questão da baixíssima qualidade da educação no Brasil nós não vamos a lugar algum." Aproveitou para prometer que as creches que tiverem recurso público ficariam abertas até às 20h em seu governo, que os currículos do ensino médio seriam flexibilizados e a qualificação e remuneração dos professores, apoiadas. "Nós vamos revolucionar a educação no Brasil", prometeu. 

Dilma destacou seu compromisso com creche e pré-escola e as duas mil creches entregues e quatro mil que estão sendo construídas. "Se eu for eleita, eu vou construir mais tantas creches quantos forem necessárias, primeiro, para a gente universalizar de quatro a cinco anos a pré-escola e ampliar o número de crianças de zero a três (anos). Agora eu queria te dizer uma coisa, nós aprovamos uma lei no congresso, que dá 75% dos royalties e 50% do fundo social do pré-sal para a educação, para quê? Para pagar melhor o professor. É a condição para esse país ter educação de qualidade", destacou a presidente.

Aécio, então, afirmou que as 6 mil creches prometidas não foram construídas e criticou o fato de o PT não ter apresentado programa de governo.

Uma outra indecisa perguntou à Dilma sobre corrupção dizendo que a lei é muito branda para punir os corruptos. "Nós vamos ter um conjunto de medidas para que haja a punição daquele que foi o corrupto e o corruptor", alegou Dilma, que disse que propôs cinco grandes medidas de combate a impunidade: criminalizar o caixa, criminalizar o funcionário público corrupto, retirar bens de pessoas condenadas em atos de corrupção, agilizar o julgamento de crimes do colarinho branco, e criar um conjunto de leis que penalizem os corruptos. 

Aécio voltou a destacar que os brasileiros não "aguentam mais" novos casos de corrupção que não seriam punidos. Para Aécio, o PT não teria se preocupado com o "combate efetivo da corrupção" e a maior medida contra a corrupção, portanto, seria tirar o PT do poder. Dilma, em sua vez, destacou a prática do que o PSDB de "engavetar" denúncias. "Eu nunca compactuei com corrupção", alegou a petista.

Outra indecisa perguntou a Aécio o que fazer em relação as aposentadorias com o aumento do número de idosos. Aécio respondeu que iria rever o fator previdenciário, e propôs incluir cesta de medicamentos no valor das aposentadorias. Dilma afirmou que o fator previdenciário foi criado, justamente, pelo governo do PSDB, e defendeu uma conversa aberta com sindicatos para se chegar a um acordo. O tucano, então, alegou que o fator foi criado em um "momento de aguda crise" e que Lula teria impedido que ele fosse derrubado.

Terceiro bloco

Quando os candidatos voltaram a responder a perguntas entre si, Aécio iniciou novamente a rodada de questões, e falou de atrasos em repasses federais para a assistência social. Dilma respondeu então que não tem dúvida que o governo não atrasa programas sociais. "Nunca atrasou nem contingenciou", disse. O tucano insistiu que os repasses do Fundo Nacional de Assistência estão atrasados e que isto não aconteceria caso fosse presidente, e ainda que priorizaria o repasse de verba para as Apaes. Dilma destacou que R$ 5,9 milhões foram destinados às Apaes em seu governo, e destacou o programa Viver sem Limites, lançado pelo seu governo, que é o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Em sua vez de perguntar, Dilma salientou o problema com a falta de água em São Paulo, falando sobre a importância do planejamento e questionou se teria ocorrido algum erro. Aécio respondeu que o erro veio do governo federal e que o governo tucano em São Paulo teria procurado fazer o que estava ao seu alcance, já que não teria recebido o apoio da Agência Nacional de Águas. A petista alegou que a água é responsabilidade dos estados e que a União deve ser apenas parceira. 

Aécio também questionou a petista sobre a reforma política e voltou a afirmar que defende o fim da reeleição, salientando que 15 dos 39 ministros de Dilma estariam trabalhando na campanha. A petista, em sua vez, voltou a se comprometer com o fim do financiamento empresarial nas campanhas, igualdade entre homens e mulheres nas eleições e fim das coligações, e destacou que Aécio não teria interesse na reforma política.

Para Aécio, contudo, o PT não teria "autoridade" para falar em fim de financiamento de empresas, já que teria recebido R$ 80 milhões delas nesta campanha. Dilma não deixou, contudo, de criticar o financiamento empresarial. "O financiamento empresarial coloca dentro das campanhas o fator econômico."

A petista informou que o financiamento para a agricultura passou de R$ 30 bi para R$ 180 bilhões com o governo petista, e questionou Aécio sobre o setor. O tucano, porém, se limitou a dizer que o PSDB teria feito o maior programa de distribuição de renda, o Plano Real, e reforçou seu compromisso com o agronegócio. A petista disse que o PSDB "deixou a agricultura a pão e água", com financiamento a juros elevados e ausência de política de seguro e de assistência técnica aos agricultores. Aécio alegou que o PSDB criou o Pronaf e citou uma "guerra ao custo Brasil".

Aécio voltou a tocar na questão do mensalão no governo petista, fazendo Dilma destacar novamente que o mensalão tucano nem teve condenados, pois engavetava todos os processos. Quando Dilma destacou que "acreditou na gestão" de Aécio até ele transformar Minas no terceiro estado mais endividado do paí, o tucano voltou a destacar, como em debates anteriores, que a candidata "ofende a realidade de Minas Gerais".

Quarto bloco

Quando as perguntas voltaram para os eleitores indecisos, a primeiro voltou a ser direcionada a Dilma, quando uma eleitora comentou que há esgoto a céu aberto perto de sua casa. A candidata à reeleição explicou que faz parceiras com estados e municípios, em um investimento de R$ 76 bilhões, e prometeu "absoluta prioridade" com a questão, já que o avanço conquistado nos últimos quatro anos não foi suficiente. 

Quando Aécio disse para a eleitora indecisa que pretende desonerar as empresas de saneamento do PIS/Cofins, Dilma informou que o candidato tucano não poderia fazer, pois não é atribuição da União, que não se pode interferir, pois se configura um crime.

Um outro eleitor indeciso comentou que sua família foi forçada a sair de sua casa por causa do tráfico de drogas e da falta de segurança. Aécio voltou criticar a atuação nas fronteiras do país, que estariam desguarnecidas, e prometeu uma posição diferente com os países produtores de drogas, além de uma reforma no código penal para acabar com a impunidade. Dilma destacou um programa de maior fiscalização de fronteiras e a ajuda do governo a áreas como a Favela da Maré.

Uma outra eleitora questionou em seguida o que poderia ser feito para impedir que jovens entrem para o tráfico. Dilma cita investimento de R$ 17 bilhões no combate ao crime organizado e tráfico de armas, o Centro de Comando e Controle criado para a Copa, e disse que mudaria a Constituição para que o governo federal assuma responsabilidades na segurança. Aécio, por sua vez, destacou a importância de um mutirão de resgate e e propôs bolsa e poupança aos jovens que optam por ficar ou voltar à escola.

Questionado sobre a oferta de empregos para adultos mais velhos, Aécio salientou os problemas na indústria nacional e a confiança baixa dos empresário, que estaria impedindo a criação de empregos. Dilma salientou a carência de trabalhadores qualificados, e a importância de cursos de qualificação como os do Senai.


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