Em mais de uma oportunidade escrevi no Jornal Leopoldinense que o verdadeiro patrão é o povo que paga os impostos, que dá origem às obras e aos salários do servidor público. Entendo como servidor todo aquele que recebe dos cofres públicos sejam concursados ou ocupando cargos comissionados ou de confiança no Executivo ou no Legislativo. Inclua-se neste meio os prestadores de serviços terceirizados por prazo pré-determinado. Todos, sem exceção, usufruem dos impostos que sustentam a máquina pública, ainda que só para alimentar seu ego.
Durante 33,5 anos trabalhei como servidor público municipal em Leopoldina, a partir de 24 de julho de 1968.
Convivi com vários prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e servidores públicos. Em toda a minha trajetória procurei tirar proveito dos ensinamentos proporcionados pelos momentos de adversidade. E não foram poucos. Isso porque observei, que alguns entravam para o serviço público e passavam a se considerar ‘donos do pedaço’, principalmente políticos e afilhados. Claro, esses sempre foram minoria, senão seria um desastre total.
Aprendi também que filho feio não tem pai e que criança bonita tem muitos pais. E ai surgem repetidamente as palavras utilizadas por alguns poucos dizendo que o seu feito foi fantástico, extraordinário. Na verdade, todos tem algo a reclamar quanto às carências em sua rua, em seu bairro e principalmente a falta de oferta de emprego no município.
Acho imperdoável o maior empenho para embelezarem a cidade nos locais mais visíveis e assistir aumentar dia a dia o número de pedintes, viciados em drogas, moradores de rua, pessoas desempregadas sem oportunidade de ganhar o próprio sustento e de suas famílias, além das dificuldades para conquistar um tratamento digno na saúde.
Não falo só do presente, pois há muito tempo isso acontece em Leopoldina. São políticos assumindo a paternidade da criança bonita e desprezando o filho feio fazendo que com isso prevaleça a máxima que diz que ‘criança bonita tem muitos pais e filho feio não tem pai’.
Se consultarmos o ‘Pai dos Burros’ vamos encontrar como sinônimos palavras presentes nos discursos de alguns políticos: admirável, esplêndido, excepcional, extraordinário, fabuloso, fenomenal, formidável, impressionante, incomum, incrível, invulgar, maravilhoso, notável, prodigioso, raro, sensacional, singular, surpreendente e único, para citar apenas alguns.
Mas, não basta lamentar. Temos que ir às urnas em 6 e outubro e fazer uma escolha consciente da qual não nos arrependamos mais tarde.