Turismo sem atrativos não existe

Por Eduardo Fajardo Soares (*) -
5 Min

Turismo sem atrativos não existe
Eduardo Fajardo Soares

Na ótima postagem, em Instagran, do Bom dia Leopoldina  somos informados que "Leopoldina busca gerar emprego e renda com turismo". Qual turismo?, nos obrigamos a perguntar. Primeiro e antes de mais nada se consultarmos o nosso Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico, IEPHA/MG, www.iepha.gov.br , do Estado com mais bens tombados e/ou registrados  da União, para vermos o que de patrimônio material, imaterial, artístico e natural Leopoldina tem protegido para favorecer o turismo veremos que é vergonhoso o seu desempenho principalmente considerando seus vizinhos .

Nem vamos comparar com a mais vizinha de todas as cidades, Cataguases, pois  a diferença é abissal, mas com cidades menores e menos expressivas economicamente, como Laranjal e Mar de Espanha com o dobro de pontuações de Leopoldina junto ao ICMS/Cultural que ajuda com recursos a proteção desses patrimônios.  Leopoldina só tem quatro bens materiais tombados registrados, três municipais( Casa do Augusto dos Anjos, Estação Ferroviária do distrito de São Martinho, Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e um estadual,(Escola Estadual Professor Botelho Reis) e, por exemplo, Cataguazes tem trinta e cinco, sendo vinte tombamentos municipais (as estações ferroviárias da cidade e dos distritos de Glória e Sereno, o Paço Municipal, a ponte metálica da cidade e de estradas municipais, etc.)quatorze federal( o conjunto de construções modernistas e a praça Santa Rita).

Embora registrados, os tombamentos municipais dos prédios do Paço Municipal, das Estações Ferroviárias dos distritos  de Providência, Ribeiro Junqueira e de Vista Alegre estão inconclusas e paralisadas  há vinte ou mais anos. A Estação de Vista Alegre e o  prédio do antigo FORUM  nem é mencionado, tampouco o Cine Alencar, uma joia do século .XIX , sequer a "jóia da coroa", Piacatuba, Núcleo Histórico(NH) :Rua das Pedras, Casarões, Torre da Cruz Queimada, etc., muito menos a pérola  dessa joia, a sua  Igreja Nossa Senhora da Piedade, como Bens Imóveis(BI)  ou a antiga Estação de Força e Luz (BI) .

Com relação ao s registros do patrimônio imaterial (RI)  há registros federais de Roda de Capoeira e/ou Ofício de Mestre de Capoeira e Matrizes tradicionais de Forró; estaduais de Folia de Minas e Viola de Minas e municipal o Clube Cotubas. Não há nenhum registro de proteção imaterial (RI)  nem mesmo municipal da , provavelmente,  mais autêntica celebração  religiosa da região, como Registro Imaterial-Celebrações (RI*CEL) da Procissão da Cruz Queimada , do tombamento da própria cruz, Bens Móveis(BM) ,sequer da Torre que a abriga, bens Imóveis(BI) . Ou seja, excetuando do Clube, pegou carona nos demais Registros anotados embora Leopoldina seja um dos polos principais da região da Folia de Reis, seguramente com os mais incríveis Palhaços que se conhece. Há vinte anos o Plano Diretor (aliás como anda a sua revisão?) já chamava atenção para todos esses ricos patrimônios, inclusive que existia inventários de vários prédios dos quais vários foram demolidos e substituídos por pastiches dos mesmos, o mais chocante o casarão onde o Imperador D. Pedro II se hospedou quando da sua visita à cidade. 

Sobre registros de Conjunto Paisagístico e Natural (CP) também inexiste, embora já naquela época o Plano Diretor aliás como está a já atrasada revisão dele) sugerisse  vários, como a cachoeira Poeira D'Água,  o entorno da antiga Estação de Força e Luz, o Horto Florestal, o Morro do Cruzeiro, etc. Um Museu Histórico nem pensar em ter.

Na postagem também é mencionado explorar turisticamente o potencial e tradição da produção de doces da cidade e em particular do Distrito de Tebas, indicativo também contido no Plano diretor de 2006 com sugestão de um grande festival de doces e cultural, nos moldes do Festi-Viola e Gastronômico de Piacatuba. 

Leopoldina sequer tem um folder/folheto ,indicando os patrimônios turísticos. Enquanto isso Muriaé, que fez seu Plano Diretor junto e na mesma época, 2006,onde constatou que apesar de grande numero de visitantes  para compras de vestuários atraídos pelo polo de confecções  da cidade por esta ter aspecto feio, descuidada, sem maiores atrativos, preferiam descansar e passar a noite na vizinha e bucólica cidade de Raposos,  passaram a valorizar seu patrimônio histórico e cultural, valorizar seu respectivo Conselho,  COMPAC, e produziram folhetos de divulgação e educação patrimonial. E a quantas anda o Conselho do Patrimônio Cultural de Leopoldina. Existe? Está ativo e representativo? Que turismo, voltamos a perguntar? Turismo sem atrativos é falácia.                 

(*) Eduardo Fajardo Soares, arquiteto e urbanista, Mestre em Patrimônio Cultural,  Conselheiro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Minas Gerais


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