Qual presente você daria para Leopoldina?

Por Luiz Otávio Meneghite-
12 Min

Qual presente você daria para Leopoldina?
Fotomontagem Luc Luciano

Leopoldina completa 171 anos de emancipação político-administrativa neste 27 de abril de 2025. Sua localização geográfica facilita a chegada de visitantes que para aqui vem em visita a amigos, parentes e para participar de eventos de várias naturezas, que são promovidos tanto pelo Poder Público quanto por entidades representativas da economia local.

Como a maioria das cidades de Minas, Leopoldina é acolhedora. Quem aqui aporta lamenta quando tem que partir e já planeja o retorno para uma nova visita. Mas, os que aqui ficam pensam que Leopoldina poderia ser melhor.

O jornal Leopoldinense, que tem como lema ser “A Consciência Crítica da Cidade”, pediu a várias pessoas que falassem sobre qual presente elas dariam para Leopoldina.

Vejam as respostas:

 

Amaury da Silva Santos

Membro do Movimento Negro Leopoldinense e Coordenador do Projeto Pérola Negra

QUE PRESENTE EU DARIA A LEOPOLDINA EM SEU ANIVERSÁRIO?

Parece fácil responder, mas embora eu tenha inúmeros presentes que gostaria de presentear a minha cidade, essa pergunta exige uma maior reflexão.

São várias respostas, mas todas têm em comum, o amor que eu, como morador tenho pela minha cidade. Haja vista, eu entender que cuidar da cidade deveria ser um presente inteiro, por se tratar de expor sentimentos que as vezes não são bem compreendido por muitos, mas vejo por um velho ditado…quem ama cuida.

E se tratando de uma cidade, esse cuidado não pode privilegiar grupos ou uma classe específica, tem de se cuidar de todos e todas, independente de questões políticas, religiosas ou classes sociais.

Diante disso, se tivesse condições de presentear a minha pequena Leopoldina, eu a daria como presente: Um olhar prático para o gestor em direcionar políticas públicas eficazes para juventude criando, oportunidades reais de primeiro emprego para esse pessoal que tem quebrado a cabeça nessas buscas que aparentemente não existem, e quando criam algo, não chegam ao alcance de todos, principalmente daqueles jovens que estão na periferia.

Creio que o maior presente a dar a Leopoldina hoje, é geração de oportunidades reais de trabalho, e não fictícias para sua população. Tem muitas famílias passando falta do que comer em sua casa, pois os seus provedores encontram-se desempregados, sem perspectivas e esperança de que a cidade possa mudar a sua realidade através de políticas públicas bem direcionadas que possam inclinar seu olhar para essas famílias periféricas, dando a elas as mesmas oportunidades ofertadas a aquelas famílias residentes da área central e mais privilegiadas de nossa cidade.

 

Ana Cristina Miranda Fajardo Fajardo

Membro da ALLA (Academia Leopoldinense de Letras e Artes)

Mestra em Língua Portuguesa pela UFJF

Perguntada sobre qual presente eu daria a Leopoldina, refleti bastante antes de escolhê-lo, pois nossa cidade ainda carece de muitos. Mas o maior deles, na minha opinião, relaciona-se à área cultural, pois Leopoldina não carrega consigo a tradição de valorização da cultura.

Muito vem sendo feito, como concursos, saraus, lançamentos de livros, exposições, festivais, apresentações teatrais e musicais etc. Muito ainda há por fazer. Quem faz parte de qualquer organização que visa à difusão da cultura, sabe o quanto é custoso ter acesso a recursos materiais para subsidiar um evento. É necessário bater em inúmeras portas para apenas algumas se abrirem.

Outro fator que atrapalha a evolução cultural de nossa cidade é a ausência de tradição nesse setor. Por vezes, apesar do esforço conjunto para se realizar um evento cultural, os espaços não são totalmente ocupados, sem contar que estes são bem escassos.

Sendo assim, eu presentearia Leopoldina com um calendário de eventos culturais apoiado conjuntamente pelos setores público e privado. As ações relativas a esse calendário poderiam ser realizadas tanto por pessoas quanto instituições, desde que sejam capacitadas para a orientação e o desenvolvimento de todas as etapas de “materialização” das atividades. Além disso, outra questão muito importante a se destacar é o envolvimento da comunidade escolar nas atividades culturais, pois aí é que teremos a formação de um público para o futuro.

(Distingo, nesse meu texto, eventos culturais de eventos de entretenimento)

 

Edson Gomes Santos  

 Colunista do Leopoldinense

Qual presente você daria a Leopoldina?... foi a pergunta que o jornal Leopoldinense fez a mim, em virtude do 171º aniversário da nossa Leopoldina. 

Honrado com tal convite, parei, pensei, retroagi no tempo, rememorei o passado da cidade, sua representatividade regional e nacional, sua economia, sua cultura,  enfim sua trajetória nesses 171 anos, desde que era nominada Feijão Cru.

Então, numa só palavra e abrangendo aspectos econômicos, sociais, culturais, empresariais e demais vertentes que contribuíram para engrandecimento da cidade durante todos estes anos...e continuar tal trajetória, eu a presentearia com  PROGRESSO!!!

 

Eduardo de Araujo Rodrigues

Professor de Ensino Médio na rede pública e analista ambiental do Instituto Mineiro de Gestão das Águas, o IGAM, onde atua em Comitês de Bacias Hidrográficas, sendo atual coordenador do Grupo de Trabalho de Educação Ambiental, Mobilização e Comunicação (GTEAMC) do CEIVAP. 

No Censo de 2010, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) declarou que o município de Leopoldina possuía 86,8% de esgotamento sanitário adequado, estando na posição de 118º município para este indicador entre os 853 municípios mineiros. Os critérios da pesquisa precisam ser melhor detalhados para esclarecermos, por exemplo, que em 2022 tínhamos 12,17 óbitos por mil nascidos vivos e 48,9 internações por 100 mil habitantes no SUS por diarreia, o que fez Leopoldina figurar em 95º lugar neste ranking da saúde no estado, segundo o mesmo IBGE. Estas mortes e internações estão diretamente relacionadas com o saneamento básico.

Considerando que praticamente 90% da população reside em área urbana no município, onde os efeitos do saneamento básico resultam em indicadores de saúde e de meio ambiente que deveriam nos perturbar, o esgotamento sanitário com tratamento adequado dos efluentes para 100% da população é um presente que a cidade merece no seu 171º ano de emancipação política, comemorado no dia 27 de abril de 2025.

Um presente assim nos faria saltar a frente na 621º posição entre os 5.571 municípios brasileiros e reduzir a mortalidade infantil e as internações por doenças diarreicas, mas também poderia melhorar a qualidade das águas dos nossos córregos, que poderiam ter as margens convertidas em parques lineares com jardins contornando suas águas límpidas. Desta forma, poderíamos ainda atender ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 6 da Organização das Nações Unidas (ONU): Água Potável e Saneamento. Quem sabe até conseguimos o certificado de "Blue Community", ou Cidade Azul, concedida pelo Council of Canadians (Conselho Canadense) para as cidades que protegem os seus recursos hídricos.

Parabéns a nossa querida Leopoldina e que no seu 172º aniversário já possamos comemorar o início do tratamento de esgotos, alcançando melhores posições em Minas e no Brasil neste indicador ambiental. A prefeitura tem avançado na implementação do Sistema de Esgotamento Sanitário e cada munícipe deve apoiar e acompanhar esta iniciativa para que alcancemos os benefícios que serão compartilhados por todos. Vamos cuidar das nossas águas!

Feliz Aniversário, amada Leopoldina!

 

Helenice Fonseca

Colunista do Leopoldinense

No próximo dia 27, o município de Leopoldina completará 171 anos de sua emancipação política. De 1831, quando foi criado o Distrito de São Sebastiao do Feijão Cru, pertencente ao município de Manuel do Pomba (atualmente Rio Pomba), passando em 1851 a pertencer ao município de Mar de Espanha, e finalmente emancipado a Município em 27 de abril de 1854 com o nome de Vila Leopoldina/MG.

Pois bem, estamos na semana que se comemora o aniversario da cidade e, como leopoldinense nata, eu a parabenizo com os mais sinceros desejos de prosperidade, bem estar, segurança, qualidade de vida, serviços públicos de boa qualidade, enfim, tudo isto com respeito às pessoas e ao meio ambiente.

Leopoldina merece muitos presentes e o que me ocorre agora como sugestão é a desapropriação do Cine Theatro Alencar que segundo consta de alguns arquivos históricos, foi erguido em 1927:

Segundo memórias familiares, o prédio da rua Cotegipe teria sido construído pelo imigrante espanhol Salvador Rodrigues Y Rodriguez por volta de 1927 e as poltronas teriam sido obra do irmão de Salvador, Raphael Rodrigues Y Rodriguez” – Nilza Cantoni (https://cantoni.pro.br/2010/10/04/teatro-em-leopoldina/)

Preservar o patrimônio arquitetônico, cultural e histórico e oportunizar que o Cine Theatro Alencar volte a ser palco de atividades artísticas seria um presente incrível para o nosso município. Ter de volta o Cine Alencar para apresentação de peças teatrais, musicais, cinematográficas, etc... e resgatar o gosto pelas artes entre os munícipes certamente contribuiria muito para a formação cultural do nosso povo. Merecemos este presente de aniversário!!!

Salve a Arte e a Cultura!

Salve Cine Alencar!

“A Arte existe porque a vida não basta" (Ferreira Gullar)

 

Heloísa Paixão

Professora aposentada / Formada pela Faculdade Senador Fláquer

Como disse nosso Poeta e Cantor Serginho do Rock: “ De longe seus filhos lhe amam, de perto seus filhos reclamam, condenam sua vida tão calma, Mais lhe querem do fundo da alma “.

É dentro deste contexto, ao voltar para seu convívio, poder comemorar seus 171 anos, que gostaria do fundo de minha alma poder lhe dar um presente.

“ Um Legislativo Atuante que fosse além de interesses pessoais ou rivalidades partidárias.

Um Legislativo que SOME, Sem Demagogia ou Subserviência, mas com posicionamento e criticas.  Que contemple NÃO SÓ grupos de interesses, homenagens, solicitação de tapa buraco, mas busque solucionar as reais necessidades da sociedade num todo. Que regate nossa dignidade, auto-estima e direitos que tanto merece.  Como Saúde, Educação, habitação, trabalho, Cultura, Lazer e beleza. “

 

Luiz de Melo Sobrinho

Professor de Latim e Língua Portuguesa, ex-diretor da E.E. Emílio Ramos Pinto, ex-vice diretor da Unipac, presidente da ALLA (Academia Leopoldinense de Letras e Artes)

Pessoalmente, uma mínima parcela de contribuição em limitados setores. Todavia, considerando que uma cidade cresce e prospera de acordo com a diligência de seus governantes e operosidade de seu povo; que uma cidade cresce construtivamente ao longo das estradas, almejando  fácil escoamento de seus produtos; que, para seu crescimento, precisa de cursos de água nas proximidades para escoamento de resíduos, caso não haja estação de tratamento, percebe-se que estes três requisitos elementares existem. Leopoldina conta com governantes de visão e dinamismo e com povo disposto ao trabalho. Conta com invejável malha rodoviária, rumando para o Norte e Sul do país e para o centro e norte do estado. Conta com satisfatório recurso fluvial, margem direita do Pomba, passando por Vista Alegre e posto Esso, nas proximidades de Ribeiro Junqueira. Não falta recurso fluvial ao longo da estrada entre Aurora e Piacatuba. Pode-se alegar dificuldade (não inviabilidade) por questão de distância. Isto não é problema, Empresas de transporte sempre procuram oportunidades de ampliação. Com sondagens, acordos, algum favorecimento, há sempre solução. Ao lado disto a se fazer, destaca-se o cuidado com a preservação do que foi feito pelos louváveis antepassados. Com Ginásio e Catedral, tudo bem. Mas, há espaços que têm histórias para contar, mas, estando debilitados, permanecem calados. Exemplo? Cine Alencar.

Maria José Baía Meneghite

Funcionária pública aposentada, membro da ALLA (Academia Leopoldinense de Letras e Artes) e colunista do Leopoldinense

Daria, se possível fosse para nossa cidade, um fada madrinha para que exterminasse com sua varinha de condão toda burocracia do serviço público, principalmente no que diz respeito à  área de saúde.

Convenhamos, a população menos favorecida, mais carente,  tem reclamado e suas reclamações não encontram respostas dos responsáveis pela morosidade do sistema.

A matemática é a seguinte: quem tem recursos paga, quem não tem espera ou morre aguardando a liberação de exames, cirurgias, etc... Um verdadeiro sofrimento.

De quem é a culpa? Do município que ainda não encontrou a saída para esse caos? Do SUS e suas limitações? Não sei. O que entendo é que seres humanos precisam ser prioridade, pois estão cada vez mais precisando de carinho, atenção e agilidade nos procedimentos solicitados. O que sei é que a morosidade nesta área não deveria existir, mas existe e afeta profundamente a pessoa já fragilizada pela enfermidade que muitas vezes, depois de  enfrentar longas filas nas madrugadas nos postinhos de saúde, enfrenta a pior das filas: a fila da incerteza para conseguir exames ou cirurgias.

Não quero ser injusta em não reconhecer o que já foi feito, deixo claro que há muito o que fazer ainda e digo: na saúde nem tudo vai bem....nem tudo são flores...  Que venha então a fada madrinha.


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