Sou a favor da manutenção das autoescolas, em nome da segurança no trânsito

Por Luiz Otávio Meneghite-
5 Min

Sou a favor da manutenção das autoescolas, em nome da segurança no trânsito
Foto: Marcello Casal Jr - Agência Brasil

A minha primeira habilitação como condutor de automóveis foi  em  20 de abril de 1978,  tendo sido aprovado pela banca examinadora na primeira tentativa que fiz  após  35 dias  de treinamento,  com as instruções  teóricas e práticas  que  me foram  passadas pelo  saudoso Roberto Visany Yung, o popular Xamego.  Naquela época não existiam formalizadas as  autoescolas como existem hoje,  mas muitos instrutores ficaram famosos como os saudosos Ruimar e Diton.

De  lá  para cá nunca  haviam me solicitado  a Carteira Nacional de Habilitação até que fui  parado numa blitz realizada nas proximidades da Praça do Urubú,  ocasião em que  um  policial, muito educado, me alertou que a documentação do veículo estava em dia mas minha CNH estava vencida. O  documento  perdeu validade em plena  pandemia do COVID 19.  Na sequência ele me orientou que deveria procurar o Detran e entregar o documento. 

Fui orientado na repartição pública  estadual  que deveria me submeter a uma  reciclagem em autoescola de minha escolha  entre as três existentes em  Leopoldina.  À medida  que  o tempo  avançava  no período  de  reciclagem  alguns testes foram feitos até que me consideraram apto a fazer  a prova teórica  no Detran existente junto  à UAI  Compartilha. Fui aprovado.

Achei válida a reciclagem a que fui submetido  e enquanto durou convivi com pessoas que  procuravam a  primeira habilitação em vários tipos de veículos. Pude observar que a maioria era leiga em relação à legislação de trânsito e nunca haviam conduzido um veículo.

Abordei o tema  tendo em vista  a  manifestação feita  recentemente sobre a possibilidade de extinguir a obrigatoriedade da formação em autoescolas para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Para o presidente do SindiCFC-MG, Alessandro Dias, a formação nas autoescolas não é apenas um requisito burocrático, mas um processo educativo essencial para preparar condutores de forma consciente, segura e responsável. “A retirada dessa exigência pode agravar os já alarmantes índices de acidentes de trânsito em todo o país”, disse o dirigente.

Segundo release enviado à redação do Jornal Leopoldinense pelo Sindicato, ele  também destacou o impacto econômico da possível mudança. Minas Gerais conta com mais de  2 mil autoescolas em funcionamento, distribuídas por 600 municípios, gerando mais de 20 mil empregos diretos. A medida pode resultar em um prejuízo de R$ 1 bilhão, caso se concretize a desobrigação da formação por meio dos centros especializados. “Desmontar esse setor significa pôr fim a milhares de postos de trabalho e comprometer uma atividade que contribui significativamente para a arrecadação do estado”, reforçou Alessandro Dias.

O SINDICFC-MG também chama a atenção para a elevada carga tributária que incide sobre os serviços prestados pelas autoescolas — cerca de 40%. A entidade defende que a pauta prioritária seja a justa tributação, com redução dos encargos para o consumidor final, e não a extinção de um serviço essencial. “Convocamos as autoridades a abrir diálogo com o setor e buscar soluções responsáveis, que preservem o papel social e econômico das autoescolas no país. Não fomos consultados, e isso é inaceitável diante da gravidade do anúncio”, concluiu o presidente do sindicato Alessandro Dias.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) é contra a proposta de flexibilização das exigências para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), que inclui a formação teórico-técnica e a prática de direção veicular. A entidade presidida por José Roberto Tadros enfatiza que a condução de veículos é uma atividade de risco, citando o aumento de mortes no trânsito no Brasil e os custos sociais para o SUS, defendendo que a fiscalização e a capacitação de instrutores são essenciais para a segurança viária e aprimoramento dos novos condutores. A CNC também menciona que o custo médio da CNH é menor do que o sugerido pelo Poder Executivo e apoia o Programa CNH Social, que custeia a formação.

Para mim, além de gerar empregos as autoescolas preparam os futuros motoristas e motociclistas que terão uma profissão que vai garantir o sustento de muitas famílias além de oferecer conhecimento de como deve se comportar um condutor no trânsito nas cidades e nas rodovias com  segurança ao ser humano.


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