Tenho uma coleção de mais de 100 livros sobre música popular brasileira e, dos livros que narram a vida de Noel Rosa, nenhum deles cita a estada de Noel em Leopoldina. Nem mesmo o livro “Noel Rosa – Uma Biografia”de João Máximo e Carlos Didier, última palavra sobre a vida do Poeta da Vila, conta essa passagem. Mas três depoimentos que colhi em Leopoldina comprovam o fato.
As primeiras informações que tive a respeito me foram passadas pelo Tizínho (Octacyr Lacerda França, ex-craque do E. C. Ribeiro Junqueira), num bate papo em sua residência, lá pelos idos de 1950. Ele me contou que Noel estivera em Leopoldina por curto período a fim de curar a tuberculose que o afligia.
Não consegui precisar a data de sua estada e o tempo de permanência na cidade, mas pelos dados históricos da vida de Noel, presumo que que tenha sido na segunda metade do ano de 1936.
Logo que aqui chegou, juntou-se aos boêmios da cidade em noitadas de farras e muita bebida alcoólica. Seus parentes, naturalmente, sentindo que aquela vida desregrada só poderia agravar o mal que corroía seus pulmões, mandaram o incorrigível boêmio de volta.
Sobre os Rosa em Leopoldina, Mário de Freitas, em seu livro “Leopoldina do Meu Tempo” Cita como professor do Ginásio Leopoldinense, o Sr. Militino Rosa e quem sabe Noel não tenha se hospedado na casa desse professor, seu parente. É bem provável.
Minha mãe, Quequeta, certa vez confirmou as informações de Tizinho e disse mais: Noel ficou morando na casa de seus parentes à rua Tiradentes nº135, um belo sobrado, no qual mais tarde se instalou o Educandário Santa Terezinha da professora Zizinha Resende. Minha mãe disse ainda que era verdade a vida desregrada de Noel durante sua permanência em Leopoldina.
Casarão na rua Tiradentes que antes de se transformar no Educandário Santa Terezinha funcionou como pensão que teria abrigado Noel Rosa (Fotografia gentilmente cedida por Rodrigo Gesualdo)
Mais tarde, conversando com o Ninico (Antônio Domingues), contei que Noel estivera em Leopoldina e Ninico confirmou dizendo que fora ele quem tinha trazido o festejado compositor. Segundo ele, chegaram em Leopoldina de taxi, só os dois. Como eram uns duros, não tinham dinheiro para pagar a viagem que era cara. Mais de 400 quilômetros, ida e volta numa estrada, que na época, era de terra batida e cheia de buracos.
Essa história do Ninico deixa muitas dúvidas, não fosse o Noel amigo de longa data de três choferes de praça: o Malhado, o Valuce e o Alegria. Eles eram amigos para o que desse e viesse, principalmente para noitadas boêmias e era só o Noel precisar de um carro, que eles se prontificavam a servi-lo, e de graça.
Diante dos dados que forneci acima, creio que os prezados leitores acreditarão que Noel Rosa realmente esteve em Leopoldina. Noel não teria vindo se recuperar em nossa cidade se um fator muito forte não contribuísse para isso. Foram seus parentes que aqui residiam, os Rosa, moradores do casarão da rua Tiradentes que o acolheram. O livro “Noel Rosa- Uma Biografia” fornece dados comprovando que os pais de Noel eram de famílias radicadas na região. O pai do Poeta da Vila, Manoel Garcia de Medeiros Rosa é filho de Leopoldina. Viveu na cidade até os 18 anos, quando mudou-se para Juiz de Fora e posteriormente passou a morar no Rio de janeiro. Apaixonado pelos encantos de Marta, filha do casal Eduardo e Rita Corrêa de Azevedo, residentes em Tebas. Com ela acabou se casando. Dos filhos de Eduardo e Rita, apenas Marta nascera no Rio de Janeiro, os outros, Carmem e Eduardinho, nasceram em Tebas. As famílias de seus pais, além de parentes, eram amigas de longa data, tanto assim que Manoel e Marta moravam na mesma casa, à rua Teodoro da Silva, nº30 (Rio de janeiro), o mesmo chalé que mais tarde Noel usaria como residência, quando casado com Lindaura. Eu como Leopoldinense, tento por Leopoldina na triste história do Poeta da Vila e neste caso, quem souber mais sobre a estada de Noel em nossa cidade, que apareça e conte sua versão, pois o povo leopoldinense precisa de mais detalhes.
Manoel e Marta com os filhos Hélio e Noel (Álbum de família)