Sou do tempo em que eram comuns os carros de propaganda equipados com alto falantes anunciando de tudo um pouco: produtos, promoções, eventos, a chegada do circo à cidade, entre outros. Na década de 60 do século XX ficou famoso em Leopoldina o ‘Arauto’ que divulgava notas de falecimento na voz inconfundível de Jayme dos Guaranis, um dos maiores locutores da cidade à época. Quando ele passava pelas ruas de Leopoldina fazia-se um silêncio para ouvir com clareza quem havia falecido.
Com o passar dos anos o ‘Arauto’ deixou de existir e de vez em quando surgia na cidade um caminhão equipado com som anunciando o abacaxi de Marataízes.
Com a chegada da internet e dos celulares as redes sociais dominaram o espaço e surgiu uma comunicação silenciosa entre as pessoas. O rádio, é claro, nunca perdeu o seu espaço e em Leopoldina existem comunicadores tão talentosos que teriam lugar garantido em emissoras de grande porte.
Mas, infelizmente, ainda estão a percorrer nossas ruas alguns veículos, vendendo e comprando, com o som acima do que permite a legislação brasileira. As reclamações não param de chegar ao Jornal Leopoldinense. Em telefonemas, pessoalmente ou por e-mail, vários leitores já reclamaram do excesso de decibéis chegando aos ouvidos da população no centro e nos bairros, seja por carros equipados com aparelhos de som oferecendo os mais variados produtos ou serviços durante o dia ou simplesmente compartilhando músicas de gosto duvidoso na maior altura em horário noturno.
Uma informação obtida pelo Jornal Leopoldinense indica que o nível do barulho admitido nas cidades pela Organização Mundial da Saúde pode atingir até 50 decibéis, porém, o que é verificado normalmente chega a 90 e 100 decibéis. Portanto, qualquer som que ultrapasse os 50 decibéis, já pode ser considerado nocivo para a saúde. Os sons danosos que superam os níveis considerados normais pelo ouvido humano, são provenientes de diversos meios, entre eles os relacionados anteriormente.
Não devemos nos esquecer de que algumas motocicletas estão equipadas com um mecanismo que potencializa o escapamento de forma que o ronco da moto se torne ensurdecedor incomodando quem está no recesso do lar assistindo televisão ou acamado precisando do conforto do silêncio.