Francisco Barbosa Lima - "Chiquito Barbosa"

Por Por Sérgio Domingues França (*)-
7 Min

Da esquerda para direita: Chiquito, Maria Auxiliadora, Arminda, Otto França (Álbum de família)

Assimilamos, de respeitáveis mestres, que as aquisições do passado estão latentes em cada alma, com raízes do inconsciente, o que por certo leva-nos a encontrar portas e janelas abertas para evocação de histórias por nós vividas e a nós trazidas.

- Autênticos atestados de ocorrências, em um passado, vão se transformando, muitas vezes, em atuante presença. Um tempo que está eternizado, também, em fotos em nossa mesa de trabalho, em nossa memória e nos momentos em festa dentro de nós.

Arquivos que reclamam permanentes referências. Histórias que cintilam em nós.

- Chegamos a ele. Francisco Barbosa Lima, ou Chiquito Barbosa e, para nós, o Sr. Chiquito. “Pai Chiquito” para os netos.

Pessoa extremamente gene rosa e solidária, onde a simplicidade e autenticidade predo minaram.

Para ele, palavras não substituíam ações.

Sempre se definiu pelo itinerário da bondade, da caridade, da fraternidade, da honestidade, da humildade, do bem e do amor. Homem dos negócios operacionais, de visão ampla e antecipada; prioridade na área que o absorvia, o mercado do café, com profunda conscientização do setor pecuário.

- As recomendações se repetiam para que não se deixassem de ouvir o então “Repórter Esso”, na Rádio Nacional às 13 horas, Francisco Barbosa Lima, Chiquito Barbosa Da esquerda para direita: Chiquito, Maria Auxiliadora, Arminda, Otto França diariamente, e que fosse anotado o valor anunciado, da denomina da “cotação do café”.

Ao retornar de suas viagens, principalmente, pela zona rural, em visita aos amigos-clientes--produtores-fornecedores em outros municípios, buscava as “anotações” que contribuíam para intima conscientização “do mercado”, orientação base para futuras ou imediatas transações no mercado do café.

Como ilustração, propalamos que as amostras dos produtos eram encaminhadas ao nomeado “corretor”, na cidade do Rio de Janeiro (Distrito Federal), Carlos Tavares, com quem convivemos e muito nos instruímos. Ele pro curava o “comprador-exporta dor” como, De Biase Martins, Jabour Exportadora e outros; quando negociava a venda do produto, com a quantidade de sacas, pré-determinadas na embalagem das amostras. Posteriormente comunicava ao Sr. Chi quito o efeito total da operação.

Sr. Chiquito, com frequência comparecia e acompanhava o movimento na “bolsa do café”, no Rio de Janeiro.

- Imersos na lembrança de tantos fatos acontecidos, alguns trazidos por narradores e muitos outros que tiveram não apenas nosso testemunho visual e auditivo, mas, também, nossa integração, faz-nos reviver com clareza cenas deste passado-presente.

- Assim afirmamos que, em Vista Alegre, no dia 26 de Abril de 1906, na chegada do outono, próximo de maio, chorou pela primeira vez uma criança – e o deve ter feito em escalas plenas de harmonia – que na pia batismal foi aclamado, consagrado como Francisco. O registro civil confirmou, fazendo oficializar o Francisco Barbosa Lima.

Ele fora, sem a mínima discordância, agraciado com a Luz Divina, luminosidade para seu futuro rumo, seus passos, suas decisões, suas aprovações, suas negativas, sua alma que sempre o fez cumprir, absorver e perceber as leis da vida.

- Muitos capítulos da peregrinação do Sr. Chiquito, conforme prenunciamos, então palpitando em nós. Páginas de fácil e simples manuseio, fazendo-nos perseverar em contínua saudade daquela figura humana.

- Onde estará o “sim”? Vejamos! Chegamos ao altar de Deus, na igreja Menino Jesus, em Recreio, num mês de janeiro, pleno verão, para traduzirmos o “ego conjugo vobis in matrimoniun”, sem ele haver respondido aos meus pais, Arminda e Otto França que, pelos princípios de uma época, se dirigiram à residência do casal Maria Auxiliadora - Francisco Barbosa, na Praça Professor Botelho Reis.

O fim a que se destinava aquela visita era a permissão para que a filha do casal, Maria Edith, atendesse ao pedido para o casamento, “o noivado”, do filho Sérgio. A mãe, Dodora, - tratamento na intimidade – permitiu, declinou o “sim”, com vasto sorriso. Ele, Francisco Barbosa, envolvido pela sensibilidade, não dispunha de energia emocional para uma aquiescência liberta, proclamada. Os docinhos e o tradicional cafezinho servidos “a posteriori” não foram bastante para despertá-lo.

- Permanecemos ao longo da vida conjugal, 45 anos, aguar dando aquele pronunciamento que, ainda assim, em diversas outras confirmações, onde aquela palavra omitida pela dicção, mas libertada pelo coração, teve o espaço tomado por ações de puro amor, carinho, doações, muita amizade e aproximação.

- Os três netos que a ele oferecemos, Denise Maria, Marcus Vinicius e Serginho, patrocinaram a permanente sonoridade do “Pai Chiquito”, que incrementavam instantes, momentos de alegria, tranquilidade e paz para aquela alma.

- Com a continuidade, o avançar do tempo, aquelas bênçãos elásticas se personificaram, para múltiplos atendimentos. Outros netos afloraram para intensificar aquela sonoridade.

- Iniciou suas atividades operacionais como um simples vendedor de laranjas, pelas calçadas de Leopoldina, como sempre sublinhara o comerciante Rafael Iennaco, de saudosa memória.

- Homem em que o poder da vontade era ilimitado. Não se mostrava ambicioso, seus pensamentos e desejos não partiam para a acumulação de riquezas e bens. Suas conquistas não deixaram de representar, também, conquistas para alguns outros que dela participaram.

Tinha prazer em permitir a felicidade de todos. A avareza, esta paixão que se apodera do infeliz, não alcançara espaço na filosofia, nos princípios de Chiquito Barbosa. Foi impedido, por razões várias, de levantar outros voos. Não reclamava o supérfluo.

- O “Livro Caixa” - Chegou às nossas mãos um livro denomi nado “caixa” que a ele pertencia. Naquelas páginas estavam registrados, contabilizados todo seu movimento, devedores e credores. Verificamos registros em que ele fazia “adiantamentos” no período de uma denominada “safra” para a outra, sem juros. Mundo de solidariedade, honestidade, respeito e amizade. Muitos destes produtores, fornecedores, tornaram-se seus compadres – na época forma substantiva de aproximação, admiração, gratidão e concordância de sentimentos.

- Quando festejamos 25 anos de vida matrimonial fomos agraciados com as chaves de uma casa, à Rua Presidente Carlos Luz, próxima das residências dos outros dois filhos, Francisco José e Venício.

- Faleceu em sua residência, quando não mais convivia com a presença física de sua esposa e companheira Dodora, no dia 31 de outubro de 1985. Sepultado em Recreio. Acreditamos se encontrar a caminho da classe dos Espíritos Superiores. Exemplo para todos.

- É, para nós, uma confirmação de que Deus “criou o homem sem vestes e sem abrigo, mas Deu-lhe a inteligência para fabricá-los”.

Obs: O respeitável e atuante vereador, Nelson Vieira Filho, por certo, após avaliar o caminho percorrido por este Homem, encontrou razões para uma indicação, na Câmara de Vereadores, de um projeto que, transformado em lei, com o no. 2113, em 12 de setembro de 1989, foi dada a denominação de Francisco Barbosa Lima (Chiquito Barbosa) a uma via pública desta cidade

(*Publicado pelo professor Sérgio França na edição nº230 do Leopoldinense de 16 de maio de 2013 – Ano IX)