Uma das melhores fontes de informação que utilizo é o Diário Oficial dos Municípios Mineiros, órgão mantido pela AMM-Associação dos Municípios Mineiros e onde são publicados todos os atos oficiais de Prefeituras, entre as quais a de Leopoldina: decretos, portarias, leis, pregões, licitações, leilões e avisos oficiais entre outros podem ser encontrados ali.
De uns tempos para cá tenho observado a publicação com muita frequência, de autorizações para a supressão dos que eles chamam de indivíduos arbóreos, ou seja o corte de árvores que por um motivo ‘justificável oficialmente’ esteja impedindo uma construção ou ameaçando uma casa com galhos ou raízes, por exemplo.
Está na lei que toda e qualquer supressão de árvore nativa na zona rural ou os nossos oitizeiros urbanos está condicionada à obtenção de alguma autorização, a qual será dada pelo órgão ambiental competente. Em Leopoldina a autorização tem que ser obtida junto à Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
Existem casos em que, para cada árvore cortada, um número maior tem que ser plantada de acordo com os critérios estabelecidos na legislação pertinente.
Na rua Francisco de Andrade Bastos, a "Rua da Floresta" replantaram nova árvore ao lado da que havia sido cortada (Foto: Luciano Baía Meneghite - 07/12/2025)
Abordei o tema aqui no Jornal Leopoldinense, logo após a exibição de uma reportagem divulgada pela Globo News, revelando que em São Paulo descobriram que apesar das autorizações concedidas, a contrapartida não estava sendo oferecida. Ou seja, o plantio de árvores para compensar as que foram cortadas não está sendo feito.
Em centenas de locais nunca foram replantadas árvores após cortes injustificados
(Foto: Luciano Baía Meneghite - 07/12/2025)
Ao longo de nossa trajetória no jornalismo já noticiamos casos em que a autoridade não fiscalizou e só após denúncias veio a público a verdade mostrando que houve enganação. Esse tipo de comportamento não é exclusivo de pessoas físicas, pois há alguns anos noticiamos que a COPASA havia solicitado licença para realizar a poda de 35 árvores frutíferas e ornamentais, algumas com mais de 30 anos de idade.
Com a licença concedida a COPASA dizimou, com uso de motosserras, goiabeiras, mangueiras, jamelões e oitis entre outras espécies plantadas na área interna de sua sede em Leopoldina localizada no bairro Cristo Redentor.
Na ocasião veio a público que as árvores foram cortadas simplesmente para não haver varrição no pátio, numa economia barata para uma empresa tão lucrativa.
O fiscal da Prefeitura esteve no local e informou que a autorização havia sido dada apenas para a poda de galhos e não a poda radical como aconteceu e que teria sido feita por uma empresa que comercializava carvão vegetal.
No caso em tela a COPASA foi multada pela Polícia Militar do Meio Ambiente sendo obrigada a pagar R$380,00 por árvore e como foram abatidas 35 a multa totalizou R$13.300,00 .
Na rua Manoel Lobato,a "Rua da Grama", pelo menos cinco árvores estão secando, com aparentes sinais de envenenamento (Foto: Luciano Baía Meneghite - 07/12/2025)
No início deste ano, mais precisamente em 14 de janeiro de 2025, a Associação Pró Meio Ambiente – IPÊS manifestou através de nota publicada no Jornal Leopoldinense o seu repúdio pelo corte de um oitizeiro centenário na rua Dr. Custódio Junqueira, sem motivo plausível que justificasse a sua eliminação.
A partir disso me ocorreu perguntar: existe uma fiscalização em Leopoldina para constatar se a compensação está sendo realizada? Existem dados estatísticos para mostrar o que foi cortado e o que foi plantado?
Após anos sendo mutilada, restou o tronco deste oitizeiro na rua Presidente Carlos Luz (Foto: Luciano Baía Meneghite - 07/12/2025)
Rua da Grama (Foto: Luciano Baía Meneghite - 07/12/2025)
Árvores ressecadas e com bases dos troncos totalmente cimentadas (Foto: Luciano Baía Meneghite - 07/12/2025)