Aos 93 anos leopoldinense Noca da Portela segue na eternidade

Por Luciano Baía Meneghite
5 Min

Aos 93 anos leopoldinense Noca da Portela segue na eternidade
Foto: PH Registrou

Faleceu neste domingo,17/05 o compositor Noca da Portela, aos 93 anos. O sambista esteve internado desde o dia 30/04 no Hospital Assim Medical no Rio de Janeiro por conta de uma infecção pulmonar.

O G.R.E.S. Portela lamentou a perda nas suas redes sociais e decretou três dias de luto. O Fluminense F.C. também lamentou a morte de seu torcedor.

Em notas na redes sociais, o presidente Lula, a Câmara Municipal de Leopoldina e o prefeito Pedro Augusto também lamentaram o falecimento do artista.

O velório acontecerá na terça-feira, 19 na quadra da Portela, em Madureira, em cerimônia aberta ao público, das 8h às 14h. A pedido de Noca, seu corpo será cremado no cemitério do Caju às 16h.

Nascido em Leopoldina a 12 de dezembro de 1932, filho de Ernesto Domingos Araujo e Feliciana Alves Pereira, o menino Oswaldo Alves Pereira ainda em nossa cidade tomou contato com a música através de seu pai professor de violão. Quando tinha pouco mais de cinco anos de idade, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Na então Capital Federal, apesar de certa contrariedade inicial do pai, acabou se envolvendo profundamente com a música. Estudou violão e teoria musical na Ordem dos Músicos do Brasil.

Trio ABC da Portela nos anos 60: Colombo, Noca e Picolino (SambaRioCarnaval)

De feirante e militante do Partido Comunista a compositor respeitado. Emplacou diversos sucessos nacionais como “Virada”, música composta em parceria com "Gilper", pseudônimo de seu filho Noquinha  e que gravada por Beth Carvalho se tornou um dos hinos da campanha das Diretas Já, “Vendaval da Vida” (Com Délcio Carvalho) sucesso com Alcione, “É preciso Muito Amor”(Com Tião de Miracema) sucesso em 1979 com Chico da Silva e regravada por Zeca Pagodinho, “Peregrino” (Com Toninho Nascimento) gravação de Paulinho da Viola, “Mil Réis”(Com Candeia) gravada por Candeia e Marquinhos Sathan, “Eu Sou Favela” (Com Sérgio Mosca) gravada por Bezerra da Silva  entre outras.

A lista de   grandes nomes que o gravaram é extensa e inclui Elza Soares, Nelson Gonçalves, Clara Nunes,  MPB-4, Fundo de Quintal, Originais do Samba, Maria Bethania, Seu Jorge, Martinho da Vila e muitos outros.

Clique e relembre dez dos grandes sucessos compostos por Noca da Portela

Noca integrou a Velha Guarda da Portela - Facebook Noca da Portela

Começou a compor aos 14 anos na Escola de Samba Irmãos Unidos do Catete, ganhando o primeiro samba-enredo “O Grito do Ipiranga”. Participou da fundação do G.R.E.S. Paraíso do Tuiuti em 1958 e em 1966, quando integrava o Trio ABC com Colombo e Picolino, recebeu o convite de Paulinho da Viola para ingressar na ala de compositores da Portela. Na azul e branco de Madureira tornou-se um dos maiores campeões de sambas-enredo da escola, emplacando sete composições. Entre eles os marcantes “O Homem do Pacoval” de 1976 (com Colombo e Edir), “Gosto Que Me Enrosco” de 1995 (Com Colombo e Gelson) e “Os Olhos da Noite” de 1998 (Com Celino Dias, Colombo,Darcy Maravilha e  J. Rocha).  Compôs também para os blocos Cacique de Ramos (É dele o sucesso “Caciqueando”) Barbas e Simpatia é Quase Amor.

 

Recebendo o Mérito Cultural em 2011 das mãos do presidente Lula (Facebook Noca da Portela)

Foi produtor musical da RCA Victor e secretário estadual de cultura do Rio de Janeiro em 2006.

 Noca da Portela recebendo a Medalha do Mérito Leopoldinense na Feira da Paz.  (Arquivo Jornal Equipe)

Artista consciente de seu papel como cidadão, Noca é das figuras mais admiradas do mundo do samba. Entre as muitas homenagens que recebeu está a Medalha do Mérito Leopoldinense, por sugestão dos jornalistas José Geraldo Soares “Daada” e Luiz Otávio Meneghite e indicação dos vereadores José Dimas de Souza e Iolanda Cangussú André. A honraria foi lhe entregue na Feira da Paz em 1998. Este foi um reencontro com a terra natal depois de décadas, através de contatos com Gilmar Ribeiro. De lá pra cá, Noca retornou a Leopoldina para apresentações e compôs inclusive música em homenagem a cidade.

Em 2009, Noca foi um dos homenageados no enredo do Bloco do Pirineus "Leopoldina , Sua Gente, Sua Música", escrito, por mim Luciano, baseado no livro de Albino Montes. O refrão do samba de Ricardo Ribeiro lembrava com orgulho as origens do artista: "Noca...Do Pirineus e da Portela..."  

Apoiador de movimentos populares, aqui Noca da Portela com a Beth Carvalho e  João Pedro Stédile,coordernador do MST.

(Facebook Noca da Portela)

Em 2018 foi lançada a biografia "Noca da Portela e de todos os sambas" de  Marcelo Braz.

Em 2022  a Unidos do Cabuçu levou para a passarela o enredo “Noca da Portela e de Todos os Sambas, de Leopoldina à Sapucaí”.

Em 2025 Noca Neto se apresentou na abertura do carnaval de Leopoldina na praça Félix Martins em mais uma homenagem ao avô.

A Universal Music lança em 2026 o EP Flores em Vida sobre o artista.

Relembre Noca homenageando sua terra:


FONTE: Jornal Leopoldinense/ Com informações do jornal Equipe, Dicionário Cravo Albin, O Dia e G.R.E.S. Portela
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