Jornalista Luiz Otávio Meneghite, fundador e editor do Leopoldinense morre aos 75 anos

Ele teve uma das carreiras mais longas no jornalismo local, com mais de cinco décadas

Por Luciano Baía Meneghite
23 Min

Lamentamos informar que o jornalista Luiz Otávio Meneghite, fundador e editor do leopoldinense faleceu no final desta manhã de segunda-feira, 01/06.

Ele havia passado por uma cirurgia de emergência no início da noite de sábado, 30/05.

Nos últimos dias, Luiz Otávio vinha sentido fortes dores abdominais. Chegou ir ao hospital na sexta-feira e teriam dito se tratar de crise de ansiedade. As dores prosseguiram  e após exames em Muriaé, foi constatada uma obstrução intestinal ocasionada por uma úlcera. A cirurgia, realizada na Casa de Caridade Leopoldinense, por equipe conduzida pelo Dr. Leonardo Vicente, aparentemente foi bem sucedida e Luiz permaneceu internado. Não havia vagas no CTI e só depois de notificação judicial, nesta segunda-feira,01/06 foi tranferido.

Luiz já sofria de alguns problemas de saúde como hipertensão, diabetes e há cerca de dois anos havia colocado marca-passo.

A família agradece ao Dr. Paulo Sérgio Lupatini Furtado que o atendeu no primeiro momento, bem como ao Dr. Leonardo Vicente e a todos aqueles profissionais da Casa de Caridade Leopoldinense que, mesmo diante das falhas do sistema se desdobram para bem atender. 

O velório será nesta terça-feira, 02/06 a partir das 6h na Capela Mortuária e o sepultamento às 10h no Cemitério Público Municipal Nossa Senhora do Carmo em Leopoldina

Luiz Otávio - Por Luciano Baía Meneghite

Luiz Otávio Meneghite era o mais velho dos nove filhos do construtor e pintor João Meneghite e da dona de casa, ex-operária da fábrica de Tecidos, Maria Nazareth Sodré Meneghite. Nasceu na rua Benedito Valadares em Leopoldina no dia 05 de janeiro de 1951, pelas mãos da parteira Leopoldina Mendes do Rosário.

Luiz Otávio  (Dir.) com os pais e sete dos oito irmãos.  (Álbum de família)

Seu pai, embora muito trabalhador e honesto, por um período foi jogador contumaz  e chegou a perder patrimônio em mesas de carteado. A família passou por altos e baixos financeiros e teve que se mudar algumas vezes de residência.

Luiz Otávio passou sua infância entre o bairro da Fábrica, Praça da Bandeira e o Alto dos Pirineus, onde morava sua avó materna Albertina. Era um menino comum, levado e muito atento. Estudou o primário no “Grupo Novo” (E.E. Botelho Reis), o ginasial no “Ginásio” (E.E. Professor Botelho Reis) e ainda estudou na “Escola Parque” (Escola técnica Luiz Salgado). Nunca foi o dito “aluno exemplar”, mas curioso, sempre gostou de ler, hábito herdado do pai, que mesmo tendo estudado apenas até a terceira série primária, lia tudo, de jornais à bulas de remédios.

Os primeiros contatos com a imprensa

A ligação de Luiz Otávio com a imprensa vem desde os 11 anos de idade, quando passou a trabalhar como jornaleiro na banca do italiano Francesco Calábria, o Sr. Chico, junto com seus filhos Pino e Mário. Na verdade, Luiz Otávio tinha sua pequena banca armada junto ao Posto Centenário, às margens da rodovia Rio-Bahia, então um movimentado ponto de parada de ônibus de empresas como a Real Bahia e Expresso Salvador.

Por lá Luiz Otávio via passar em direção ao Rio ou ao Nordeste alguns artistas de renome nacional e nos intervalos das paradas dos ônibus lia livros de bolso, revistas e jornais do Rio de Janeiro como Correio da Manhã, O Jornal, Última Hora, Jornal do Brasil, O Globo, Jornal dos Sports, Luta Democrática. Os jornais de Belo Horizonte quando chegavam, era com muito atraso. Pouco tempo depois foi trabalhar como ajudante de pintor com o pai no Rio de Janeiro, onde estudou na Escola Técnica John Kennedy, retornando à Leopoldina pouco antes de completar 18 anos.

Luiz Otávio (3º à esquerda) e outros amigos funcionários da PML no Salão Dom Bosco

 

O Funcionário Público

Era o ano de 1968, marcante para o mundo e para o Brasil, que viu a ditadura militar endurecer com o AI-5. O ano também foi marcante para Luiz Otávio, que iniciou sua carreira no serviço público, convidado pelo prefeito Francisco Barreto de Faria Freire. Dessa época guardou um ensinamento que não cansava de repetir: “O verdadeiro patrão não é o prefeito, mas o povo que através dos impostos paga o salário do funcionário público e a ele devemos respeito”.

Luiz Otávio à direita com amigos e o prefeito Sr. Barreto  (fotografia gentilmente cedida por Herlaine Freire Bella)

Luiz Otávio na Assessoria de Imprensa da Prefeitura (Jornal Equipe)

Luiz começou de baixo, como servente, chegando a morar uns tempos nos fundos da Prefeitura por questões familiares.  Logo passou a função de auxiliar de pessoal e chefe de pessoal do primeiro ao segundo governo Osmar Lacerda França “Liliu”.  Neste cargo fez inúmeros amigos entre os funcionários municipais, principalmente os mais simples.

Quando recebeu das mãos do Sr. Liliu as chaves de sua casa em 1976 (Arquivo JL)

Paralelamente ao serviço público, Luiz Otávio trabalhou até meados da década de 80 como corretor de imóveis em sociedade com Bené Guedes e Chico Neto na Imobiliária BLN, (Iniciais de Bené, Luiz e Neto).

Luiz Otávio entrevista o prefeito Márcio Freire em seu primeiro mandato (Jornal Equipe)

Nos governos de Márcio Freire, foi Assessor de Imprensa da Prefeitura e Assessor Técnico. Participou de dezenas de cursos na área de administração municipal no IBAM/Rio e na Fundação Getúlio Vargas, também no Rio de Janeiro.

 

O radialista

Luiz Otávio cresceu escutando os grandes nomes das rádios Nacional, Tupi, Globo, entre outras emissoras e também os da Rádio Leopoldina (Rádio Sociedade Leopoldina – ZYK-5). Ele lembrava rindo de uma vizinha e amiga de sua mãe que se dizia fã do “Xamengo”, na verdade o Xamego (Com X) nome artístico de Roberto Vizany Yung, ex-palhaço de circo e fenômeno do rádio leopoldinense na década de 60. Xamego tornou-se  amigo e vizinho de Luiz Otávio anos depois. Foi Xamego que lhe ensinou a dirigir automóvel.

Luiz Otávio na transmissão para a Rádio Leopoldina da posse dos eleitos em 1973. Sentados, O Juiz Dr. Nazareno, vereador Eloy Rodrigues Netto, ex-governador Clóvis Salgado, Dr. Hélio França, ex-prefeito Sr. Barreto e ex-vereador Durval Bastos. Ao fundo, Mírtis Policiano, Bené Guedes, Helmar F. Freire, Tote Maranha, entre outros. (Foto de Ivan Carlos)

A paixão pelo rádio era grande e no início da década de 70 começou a colaborar como redator de notícias para a Rádio Leopoldina.

Com vitalino Duarte em tranmissão do carnaval 1973 (Acervo JL)

Em uma madrugada, voltando de um baile no Cutubas, junto com então locutor iniciante Cirilo Reis, os dois já “pra lá de Bagdá” resolveram passar pela rádio que funcionava em cima do antigo Cine Brasil para beber água. O operador Zé Nilton disse então que o locutor do horário ainda não havia chegado e pediu que uns deles falasse a hora. Cirilo e Luiz ficaram naquele jogo de empurra, até que Luiz Otávio falou a hora e acabou apresentado todo o programa “Manhã Sertaneja” até as 7h. O então diretor da rádio, José Vasconcelos, que morava no Hotel Alvorada, ligou para emissora, perguntou quem estava no ar e pediu que o aguardasse na rádio. Luiz pensou que seria chamado a atenção, mas se surpreendeu com o convite para continuar como locutor.

Luiz passou a apresentar artistas da cidade como a dupla Correia e Correinha, Sebastião Piúna, Vitalino Duarte, entre outros. Há ainda ouvintes que se lembram do “Luiz Otávio Show”. Entre seus incentivadores estavam Ironi Gonçalves, Carlos Félix e principalmente Luiz Carlos Montenári, em cujo programa fazia participações. Com Montenári, Luiz também assinava a coluna noticiosa "Cosa Nostra" nos jornais “A Tocha” e “A Verdade” do Dr. Dalmo Pires Bastos.

Montenári foi quem mais incentivou a entrada de Luiz Otávio no rádio.

Luiz Otávio e Emanuel Azevedo apresentado o Linha Direta em 1997 (Jornal Equipe)

O trabalho na Prefeitura dificultou a permanência no rádio e cerca de três anos depois ele deixou a Rádio Leopoldina. Por mais de duas décadas esteve afastado do rádio, salvo participações esporádicas ou quando do programa “Linha Direta” na década de 90 em que apresentava as notícias da Assessoria de Imprensa da Prefeitura, juntamente com o então iniciante Emanuel Azevedo, com quem retornaria ao rádio anos depois.

O casamento com a Zezé

Eles chegaram a serem vizinhos na infância, mas não tinham proximidade. Maria José, também de família simples, um pouco mais velha que Luiz, nasceu em Guidoval, mas mudou-se com a família de Ubá para Leopoldina com sete anos de idade. Morava na Rua das Palmeiras, depois na rua João Gualberto no Alto da Grama. Filha da costureira e lavadeira Mariana da Costa Barros e de Dionísio Cândido Baía, o “Dionísio Fria”, conhecido tanto como bom lanterneiro, como bom de copo.  Irmã mais velha do José Mário, Maria das Graças “Gracinha” e Jorge Luiz “Tula”. Zezé desde nova carregou trouxas de roupas para a mãe, marmitas para Dona Áurea Nogueira, trabalhou no Mercado Municipal, na Intertex como figurinista e como telefonista na CTMG e Telemig, antes de ingressar como funcionária municipal.

Luiz Otávio era considerado namorador e meio “arruaceiro”. Foi o amigo Aurileno que conseguiu “dobrar” os pais da moça e convencê-los a dar uma chance ao Luiz. Na verdade, Dona Mariana era ouvinte do Luiz Otávio da rádio, sem saber que era o mesmo que queria namorar sua filha. A história é curiosa. Uma noite, Zezé dormia na sala de sua casa, quando uma ventania derrubou uma folha de coqueiro no telhado, A família acordou assustada e ao ver o vulto de Zezé em pé na sala, partiu para o ataque ao que acharam ser um ladrão. Até sua irmã Gracinha acender a luz ela apanhou bastante. No dia seguinte, Zezé ligou para a Prefeitura pedindo que cortassem o coqueiro. Quem é que lhe atendeu? O Luiz Otávio. Daí passaram a conversar com mais frequência e para o namoro foi um pulo.

Luiz e Zezé se casaram em 05 de janeiro de 1975, na Matriz de São José Operário. Em novembro do mesmo ano nasceu Luciano, seguido depois por Mariana, Ana Paula, Lucília e João Gabriel.

Luiz Otávio com Zezé, os pais João e Maria Nazareth e os sogros Dionísio e Mariana no aniversário de dois anos de Luciano em 06 de novembro de 1977. 

Moraram os dois primeiros anos de casados na rua Enéas França, no Alto do Cemitério e mudaram para o Conjunto Habitacional Maria Guimarães França, a “Cohab”, no alto dos Pirineus.

Com os filhos João Gabriel, Lucília, Luciano a esposa Zezé, o tio desta Joaquim e a neta Luiza em 2008

Luiz Otávio sempre foi muito preocupado com a família. Seu temperamento de extremos, ora explosivo ora manteiga derretida, nos últimos tempos foi adoçado muito mais com o nascimento dos netos Luiza, Vitinho, Maria e Gabriela.

 

O presidente da APPL

Eleito presidente da APPL pela terceira vez em 1992

A Associação do Pessoal da Prefeitura de Leopoldina, tem Luiz Otávio entre seus fundadores. O Clube nasceu em 1971, num sitio adquirido da família de João Colli, no trevo da Serra da Vileta. No início da década de 1980 foi transferido para a atual sede, antiga Fazenda do Aprendizado Agrícola do Ginásio. Em 1985 Luiz Otávio, então vice-presidente de Bené Guedes, é eleito presidente do clube para o período 1985/87. Sua gestão deu enorme impulso à aquela associação, já então aberta não só a funcionários municipais, mas a todas as categorias profissionais. Inúmeras obras de infraestrutura foram realizadas como as piscinas, ampliação do parque infantil, reforma e construção de dependências do clube, varandão, muros de arrimo, dragagem de córrego e açude, e instalação de rede pluvial, perfuração de poços, instalação de água tratada, ampliação da rede elétrica, introdução de novos regulamentos e estatuto social, legalização de funcionários, Câmara frigorífica, quiosques, plantio de centenas de árvores, aquisição de diversos materiais esportivos e jogos de mesa, além da criação do boletim informativo, o “Jornal da APPL”. Tudo isso sem nunca destacar nas placas de inauguração o seu nome, mas sim a identificação da diretoria do período relativo. Promoveu vários eventos esportivos, bailes, serestas que marcaram época.

Sob a presidência de Luiz Otávio a APPL teve grande crescimento (Acervo JL)

Numa época de inflação galopante e com vários sócios inadimplentes, o clube passou por dificuldades financeiras e embora uma parte minoritária de sócios criticasse a maneira como o clube estava sendo administrado, Luiz Otávio foi reeleito para o período 1988/89, contudo, problemas de saúde que resultaram em cirurgia, além de golpe financeiro por parte de um membro do clube e críticas maldosas fizeram-no renunciar, passando o cargo ao seu vice Totonho Félix que conseguiu superar as dificuldades financeiras do clube. Atendendo ao pedido de centenas de sócios, Luiz Otávio mais experiente, candidata-se e se elege pela terceira vez em 1992, cumprindo todo o mandato e novamente marcando sua passagem com várias obras como vestiários, rampas de acesso, calçamentos, novo escritório, quadra de peteca, de vôlei, sala de vídeos, casa do selador, entre outras.

Inaugurando vestiários da APPL ao lado do Monsenhor Guilherme (Acervo JL)

Após esse período, Luiz Otávio se afastou da APPL, mas não sem ouvir inúmeros pedidos para que retornasse como presidente. Ele agradecia e afirmava já ter dado sua cota de contribuição.

Luiz ainda teve participações como sócio e colaborador na Liga Esportiva Leopoldinense, Ribeiro Junqueira, Clube dos Cutubas, Escola de Samba Acadêmicos de Leopoldina e Sociedade Recreativa Carnavalesca Unidos dos Pirineus como vice-presidente de Sebastião Oliveira “Tião”.

Luiz Otávio, Maria Amália e Jaime Silva desfilando pela Unidos dos Pirineus em 1985

 

A mídia Impressa

Luiz Otávio colaborou com vários jornais da cidade, entre eles, A Tocha, A Verdade, Gazeta de Leopoldina e Folha de Leopoldina. Chegou a escrever como correspondente dos Diários Associados na região e para grandes rádios.

Ouvindo moradores do bairro Limoeiro (jornal Equipe)

No primeiro governo Márcio Freire, reativou o jornal Equipe, doado ao Município pelos seus fundadores Ely Rodrigues Neto e Geraldo Amaral. Por algumas semanas, permaneceu no cargo como assessor de imprensa no governo José Roberto, adversário político do prefeito que havia saído.

Conversando com a ex-senadora e governadora do Rio de Janeiro Benedita da Silva quando esta veio  ao funeral de sua tia Maria Budá (Jornal Equipe)

Auxiliando no Rio de Janeiro a Secretaria de Saúde no registro de depoimento de artistas para campanha de prevenção à AIDS.

Em 1995 é transferido para várias repartições, sentindo-se perseguido, deixou a Prefeitura. Em dezembro do mesmo ano monta junto a sua casa na Cohab Velha o Bar Luiz, com grande movimento.

Paralelo ao bar, em 1996, junto com as jornalistas Márcia Vaz Barbosa e Fernanda Espíndola, lançou o jornal “Novo Rumo” com colaborações do fotógrafo Gilberto Pinheiro e Professor Hudson Rodrigues de Andrade, parceiros da época do jornal Equipe. O jornal circulou poucos números e o título é cedido ao jornalista Will Sérgio Brum de Recreio.

Apesar do bar ter funcionado bem por um ano, Luiz comete alguns erros e se vê obrigado a fechá-lo em dezembro. Com dificuldades financeiras, o apoio da esposa Zezé e de seu tio Roberto Heleno de Oliveira foram fundamentais para restabelecer-se.

Com Prof. Hudson, colaborador do jornal Equipe  (Jornal Equipe)

Com a nova eleição de Márcio Freire, em 1997 retornou à Prefeitura e à área de imprensa. Realizou algumas matérias para a TV Cidade e redação e locução para um documentário em vídeo sobre o Município.

Cumprimentando Telê Santana em homenagem no CEFET  (Gazeta de Leopoldina)

Logo em seguida, a convite de Omar Peres, o "Catito", passou a acumular edição do jornal Equipe com a de editor da centenária Gazeta de Leopoldina, jornal cujo título pertencia a família de Ivan Muller Botelho, ex-sogro de Catito e sobrinho neto do fundador José Monteiro Ribeiro Junqueira.

Luiz, Rivelino e colaboradores da Gazeta em confraternização no Clube Leopoldina.

Catito permanecia no expediente como diretor do periódico, embora cuidasse mais de seus negócios no Rio de Janeiro e Juiz de Fora. A Gazeta que estava meio adormecida, ressurgiu, despertando novamente o interesse dos leitores e anunciantes. De jornal mensal, passou a quinzenal. Nesta fase, o maior colaborador foi José Raimundo Barroso Lamas, o "Rivelino", que além de contato publicitário, escrevia a quatro mãos com Luiz, sob o pseudônimo Jussara Reis (Iniciais de José Raimundo) as colunas sociais e matérias diversas.  Mesmo após a morte de Rivelino, “Jussara Reis” continuou na Gazeta e por uma série de matérias polêmicas, chegou a ser alvo de processo.

Em reunião com Omar Peres e o jornalista Fritz Utzeri em Juiz de Fora

Após 33 anos e meio como funcionário municipal, Luiz se aposentou e passou a se dedicar integralmente ao jornal. A Gazeta passou a ser reconhecida e a dar lucro, graças ao trabalho de Luiz Otávio, Rivelino (Já então falecido) e dos colaboradores José Barroso Junqueira, José do Carmo Machado Rodrigues, minha Luciano, com as charges, de minha mãe, Giovanni Rodrigues, Zé Otávio, entre outros. Foi então que Catito, ligado a Bené Guedes, propôs mudanças de ordem financeira e política que não mais interessaram a Luiz Otávio. Em agosto de 2003, na última edição da Gazeta sob a condução de Luiz, Zé do Carmo publicou o artigo “A Gazeta é uma flauta”, a respeito da condução do jornal.

Catito, Luiz Otávio e Zé do Carmo discutindo sobre a Gazeta de Leopoldina

Catito convidou Lúcio Sampaio para editor da Gazeta, cargo que já havia ocupado anteriormente. O jornal passou a ser colorido e foi promovido com forte campanha na TV Panorama. Parou de circular meses depois de iniciada, pondo fim ao centenário periódico. Luiz Otávio lançou com Zé do Carmo e Zé Barroso a Gazeta Leopoldinense de Notícias, GLN, depois por minha (Luciano) insistência alterado para LEOPOLDINENSE do Grupo Leopoldinense de Notícias. Com a participação de todos os antigos colaboradores, anunciantes e leitores, o Leopoldinense seguiu em frente até recentemente. Sendo o único impresso a circular ininterruptamente no município até 2023.  

Com o jornalista José Barroso Junqueira no Jornal Leopoldinense no Ar na Rádio Jornal AM

Sempre tocando em temas polêmicos, mas fugindo do sensacionalismo, o Leopoldinense passou a ser reconhecido como “A Consciência Crítica da Cidade”, lema criado pelo jornalista e sociólogo José Barroso. O jornal formou um grande grupo de colaboradores, promovendo eventos e o debate de ideias, denunciando e tentando ser o mais independente possivel. Embora um jornal crítico, nunca negou espaço a nenhuma corrente de pensamento.

Luiz em coletiva do Secretário de Governo Danilo de Castro, junto com Bira, Haroldinho e Trajano (Arquivo JL)

A postura de Luiz Otávio frente ao jornal lhe rendeu cerca de 20 processos. O jornal sempre vencendo. Podia-se discordar dos posicionamentos de Luiz Otávio, mas sua honra sempre foi preservada.

Luiz Otávio em confraternização com colegas de imprensa

 

O Político

Luiz Otávio sempre esteve envolvido direta ou indiretamente em política e chegou a concorrer pelo PMDB em 1982 ao cargo de vereador, apoiando Elói Rodrigues Neto para prefeito. Não foi eleito. Tentou novamente sem sucesso em 1988 pelo PTB de Bené Guedes, apoiando a Chapa Márcio Freire (PDC) e Guilherme Junqueira Reis. Sem  preocupação maior com ideologia, foi ainda filiado ao PFL e PV. Se afastou da política partidária, mas surpreendeu a muitos após as eleições de 2008,durante entrevista ao vivo com o vencedor Bené(PSDB), ter declarado seu voto em Zé Newton Oliveira (PMDB) que era apoiado pelo antigo desafeto Zé Roberto (PSC).  

 

Com Tancredo Neves, candidato a governador em 1982

O retorno ao rádio e o jornal online

Com o jornal impresso consolidado, Luiz Otávio foi convidado por Emanuel Azevedo e Sérgio Naya, dono da 104,3FM para apresentar um jornal diário. Luiz Otávio aceitou e em 03 de dezembro de 2007 estreou com grande repercussão o “Grande Jornal Falado” indo ao ar da 7h às 8h de segunda a sexta-feira, com apresentação de Emanuel Azevedo, Andrea Rayol e Luiz Otávio. Com temas locais e variados, o jornal foi sucesso de audiência.

Entrevista de Bené e João Ricardo ao Grande Jornal Falado da 104 FM

Nas eleições de 2008, em parceria com o CEFET, o jornal Leopoldinense, a revista Hora H e a 104,3FM promoveram um debate entre os candidatos a prefeito de Leopoldina. O evento chamou a atenção pelo profissionalismo, tanto técnico da rádio, quanto pela postura dos mediadores Luiz Otávio e Andréa Rayol e repercutiu em toda a região.

Mediando debate dos candidatos a prefeito em 2008 com Andrea Rayol. Ao lado SEHELUVAL da Hora H (Foto: Luciano Baía Meneghite)

A parceria com a 104FM durou pouco mais de um ano.  Discordâncias profissionais e o não cumprimento de acertos financeiros por parte da rádio com Luiz Otávio, renderam mais um processo que acabou em acordo, mas o retorno à emissora tornou-se impossível. Dias depois, Luiz Otávio foi convidado pelo prefeito Bené Guedes, o vice João Ricardo e Jose Geraldo Gué, arrendatários da Rádio Jornal AM, para apresentar um jornal na emissora. Convite aceito, no dia 06 de abril de 2009 estreio o “Jornal Leopoldinense no Ar”, indo ao ar de segunda a sexta-feira das 8h às 9h com apresentação de Jairo Fernandes, José Barroso Junqueira e Luiz Otávio e tempos depois com participações do veterano Zé Américo Barcellos e Fernanda Espíndola.   

Paralelamente, a partir de uma ideia de João Gabriel, filho caçula de Luiz Otávio, é lançado o site www.leopoldinense.com.br no mesmo dia do programa radiofônico e obtendo sucesso estrondoso. Através de um link no site do Leopoldinense que a rádio Jornal passou a ser transmitida para o mundo pela internet. Sendo o primeiro site jornalístico de Leopoldina atualizado diariamente e um dos primeiros da região. O número de acessos foi surpreendente para um site do interior, revolucionando a imprensa em Leopoldina.  

Jornal Leopoldinense no Ar

A ida de Luiz Otávio para a Rádio Jornal foi vista por alguns como tentativa de cooptação política, mas a postura independente, principalmente no jornal impresso e no portal na internet e a sucessão de acontecimentos mostrou que não funcionaria tal tentativa.

Após a publicação por Luiz de denúncias envolvendo supostos pagamentos de propina durante o governo Bené Guedes (Que não envolviam diretamante o prefeito), vieram ameaças veladas de terceiros e Luiz Otávio acabou saindo da rádio. O jornal sofreu boicotes, ameaças e processos, mas vencendo na justiça.

O jornal lança a Rádio Web Leopoldinense com apresentação de Luiz Otávio e coordenação técnica de João Gabriel. Foi uma inovação, mas que por falta de maior estrutura financeira não foi possível o prosseguimento.

Com amigo editor da Tribuna do Povo, Gama Filho(Acervo JL)

Com o crescimento da internet e das redes sociais, foram surgindo outros meios de comunicação online em Leopoldina e região, mas o pioneiro Leopoldinense, mesmo enfrentando dificuldades, boicotes e até  deslealdade por parte de alguns, mantém-se entre os com maior repercussão.

Com o amigo Sebastião Heitor da Revista Hora H em 2025 (Foto: João Gabriel Baía Meneghite)

Com a morte do advogado Zé do Carmo e do afastamento por doença e posterior falecimento em 2017 de Zé Barroso, Luiz Otávio teve que se desdobrar, pois além da colaboração jornalística e jurídica dos dois amigos mais velhos, vez ou outra estes também ofereciam algum suporte financeiro ao jornal. Outro colaborador e contato publicitário foi Sergio Barbosa França. "Serginho".

Com a eleição de Zé Roberto, este, estabelece aproximação com Luiz Otávio, deixando de lado antigas desavenças, sem que isso significasse maiores compromissos. O prefeito passou a enviar matérias pagas ao jornal, o que gerou críticas e insinuações de favorecimento ao Leopoldinense, o que não fazia sentido, pois a àquela altura, era o único impresso a circular regularmente em Leopoldina.   O acordo comercial não impediu que críticas ao governo permanecessem em matérias, artigos de colaboradores e nas charges do Trem Doido.

Luiz e Zezé com Amaury do Projeto Pérola Negra na Escola Municipal Judith Lintz Guedes Machado

Com o avanço da internet e a queda de vendas e anunciantes dos jornais impressos em todo o mundo, o Leopoldinense circula com sua última edição impressa em 1º de outubro de 2023.

Enfrentando problemas de saúde seus e de familiares, Luiz Otávio manteve ainda bem ativo e influente o jornal online.  

Ainda gravava locuções e colaborava na revisão de textos para documentários do próprio jornal, para a Cúria Diocesana, Energisa e independentes produzidos por João Gabriel. 

Luiz explicando como se faz um jornal para alunos da Escola Estadual Luiz Salgado Lima  (Arquivo JL)

Luiz nunca possuiu grandes bens materiais, mas construiu um grande patrimônio: A credibilidade, a amizade e o respeito de uma cidade.

Com Zezé e os netos Luiza, Vitor, Maria e Gabriela

Relembre a última entrevista de Luiz Otávio, concedida ao programa "Sala de Visitas" de Marcos Paixão na extinta Rádio Jornal em 2023

 

 

 

 

 

 


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