22/01/2015 às 17h19min - Atualizada em 22/01/2015 às 17h19min

Gestão tucana escondeu crise no abastecimento de água em Minas

Minas 247

Segundo fontes da Copasa, mesmo sabendo que o Sistema Paraopeba, que abastece de água a Região Metropolitana de Belo Horizonte, estava em queda contínua desde o início do ano e operava abaixo de 50%, a gestão tucana em Minas Gerais não adotou qualquer medida de contingenciamento ou emergência para evitar que a situação se tornasse crítica.

Em reportagem publicada no início de agosto, em plena campanha eleitoral, pelo jornal Estado de Minas, o então presidente da companhia, Ricardo Simões, tranquilizava a população e dizia que os níveis dos reservatórios estavam dentro da normalidade.

Segundo o jornal, ele afirmou na ocasião que não haveria problema de racionamento na região "mesmo com estiagem severa" a partir de outubro. Em 21 de outubro, Simões voltou a negar a possibilidade, em entrevista coletiva. "Não temos risco de desabastecimento. Estamos com abastecimento da região metropolitana sob controle total, o abastecimento se dando de forma normal", defendeu.

Ainda no ano passado, técnicos da empresa já davam como real o risco de "colapso do sistema" a partir de julho deste ano se nenhuma medida fosse tomada e o regime de chuvas permanecesse o mesmo. A situação já seria crítica pelo menos desde agosto de 2014.

Quando Simões deu a primeira declaração, em agosto, o nível do Sistema Paraopeba estava em 50,51%. Na segunda declaração, já havia baixado para 39,7%. Em dezembro, o nível já havia caído para menos de 33,46%.

Embora negasse a dimensão da crise e o risco de desabastecimento, a gestão anterior, segundo técnicos da empresa, já operava com as chamadas "manobras de rede", o famoso rodízio, em que se alternam os dias de fornecimento de água para as cidades e bairros a fim de garantir o abastecimento.

As "manobras de rede", no entanto, não seriam publicamente admitidas. A dúvida já havia sido levantada em reportagem do jornal O Tempo, publicada em outubro, em que leitores reclamavam da falta de água: "Para minha surpresa, [ao ligar para a Copasa] a atendente disse que os reservatórios estavam vazios e, por isso, a empresa optou por fazer um rodízio na distribuição entre várias regiões".

Ao comentar o assunto, em entrevista coletiva concedida em outubro, o antigo presidente da empresa atribuiu a questão a "situações pontuais" na rede. "Nós temos ai quilômetros de rede, que trabalham pressurizadas 24 horas por dia, portanto, estão sujeitos a rompimento", disse.


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