02/03/2015 às 09h19min - Atualizada em 02/03/2015 às 09h19min

Presidenta Dilma entrega túnel no aniversário de 450 anos do Rio de Janeiro

Blog do Planalto
Dilma entre Pezão (E) e Paes.

A presidenta Dilma Rousseff participou neste domingo, 1º de março, da entrega do túnel Rio450, no Rio de Janeiro. A obra integra a Via Binário do Porto – importante complexo de ruas na região portuária do Rio – ao centro da capital fluminense. A inauguração faz parte das comemorações pelo aniversário de 450 anos da cidade.




Com 1.480 metros de extensão e capacidade de fluxo para 55 mil veículos por dia, o Rio450 será o primeiro túnel subterrâneo do Rio de Janeiro e contará com um sistema de monitoramento de alto padrão tecnológico. Ao todo, são 32 câmeras de segurança, além de equipes posicionadas estrategicamente na entrada e na saída da via para monitorar o tráfego durante 24 horas e garantir o atendimento rápido das ocorrências.

Para o secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani, o Túnel Rio 450 facilitará muito a saída do centro do Rio. “Como este é um túnel com três faixas de rolamento, sem paradas, o acesso será muito mais rápido. Na Avenida Rodrigues Alves havia sinais de trânsito. Agora, o carioca tem uma saída muito mais rápida para a região portuária”, avalia.

A construção do túnel Rio450 foi viabilizada através de PPP entre a prefeitura do Rio e a concessionária Porto Novo, contratada para a construção e manutenção da via até 2026.


Revitalização da área central

A construção do túnel Rio450 faz parte de  projeto de revitalização da região central do Rio de Janeiro, que pretende preservar o patrimônio histórico da cidade e instituir um novo conceito de mobilidade urbana para a capital.

Segundo o presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), Alberto Gomes Silva, a ideia é priorizar as pessoas em relação aos automóveis:

“O novo sistema viário que está sendo implantado muda a lógica do transporte e do trânsito no Rio de Janeiro colocando, sobretudo nessa região, as pessoas em primeiro lugar em relação aos carros. Literalmente, os carros vão passar por baixo para liberar espaço para as pessoas na superfície. Isso permite a recuperação de grande parte do patrimônio histórico da região”, destaca.

De acordo com Alberto Silva, o objetivo de todo o projeto de revitalização é estimular mais pessoas a morar no centro do Rio.

“O objetivo maior da operação urbana é produzir um centro da cidade mais povoado, já que é o local que concentra o maior número de empregos. Um maior o número de pessoas que moram próximas do trabalho, exigem menos deslocamentos pela cidade, o que tem impacto direto no trânsito, na segurança pública e resulta em qualidade de vida para as pessoas”, afirma.

De acordo com a Cturb, a meta é que, com as obras de revitalização, infraestrutura e melhoria do sistema viário da região central, o número de moradores do centro do Rio salte dos atuais 32 mil para 100 mil, nos próximos dez anos. Segundo Alberto, o modelo de cidades em que as pessoas trabalham no centro e moram nas periferias resultou no cenário urbano de cidades engarrafadas que temos hoje no Brasil. “Precisamos alterar essa lógica. O Rio450 faz parte desse processo”, defende.


Mobilidade urbana

O sistema de transporte que está sendo implantado na área central do Rio de Janeiro adota o conceito de transporte integrado, com espaços para pedestres, ciclovias e vias planejadas. Como enfatiza Alberto Silva, o princípio adotado é priorizar o transporte público em relação ao transporte individual.

Para isso, até 2016, o veículo leve sobre trilhos (VLT) e o veículo leve sobre pneus (BRT) já estarão operando, o que permitirá a racionalização dos sistemas de ônibus do Rio de Janeiro, aumentando a capacidade de transporte e, ao mesmo tempo, reduzindo a quantidade de ônibus em circulação. “Mais gente usando o transporte público possui impactos não só no trânsito da cidade, mas também na qualidade do serviço prestado para a população e para preservação do meio ambiente”, destaca.

A previsão é que quando o novo sistema de mobilidade estiver completamente implantado, 1,5 milhão de pessoas sejam beneficiadas e 1/3 da frota atual de ônibus da cidade seja retirada das ruas.


Olimpíadas

De acordo com Alberto Silva, grande parte desse novo sistema de urbanização e mobilidade estará pronto para os Jogos Olímpicos de 2016.  No entanto, ele ressalta que toda essa transformação não foi pensada só para as Olimpíadas, mas para a cidade do Rio de Janeiro. “O melhor disso tudo é que quando as visitas forem embora, o carioca vai continuar tendo uma cidade muito melhor para viver,” argumenta.

Aniversário

Neste domingo (1º), a presidenta Dilma também participa das comemorações pelos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro. A cerimônia oficial de aniversário acontece às 18 horas, no Palácio da Cidade.

Na ocasião, o prefeito Eduardo Paes entrega a medalha inédita, 1º de Março, a personalidades que fazem parte da história do Rio. A presidenta Dilma é uma das agraciadas.

Além disso, também serão anunciados os cariocas que terão seus nomes inscritos no Livro de Heróis e Heroínas da cidade. Na cerimônia, a prefeitura também apresenta a medalha comemorativa dos 450 anos do Rio – feita em parceria com a Casa da Moeda – e o Selo Comemorativo pelo aniversário, produzido pelos Correios
.


Leia a íntegra do discurso da presidenta Dilma:


Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de aniversário dos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro


Rio de Janeiro, 01 de março de 2015


Primeiro eu queria dizer boa noite e feliz aniversário. Feliz aniversário para todas as cariocas e todos os cariocas. Feliz aniversário para todos nós brasileiros que temos orgulho de ter uma cidade como o Rio de Janeiro fazendo 450 anos. Um país novo, uma cidade nova, mas a Cidade Maravilhosa, então meus parabéns a todos vocês.

Queria cumprimentar o nosso querido governador Pezão, Luiz Fernando Pezão, e queria cumprimentar também a Maria Lucia.

O Pezão é uma das pessoas mais límpidas, mais diretas, mais decentes que eu conheço. E eu queria também, aqui de público, dizer que a nossa parceria aqui no estado é uma parceria feita de muito trabalho, de muito esforço. E essa parceria, uma grande parte dela, ocorre aqui no Rio de Janeiro. Por isso, o Pezão também hoje está de parabéns.

Mas o grande – o grande aniversariante – é de fato o prefeito mais feliz do mundo, que dirige a cidade mais importante do mundo e da galáxia. Por que que é da galáxia? A galáxia é o Rio de Janeiro, a Via Láctea é fichinha perto da galáxia que o nosso querido Eduardo Paes tem a honra de ser prefeito. Eu acredito que essa talvez seja a força mais interessante a mover o Eduardo, essa convicção de que esse trabalho incansável… Por exemplo, na Transcarioca. Quando nós viemos inaugurar aqui, a Transcarioca tem 39 quilômetros. Na noite anterior a inauguração, ele andou a pé, ali pela meia-noite, a Transcarioca inteirinha, ida e volta, para verificar se estava tudo nos conformes. Essa força é a força do compromisso que ele tem com essa cidade. Então, eu parabenizo representando a cidade do Rio de Janeiro, e todos vocês, mas especialmente o Eduardo Paes.

Queria cumprimentar a Chirstine, queria cumprimentar também os dois filhos, principalmente a filha ali que está escondendo a cara, mas queria cumprimentá-la e cumprimentar os prefeitos, ex-prefeitos, tanto o prefeito Israel Cabrim como meu amigo Saturnino Braga.

Cumprimenta também um outro carioca que é o Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados e a senhora Cláudia Cruz.

Cumprimentar o nosso vice-governador do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles que adotou o Rio com o seu coração mineiro.

Queria cumprimentar o cardeal arcebispo Dom Orani Tempesta, cumprimentá-lo também pela homenagem.

Cumprimentar os ministros de Estado, Joaquim Levy, da Fazenda, Isabella Teixeira, do Meio Ambiente, George Hilton, dos Esportes e Vinícius Lages, do Turismo.

Cumprimentar o presidente do Tribunal de Justiça, Luís Fernando Ribeiro,

Os deputados federais aqui presentes, Benedita da Silva, Hugo Leal, Jandira Ferghali, Júlio Lopes e Sérgio Zveiter.

Eu queria dirigir meu cumprimento, do fundo do coração, mas também do grande respeito e admiração que nós devemos ter por duas mulheres aqui presentes porque elas representam algo fundamental que faz parte da alma do nosso país, que é a arte. Queria cumprimentar a dona Ivone Lara e a nossa grande Fernanda Montenegro, a dama do teatro brasileiro.

Cumprimentar o senhor Jorge Felippe, presidente da câmara municipal,

Cumprimentar banda da guarda municipial, aqui, que nós honrou com o Hino Nacional

Cumprimentar a Wanda Sá e o Roberto Menescal que pelo menos para mim, me levou para o futuro e também para os anos 60 e para algo que é sinônimo do Rio de Janeiro que é a Bossa Nova.

Cumprimentar os jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

Eu acredito que todos nós sabemos que o Rio de Janeiro é uma cidade diferenciada. E é uma cidade, mais do que qualquer outra, tem refletido nela, imprimido nela, a história desse país. Quando a gente… Eu sempre fico imaginando o que deve ter sido, lembrando o Sérgio Buarque de Holanda, que escreveu aquele livro, Visões do Paraíso, ele não fala sobre isso, mas eu sempre lembro quando eu leio aquele livro, o que deve ter pensado um francês da esquadra do Villegaignon quando chegou aqui e olhou esse azul imenso, essas matas, essas montanhas, essas pedras, qual não tenha sido o encantamento dele e a visão do paraíso que ele viu nas nossas… Nesse recorte fantástico que é a Baía de Guanabara. Eu não sei se eles chegaram, logo de início, a entrar ali na Lagoa de Freitas, Rodrigo de Freitas. Eu, sempre que passava do túnel, ao chegar ali, eu sempre pensei nisso também, deve ter sido uma quantidade de araras, uma quantidade de  pássaros, deve ter sido um festival de cor. O Rio de Janeiro, mesmo que não tenha mais tantas araras, ele mantém a imensa da beleza natural que nunca será tirada dessa cidade. Mas não basta ela não ser tirada e ela ser natural. E aí entra toda, também, a nossa história, que é refletida aqui. O cais do Valongo, Benedito, o cais do Valongo, que é um momento terrível da nossa história. O cais do Valongo representa um momento da escravidão nesse país da qual nós nos libertamos, mas temos que continuar nos libertando, lutando contra a discriminação racial no nosso país. Já é um orgulho que no Censo brasileiro, os brasileiros se autodenominaram, se autorreconheceram como 52% de descendência afrobrasileira.

Mas eu acho que o Rio de Janeiro, então, tem esse pesado conteúdo de história que hoje, lá no túnel Rio 450 Anos, eu me referi que é: aqui foi coroado o imperador Pedro I, no momento da nossa Independência. Aqui, no Rio, foi feita a Proclamação da República. Aqui no Rio, nós vivemos o comício das reformas de base do João Goulart, aqui no rio, na Candelária, nós vivemos também todas as manifestações pelas Diretas já. Então, o centro histórico do Rio, além da beleza arquitetônica, de tudo o que ele tem, porque como dizia a música: “Ele desdobra para dentro do mar” e, portanto, o centro do Rio está na beira do mar, o centro do Rio se conjuga com o mar. Daí porque eu acredito que esse projeto que nós aqui temos uma parceria e que tem a liderança do Eduardo Paes a operação Porto Maravilha, ela representa o resgate de todo um processo aqui no Rio de Janeiro. Primeiro da divisão litoral-morro. Depois, representa também a garantia de acesso a esse centro histórico e às belezas naturais a toda população.

Eu acredito, Pezão, que foi um passo muito importante quando nós juntos construímos o Teleférico do Alemão. Por quê? Porque era levar para o Alemão o maior complexo, um dos maiores, eu não sei se ele é o maior, mas eu acho que é um dos maiores complexo de favelas do Rio de Janeiro, levar um meio de transporte que assegurava não só a chegada das pessoas às suas casa em tempo razoável, mas também permitia que dali se visse a beleza do Rio de Janeiro. Eu acredito que a operação, a operação Porto Maravilha, ela integra a cidade novamente ao seu centro histórico e à sua beleza natural.

Então, eu me refiro hoje nessa comemoração aos 450 anos a isso. Eu olhei várias vezes o que foi feito nos outros países em relação às transformações, e vejo várias transformações, por exemplo, em Nova Iorque, na região portuária, que geralmente são regiões degradadas. Em várias outras; Rotterdam também tem modificações na região portuária, na própria Buenos Aires. Mas em nenhuma delas esse resgate se liga à história do nosso país. Então, é muito significativo e simbólico o que hoje nós fizemos aqui na parte da tarde, que foi inaugurar o Túnel Rio 450, que faz parte de todo o complexo de mobilidade social. De mobilidade urbana, desculpa. Mas o que eu acredito que é efetivo – muito efetivo – é o fato de ter, de você ter tido a coragem de derrubar a Perimetral e construir ali um corredor cultural. Um corredor cultural que vai garantir o acesso da cidade aos seus pontos mais bonitos e também vai permitir que aquilo que transforma um país, que é a cultura, tenha um espaço privilegiado para ocorrer. Então, Eduardo, junto com toda a nossa parceria, a parceria que nós tivemos aqui em vários outros lugares através do Pezão e do Sérgio Cabral, tanto no governo do presidente Lula como no meu governo, eu acredito que nós temos, de fato, um compromisso com o presente e o futuro dessa cidade. O futuro, porque nós estamos construindo hoje aqui, os próximos 450 anos. Nós estamos aqui construindo as condições para que o Rio de Janeiro seja essa cidade fantástica para se viver, porque tem, de fato, uma alegria contagiante, uma alegria que está nos pés do Carlinhos de Jesus e da Ana Botafogo; que está na representação da Fernanda e da dona Ivete Lara… Ivone Lara, desculpa dona Ivone; que está em cada um dos artistas dessa cidade. Hoje vocês juntaram a Portela e o Império Serrano, que está lá, está em todos os lugares e nos bares, nas cervejas e na Bossa Nova.

Então, Rio de Janeiro, conte conosco. Nós estaremos presentes para garantir todas as obras, mas mais do que as obras, os projetos de resgate social, cultural e histórico dessa cidade fantástica que vai receber uma das maiores cerimônias do mundo que é as Olimpíadas, que é o momento de celebração da paz. E aí, eu cumprimento o senhor Thomas Bach, presidente do COI, em nome dele cumprimento os demais participantes deste desafio que nós teremos no ano que vem, que é, de fato, mais uma vez, abraçar o mundo recebendo todos os 202 ou 206 países… é dois ou seis? É cinco. Você vê que eu quase acertei. Os 205 países, porque é isso que nós vamos receber, nós vamos fazer: nós vamos receber abraçando todos eles. Um abraço a todos.

 


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