30/10/2015 às 19h19min - Atualizada em 30/10/2015 às 19h19min

Suinocultor aposta na elevação dos preços

Expectativa é que o quilo do aninal vivo, hoje negociado a R$ 4,20, alcance R$ 4,60 na 1ª quinzena de novembro

Michelle Valverde - Diário do Comércio
Os custos de produção preocupam os suinocultores mineiros (Jonas OliveiraAscom Paraná.)

A aproximação das festas de fim de ano e os preços mais acessíveis da carne suína frente ao produto bovino deverão alavancar as negociações e os valores pagos aos suinocultores de Minas Gerais. A expectativa é que o quilo do animal vivo, hoje negociado a R$ 4,20, alcance R$ 4,60 na primeira quinzena de novembro. A recuperação dos preços é avaliada como fundamental para a retomada da rentabilidade, que foi reduzida em função do aumento significativo dos custos de produção.

De acordo com o vice-presidente da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), José Arnaldo Cardoso Penna, a desvalorização do real frente ao dólar tem reduzido a lucratividade do setor em Minas Gerais.

Além de depender da compra de insumos cotados em dólar, como medicamentos, aminoácidos e promotores de crescimento, por exemplo, a moeda norte-americana mais alta estimula o aumento das exportações de grãos, como a soja e o milho, principais componentes da alimentação dos suínos.

"O custo da suinocultura está em alta e foi impulsionado pela variação cambial. No caso da soja e do milho, por exemplo, as exportações acentuadas reduziram a disponibilidade no mercado interno. Para se ter uma ideia, enquanto em agosto pagávamos pela tonelada de soja R$ 950, hoje o mesmo volume é cotado a R$ 1.350, 42% de aumento. No caso do milho, o valor passou de R$ 26 a saca de 60 quilos para R$ 34. Ainda enfrentamos aumentos de outros insumos, que são cotados em dólar", ressaltou.

Segundo Cardoso Penna, os preços atuais pagos pelo quilo do suíno vivo, R$ 4,20, são suficiente para cobrir os custos, mas a margem de lucro está abaixo de 10%, principalmente em regiões onde não se produz grãos e o valor do frete é mais elevado, como na Zona da Mata, por exemplo. Em relação ao início do mês, foi verificada queda de 8,69% nos preços do suíno.


Custos - "Hoje o suinocultor mineiro trabalha com os custos de produção acima de R$ 3,60 o quilo do suíno vivo, podendo chegar a R$ 3,80, conforme a região. A margem é bem reduzida e estamos preocupados com a atual situação do País e como os custos ficarão nos próximos meses", ressaltou.

Ainda segundo Cardoso Penna, a expectativa é que a margem de lucro da atividade seja recuperada nos próximos meses, com a aproximação das festas de fim de ano. "Acreditamos que em 2015 a demanda pela carne suína será ainda maior quando comparada com anos anteriores. Isso em função da valorização da carne bovina e do menor poder de compra dos consumidores. Por ser uma opção com preços mais acessíveis, assim como o frango, a tendência é que o consumidor opte pelo produto".

A expectativa é que o quilo do suíno vivo alcance R$ 4,60 já na primeira quinzena de novembro. O valor é considerado suficiente para cobrir os custos e garantir boa margem para o setor produtivo.

Também contribuirá para a valorização a demanda mais ajustada ao consumo. Apesar das exportações mineiras estarem menores, a negociação brasileira com o mercado externo ficou maior ao longo do ano, o que abriu a possibilidade da carne mineira ingressar em outros estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

"Em decorrência do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, as exportações mineiras recuaram significativamente ao longo dos primeiros nove meses deste ano, porém esperamos por uma recuperação. Os preços mais competitivos no mercado interno frente à carne bovina também contribui para que a demanda seja estimulada a ponto de trabalharmos com um oferta ajustada ao consumo", explicou Penna.

 


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