30/12/2015 às 11h05min - Atualizada em 30/12/2015 às 11h05min

Situação se agrava no polo moveleiro de Ubá

Vendas diminuíram 15% neste ano, após retração de 10% no exercício passado

Leonardo Francia - Diário do Comércio
O aumento dos custos de produção é apontado pelas empresas como o principal motivo da queda no faturamento
A situação do polo moveleiro de Ubá, na Zona da Mata, é cada dia pior. A receita com as vendas deste ano caíram 15% em relação às registradas em 2014, quando o faturamento havia recuado 10%  na comparação com  o exercício anterior. Diante deste quadro, as demissões no arranjo produtivo local (APL) já atingiram pelo menos 15% dos trabalhadores. Além disso, muitas empresas fecharam as portas devido à queda nos negócios e ao aumento dos custos de produção.
 
De acordo com o presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Mobiliário de Ubá (Intersid), Michel Henrique Pires, a nova retração no faturamento, verificada neste exercício, mostra que o polo encolheu. “Este foi um ano muito ruim e é difícil saber qual segmento foi pior, já que a redução nos negócios foi generalizada”, disse.
 
Pires lembrou ainda que a queda de 10% nas vendas de 2014 sobre as de 2013 tinha sido o pior resultado do APL desde 1996, quando o Intersid passou a realizar a pesquisa. “Normalmente, as empresas contratam trabalhadores temporários em setembro, para sustentar as vendas de fim de ano. Mas em 2015 aconteceu justamente o contrário: houve muitas demissões”, afirmou, sem revelar números.
 
Segundo ele, as demissões não tiveram como objetivo aumentar as margens de lucro das empresas e sim garantir o futuro dos negócios, para quando a economia se recuperar as  fábricas estarem preparadas, com condições mínimas de atender ao mercado. No entanto, o presidente do Intersid acredita que a situação pode piorar em 2016.
 
“Algumas empresas não resistiram e fecharam. Mas a maioria tentou sustentar os negócios, na expectativa das vendas de fim de ano. Porém, o desempenho não foi bom e essa situação toda deve ter um impacto maior a partir de maio e abril do ano que vem, com mais empresas fechando e mais demissões”, explicou Pires.
 
Outro problema que ajuda a fortalecer a perspectiva de mais demissões no próximo exercício no polo de Ubá é o aumento dos custos de produção. “O reajuste salarial ficou entre 8% e 10%, a energia elétrica encareceu e os combustíveis também, o que fez com que o preço do frete aumentasse. Não temos como repassar isso para o preço dos móveis, com toda essa crise”, declarou.
 
O presidente do sindicato revelou que as fabricantes de móveis da região têm trabalhado com margens tão apertadas que “existem alguns casos de produtos que o empresário prefere deixar parado em estoque do que vender, porque as margens estão negativas”.
 
Além disso, a elevação do preço da energia e a valorização do dólar são fatores que também impactam nos negócios do maior polo de móveis do Estado. Com a eletricidade mais cara, o custo de produção sobe na mesma proporção. Já a moeda norte-americana afeta de forma mais indireta, na medida em que serve de referência para preços de insumos importados. E, em época de baixa demanda, os custos não podem ser repassados, integralmente, para a ponta do consumo.
 
“Não estamos vendo nada que possa acontecer em 2016 que dê algum alento”, lamentou o representante das empresas da região. Atualmente, nas contas do Intersid, o polo moveleiro de Ubá reúne aproximadamente 300 fabricantes de móveis. Juntos, eles geram cerca de 27,5 mil empregos diretos em toda a região.
 

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