14/03/2016 às 09h20min - Atualizada em 14/03/2016 às 09h20min

O Boticário fecharam 10 lojas em Ipatinga e Coronel Fabriciano

As compras de estoques com a exigência de pagamento antecipado e os constantes atrasos nas entregas de mercadoria prejudicaram as vendas das lojas.

Michelle Valverde - Diário do Comércio
As lojas fechadas ficavam em Ipatinga e Coronel Fabriciano
Dez lojas da franquia de cosméticos O Boticário foram fechadas em Ipatinga e em Coronel Fabriciano, na região do Rio Doce, no último mês. O empresário responsável pelos estabelecimentos, Jamilson Maria de Macedo Soares, atribuiu a situação ao agravamento da crise econômica e às imposições da franquia que promoveram a descapitalização das lojas e perda das mesmas. As unidades faturavam cerca de R$ 25 milhões ao ano.
 
De acordo com Macedo Soares, que completaria 33 anos à frente da franquia em abril, as lojas estavam instaladas nos principais centros comerciais dos municípios, sendo sete em Ipatinga e três em Coronel Fabriciano. Ao todo, foram 100 funcionários demitidos. A ideia é investir em um novo negócio, que ainda não foi definido.
 
A crise econômica e do setor siderúrgico, principal fonte econômica de Ipatinga e Coronel Fabriciano, afetou de forma negativa o ritmo de vendas, já que a população restringiu os gastos devido ao aumento do desemprego. Além da crise, a situação foi agravada, segundo Macedo, por vários fatores ligados à franqueadora. Um deles a imposição para aquisição antecipada de estoque para os meses de dezembro, janeiro e fevereiro.

“Comprar os produtos antecipados se tornou obrigatório no ciclo de dezembro até fevereiro, com as encomenda feitas em outubro e faturadas no último mês do ano. O que nos obrigava a investir em um volume considerável sem saber como seriam as vendas. De 2014 para 2015, não contávamos com o agravamento da crise econômica e todo mundo comprou muita mercadoria. O resultado foi uma grande descapitalização, que atingiu muitos franqueados da rede”.
 
A exigência para que os empresários montassem centrais de vendas diretas, onde as negociações dos produtos são feitas por revendedoras, e a necessidade de investir na renovação do padrão visual das lojas a cada ciclo, o que também exigia mais investimentos, agravaram a situação.
 
“O canal de vendas diretas passou a ser a “menina dos olhos” do O Boticário e foi exigido de todos os franqueados que montassem as centrais de venda direta. Isso demandou altos investimentos, porque montar uma estrutura de venda direta, com estoque alto e folha de pagamento, consume muito recurso. Tínhamos um total de 1,3 mil revendedoras em Ipatinga e Coronel Fabriciano”.
 
As compras de estoques com a exigência de pagamento antecipado e os constantes atrasos nas entregas de mercadoria prejudicaram as vendas das lojas.
 
“Recebemos as mercadorias atrasadas nas principais datas comemorativas, como no Dia dos Namorados e Dia das Mães. Os lançamentos nacionais também demoravam a chegar e, com isso, perdemos vários clientes. Se não pagássemos pelos produtos antecipadamente, também não recebíamos. Chegamos à conclusão de que o grupo não está preocupado com a marca, senão não deixariam faltar mercadorias”.

Arbitrariedade - Outro custo que o empresário considera arbitrário é a cobrança de publicidade na mídia. “Criaram a taxa de mídia regional, que apesar de cobrada do franqueado, não está no contrato. Em 2015, foram gastos pelo grupo R$ 10 milhões em mídia e nos fomos obrigados a arcar com 4% do valor, índice que representa nosso volume de compras no Estado”.
 
O empresário acredita que as 10 lojas serão assumidas pela franqueadora. Isto pela região ser considerada lucrativa.
 
“Aliado a tudo isso, existe a tendência do O Boticário tomar posse de cidades e regiões que têm resultados positivos. Eles aproveitam as dificuldades financeiras do franqueado para assumir as lojas. Ficamos sem condições, sem fôlego, sem oxigênio e a empresa vai assumir as lojas sem pagar nada, não consideram os 33 anos de trabalho. Estamos buscando uma solução na justiça”, explicou Macedo.
 
O Boticário se posicionou sobre as declarações através de nota. “O Grupo Boticário, detentor da marca O Boticário e que atua no negócio de franquias, tem como base de seus negócios, também, o sucesso dos seus mais de 900 franqueados. O grupo mantém uma relação muito próxima e transparente com os franqueados, pautado nas melhores praticas de mercado e suportado por claras regras contratuais. Sobre o caso em questão, trata-se de um caso isolado, cuja relação contratual foi rescindida legitimamente”.
 

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