29/06/2016 às 18h55min - Atualizada em 29/06/2016 às 18h55min

Crise: empresários devem vencê-la emocionalmente

Como manter a calma e a tranquilidade em momentos de pressão intensa

Hilda Medeiros, Coach e Psicoterapeuta.
“O milagre de Hudson” é a história de um piloto americano que conseguiu fazer um pouso forçado no rio Hudson em New York em janeiro de 2009, após perder o controle dos motores. Somente depois de todas as pessoas a bordo e a tripulação terem sido salvas, foi que o comandante Chesley Sullenberger saiu do Airbus. Todas as pessoas foram resgatadas sem tumulto e aparentavam certa calma. Ao serem perguntadas, elas disseram que permaneceram calmas porque a tripulação parecia calma, e esses disseram que o equilíbrio permaneceu presente porque o piloto estava seguro e tranquilo.

O piloto quando perguntado, respondeu: “Eu nunca estive tão nervoso em minha vida, mas também nunca estive tão calmo em minha vida”. Ou seja, numa situação limite, de extremo risco, Sullenberger conseguiu permanecer alinhado com sua missão, seu mais elevado propósito: “salvar vidas”. Por conta de sua missão, ele conseguiu controlar as emoções e conduzir o avião num pouso seguro. Essa história é bastante interessante para fazermos analogia com o papel do líder empresário ou a todas as pessoas que ocupam cargos de alto escalão, aqueles que estão no papel de comandar e apontar o caminho.

O cargo de quem se encontra no lugar mais alto da pirâmide é o mais cobiçado, porém é um dos mais solitários. Na maioria das vezes não podem dividir suas angústias e inseguranças quando elas surgem. Principalmente em momentos em que é fundamental tomar decisões difíceis, que afetarão diretamente a vida das pessoas e a vitalidade da empresa. Como tomar decisões assertivas em meio ao caos? O comandante conseguiu o que parecia impossível porque se manteve alinhado com o seu mais alto valor, com a sua missão.

Num momento de instabilidade econômica e política, muitos empresários se encontram numa “sinuca de bico”, como diz o ditado. Sabem que têm que agir, porque se ficarem estagnados perderão a competitividade em um cenário mundial onde as transformações se dão muito rapidamente. Mas ao mesmo tempo, deve-se ter cautela. Sabem que precisam apontar as direções e, para que isso aconteça, se faz necessário ter muitas capacidades para avaliar todos os prós e contras. Nem sempre é uma tarefa fácil – aliás, bem difícil -, principalmente quando os contras estão muito acentuados e parecem ter proporções gigantescas. Se ficar estagnado, pode perder rentabilidade e posicionamento; se for afoito, pode correr riscos de perder mais ainda por conta de decisões inadequadas.

Medidas desacertadas impactam negativamente no coração da empresa - o comercial financeiro. No entanto, os empresários e líderes em geral são pessoas normais, de carne e osso, com emoções e sentimentos iguais a todas as outras pessoas. A diferença é que: se as pessoas comuns se sentirem amedrontadas e falarem com as demais a respeito de suas perspectivas negativas, o que disserem não passará de falácia. No entanto, colocações erradas de um líder podem funcionar como uma bomba, verdadeiros venenos para o empreendimento.

É importante lembrar que todas as decisões e comportamentos são resultados de um modelo mental, por trás de toda ação está o padrão de pensamento, de crenças e de valores. Ao tomar uma atitude o líder inevitavelmente visita as informações armazenadas, aprendidas com experiências passadas. A questão é que em momentos de crise os comportamentos que davam resultado antes, tendem a falhar. Isso acontece porque em meio ao caos, as regras do jogo mudam. As cartas são embaralhadas novamente - os clientes batem menos na porta.

Para voltar à espiral de crescimento com progresso, é fundamental que o empresário revisite sua história no intuito de aprender, de mudar, de realinhar os valores e crenças, para ter como resultado nova forma de pensar e agir. Ao reorganizar os valores e reestruturar a própria identidade, soluções inéditas surgem.

Em tempos de dificuldades, é preciso mudar a mentalidade, mudar a postura – e isto não é fingir que a crise não existe, mas olhar para ela sem se contaminar com o descontentamento generalizado. É ter sabedoria para buscar coragem e firmeza dentro de si e ser capaz de transmitir esperança para os clientes. Colocar foco no que interessa, no resultado desejado e alimentar o futuro no sentido de criar visão fortalecida capaz de contagiar as outras pessoas. É ser capaz de continuar sonhando quando a maioria está congelada no medo do futuro.

Nesse momento de transição e mudança é necessário a presença de um profissional capacitado para auxiliar líderes a se moverem com confiança, sem perder o foco - o que é bastante fundamental. O Coach é um profissional muito importante nessa escalada. É um profissional que tem competência para ouvir e fazer perguntas poderosas, que ajudam os empresários e líderes em geral a encontrarem o caminho de volta aos trilhos. O processo de Coaching Generativo é muito interessante e eficiente para auxiliar os empresários e pessoas em posição de liderança; pois além de ajudá-los a estabelecer e seguir metas, o processo se dá em níveis mais elevados da percepção humana, que são as crenças, os valores e a identidade. Melhor dizendo, o Coach Generativo ajuda o cliente a descobrir algo novo, traz o inédito para o campo da materialização. Isso cria um senso de missão totalmente alinhado com a ambição independente do quanto grande - ou melhor, o líder quer ser reconhecido e para onde pretende conduzir a empresa.

Estamos vivendo num momento em que os consumidores buscam mais que um produto em si. As pessoas querem o valor agregado. De um modo geral, há uma atenção para as questões de sustentabilidade, integridade e meio ambiente. Quando o empreendedor alinha seu propósito, intenção, visão e missão, naturalmente a ambição do que se quer criar no mundo vai para além do agora. Quando uma pessoa está alinhada com o seu propósito e missão, ela tem uma causa que vai além do valor material que a motiva seguir em frente com entusiasmo.

O pensamento do empreendedor de ponta, moderno, não visa somente o dinheiro, mas também qual é o legado que deixará para as próximas gerações, que fará com que ele tenha orgulho de sua biografia. As perguntas que pode fazer a si mesmo são as mais poderosas, tais como:  
  
Visão: “O que você quer criar no mundo através de você, que está além de você? O que você quer ver de mais e de menos no mundo? O que é o mundo ao qual você quer pertencer?”

Missão: “Qual será a sua contribuição única para fazer a sua visão acontecer? Quais são as especiais habilidades, capacidades, recursos e ações que você vai promulgar para ajudar a alcançar a visão?”

Ambição: “Que tipo de vida você quer criar para si mesmo? Para os seus filhos e netos? Que tipo de estado e desempenho que você deseja alcançar com relação a si mesmo e aos outros? O que gostaria de ser capaz de adicionar ao seu currículo ou biografia?”

Papel: “Que tipo de pessoa você precisa ser para criar a vida que você quer? Quais são as principais competências necessárias para ser este tipo de pessoa?”

Artigo de: Hilda Medeiros atua há quinze anos em consultório particular (http://www.taoconsultoria.com.br/index.php) como Coach Generativo e Psicoterapeuta de profissionais liberais, empresários e executivos de empresas de diferentes portes.
 
 
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