29/07/2016 às 17h28min - Atualizada em 29/07/2016 às 17h28min

Justiça rejeita defesa prévia e tranforma Lula e mais seis em réus na Lava Jato

Jornal GGN
A Justiça Federal de Brasília recebeu nesta sexta-feira (29) a denúncia do Ministério Público Federal contra o ex-presidente Lula e mais seis investigados da Lava Jato, incluindo o ex-senador Delcídio do Amaral, e transformou todos em réus.

No despacho assinado pelo juiz substituto da 10ª Vara Federa, Ricardo Augusto Soares Leite, consta que os advogados de Lula fez uma solicitação para apresentar defesa prévia, negada pelo magistrado sob o argumento de que o processo não corre mais em corte destinada ao foro privilegiado.

Ao lado de Delcídio e Lula, constam como réus o assessor do ex-senador, Diogo Ferreira, o banqueiro André Esteves, o advogado de Delcídio, Edson Riberito, o pecuarista José Carlos Bumlai e seu filho, Maurício Bumlai. Todos são acusados de deflagrar um plano para comprar o silêncio de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras e um dos principais delatores da Operação.

O caso estava no Supremo enquanto Delcídio detinha foro privilegiado, mas ele perdeu a prerrogativa após ser cassado pelo Senado. Os autos foram remetidos à primeira instância e, antes de serem enviados para apreciação da Justiça Federal, houve um aditamento da denúncia apresentada inicialmente por Rodrigo Janot.

Em função disso, os réus terão 20 dias, o dobro do prazo regular, para ratificar as defesas feitas previamente ou enviar novas alegações.

O juiz também levantou o sigilo dos autos e, admitindo o interesse da mídia no caso, mandou distribuir cópias de sua decisão para que os advogados pudessem ter direito à divulgação da correta informação.

Para encerrar, o juiz também adiantou que após a manifestação dos réus, haverá uma nova rodada de análise por parte do Ministério Público Federal.

A DELAÇÃO

Lula foi denunciado por obstrução da Lava Jato na delação de Delcídio do Amaral. O senador disse que pagou R$ 250 mil à família Cerveró para ajudar nas custas de seu advogado, já que a Petrobras suspendeu o pagamento dos honorários.

À Lava Jato, Delcídio disse que ele e seu assessor, além do advogado, entregaram pessoalmente dinheiro vivo ao filho de Cerveró, Bernardo - que gravou Delcídio oferecendo uma rota de fuga ao delator, o que resultou em prisão em flagrante do ex-petista.

Delcídio disse que os recursos para pagar Cerveró vieram, num primeiro momento, de Maurício Bumlai, que tinha interesse em "calar" o delator para evitar que o Bumlai pai fosse citado na Lava Jato.

Depois, segundo Delcídio, quando Maurício descobriu que Cerveró delatou Bumlai, houve uma tentativa de fazer o banqueiro André Esteves assumir as despesas, mas este não chegou a fazer pagamentos.

Para conseguir benefícios na Lava Jato, Delcídio disse que executou todo o plano a pedido de Lula, que estava preocupado com o avanço das investigações sobre ele e Bumlai.

Nos documentos vazados para a imprensa, não há provas do que Delcídio diz contra Lula. No geral, o senador usou sua agenda parlamentar para provar encontros que teve com os citados. A Procuradoria Geral da República, segundo a Folha, diz que analisou extratos bancários, emails, comprovantes de viagens e de hospedagem em hotéis.

Delcídio tinha motivo para se preocupar com uma delação de Cerveró, pois conhecia o ex-dirigente da Petrobras desde os anos 1990.

Lula, Maurício e Bumlai são acusados de embaraço à investigação (pena de 3 a 8 anos). Delcídio, Diogo e Edson, de obstrução e por exploração de prestigio (pena de 1 a 5 anos) e patrocínio infiel (6 meses a 3 anos). Esteves é acusado de embaraço e exploração de prestígio.

Leia a decisão da Justiça Federal em Brasília aqui.


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