25/11/2016 às 21h14min - Atualizada em 25/11/2016 às 21h14min

Fundação Clóvis Salgado democratiza o acesso à cultura com programação gratuita

Espetáculos, filmes, concertos, mostras, cursos e seminários levaram, nos últimos 2 anos, milhares de pessoas aos espaços da FCS

SEGOV - Governo de Minas - Central de Imprensa/Fotos: Paulo Lacerda / FCS
Concertos da Orquestra Sinfônica e do Coral Lírico de Minas Gerais, apresentações da Cia. de Dança do Palácio das Artes, óperas, shows, exposições de arte e de fotografias, cinema, cursos e seminários estão na extensa lista de atividades gratuitas oferecidas pela Fundação Clóvis Salgado (FCS) à população.

Nos anos de 2015 e 2016, uma programação intensa movimentou o cenário cultural de Belo Horizonte e do interior de Minas Gerais com um público recorde de mais de meio milhão de pessoas.

Segundo o secretário de Estado da Cultura (SEC), Angelo Oswaldo, a política da atual gestão é democratizar o acesso às diversas atividades da Fundação Clóvis Salgado, especialmente, do Palácio das Artes.

“Houve um convite envolvente ao grande público, que respondeu, afirmativamente, lotando os espaços e prestigiando a programação. Além disso, as itinerâncias levaram música e artes visuais a diversos pontos do estado”, ressalta o secretário.



Vocação pública

O sucesso da programação prova que, mesmo em tempos de crise, é possível manter e criar projetos culturais de qualidade.

“Com criatividade e inovação temos conseguido ir muito além das expectativas, cumprindo a vocação pública da instituição”. Augusto Nunes-Filho, presidente da Fundação Clóvis Salgado 

De acordo com Nunes-Filho, a organização e o planejamento das atividades têm permitido um aproveitamento melhor do potencial artístico da FCS e sua disponibilização para o grande público.

“Pela primeira vez, em 2016, os Corpos Artísticos tiveram uma agenda anual, lançada no final do ano anterior, com programação cuidadosa e totalmente voltada para a formação de público”, ressalta o presidente da FCS.



Artes visuais

Inovações aconteceram também no setor de artes visuais. Os editais de ocupação das galerias do Palácio das Artes passaram a ser anuais, além da abertura de um edital específico para a fotografia, na CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais.

Assim, as exposições de obras em diferentes linguagens atraíram público superior a 240 mil pessoas nos dois últimos anos.

Outra novidade é o Arteminas, programa que convida artistas mineiros a ocuparem as galerias do Palácio das Artes.

Mostras e música vão ao interior

A programação gratuita também atraiu o público das cidades do interior de Minas Gerais. Um projeto pioneiro é a exposição itinerante “Recorte: Acervo Fundação Clovis Salgado”, que ocupou inicialmente o Museu de Congonhas, com público de 35 mil pessoas.

 “O interior tem muita carência desse tipo de interatividade e a gente não pode perder a oportunidade de ter o contato físico com as obras de arte”. Welerson Athaídes, 60 anos, projetistga e fotógrafo, morador de Congonhas

Após o sucesso em Congonhas, a exposição deslocou-se para Museu da Loucura de Barbacena e, em breve, será aberta em Cataguases. Esse Recorte contempla principalmente as obras modernistas das primeiras gerações de alunos do mestre Guignard.

Em 2016 ainda foram mantidas as itinerâncias dos Corpos Artísticos da Fundação Clóvis Salgado. O Coral Lírico de Minas Gerais apresentou-se em Guaranésia, no Território Sul, para um público de mais de 600 pessoas.
Já a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais encantou Diamantina, no Alto e Médio Jequitinhonha, com um concerto que levou mais de 1.500 pessoas à praça do Mercado Velho.

“Nós queremos difundir nosso trabalho fora do Palácio das Artes, mostrar as realizações da FCS no interior, garantindo o acesso de um número maior de pessoas a essas produções”, revela Augusto Nunes-Filho.

Já o presidente da Fundação Municipal de Cultura de Congonhas, Sérgio Rodrigo Reis, ressalta a importância desse intercâmbio. “O sucesso da exposição na nossa cidade reforça que o público do interior de Minas está aberto a esse tipo de produção”, observa.

Cardápio musical gratuito

Em Belo Horizonte, as apresentações gratuitas da Orquestra Sinfônica e do Coral Lírico de Minas Gerais às terças-feiras, ao meio-dia, no Grande Teatro do Palácio das Artes, já se tornaram uma atração aguardada pelo público, principalmente para quem trabalha ou mora no centro da capital.

Antes e durante o concerto, o maestro titular da Orquestra Sinfônica, Silvio Viegas, explica o contexto em que as músicas foram criadas e conta a história dos compositores. Os concertos apresentam obras de grandes nomes da música mundial, como Wolfgang Amadeus Mozart, Pietro Mascagni, Ludwig van Beethoven, Felix Mendelssohn e Johannes Brahms, entre outros.

O Lírico ao Meio-Dia e o Sinfônica ao Meio-Dia foram criados no início do ano passado e já estão consolidadas no roteiro cultural de Belo Horizonte, contabilizando, em 2016, uma média de público de 600 pessoas, por apresentação.

Cinema e tradição

A intensa programação de mostras de cinema e de debates sobre produções cinematográficas atrai os amantes da sétima arte que admiram filmes fora do circuito comercial. Todas as exibições passaram a ser gratuitas a partir de 2015 e levaram ao Cine Humberto Mauro cerca de 135 mil pessoas, sem contabilizar o último trimestre de 2016.

A FCS realiza, em média, 25 mostras de cinema por ano. Em 2016 foram criados dois novos projetos permanentes de fomento à produção cinematográfica, circulação e formação de público. São eles: Traga seu Filme e Cineclube Francófono, em parceria com o Instituto Francês e a Cinemateca Francesa, com debates sobre a produção cinematográfica da França.

Basicamente eu gosto de assistir à Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. Também costumo vir sempre no Cine Humberto Mauro e em algumas exposições. Eu acho essencial que aqui tenha esse espaço, com programação diversa, mostrando coisas diferentes. É sempre interessante ver o pessoal mais velho e outros jovens por aqui. Minha filha Sofia, de 11 anos, faz teatro aqui e quer fazer dança também. Eu entendo essas atividades como um complemento da educação formal e, mais que isso, a forma como as pessoas lidam aqui dentro é diferente. Tem realmente um outro tipo de atmosfera, é mais plural.”

Rafael Narciso, 30 anos, advogado, morador de Belo Horizonte

Guimarães Rosa

A homenagem da FCS aos 60 anos de lançamento de Grande Sertão: Veredas, obra-prima de João Guimarães Rosa, também marcou as atividades gratuitas da FCS, no início de novembro deste ano.
A principal atração foi a leitura de trechos do livro pela cantora Maria Bethania, que lotou o Grande Teatro no encerramento do evento.  Mais de 3 mil pessoas compareceram ao Palácio das Artes durante os quatro dias de atividades.

Inverno das Artes e Palco de Encontro

O Inverno das Artes é outra programação que movimentou a agenda cultural da capital, no mês de julho. O evento combina shows, debates, oficinas de artes visuais e mostras especiais de cinema.

A primeira edição do Inverno das Artes aconteceu em 2015. A proposta é que o projeto seja uma referência para a cidade ao reunir artistas consagrados e jovens talentos em início de carreira.

O Palco de Encontro é outo destaque.  A primeira edição retratou a trajetória da música mineira, passando pelo Clube da Esquina, músicas que marcaram os anos 80 e 90, além do samba mineiro, rap e do rock das Gerais. 

Na edição de 2016, o Palco de Encontro comemorou os 100 anos do samba, lembrando a história de um dos maiores sambistas de todos os tempos: o cantor e compositor Cartola.

Formação artística de jovens e adultos 

Na lista da programação ainda estão as mais de mil vagas gratuitas oferecidas, todo ano, pelo Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart).  Além dos tradicionais cursos de música, dança e teatro, o Cefart passou a promover aulas de Formação Inicial Continuada (FIC). 
 “A gratuidade dos cursos é essencial para os alunos de baixa renda que querem entrar no mundo artístico. Eu estudo canto e piano há três anos no Cefart. Os profissionais são qualificados e o contato com eles tem me dado base técnica para trabalhar de forma profissional com a música”. Matheus Lanes, 22 anos, aluno do Cefart, em Belo Horizonte

O Núcleo de Tecnologia do Espetáculo, por exemplo, ofereceu gratuitamente cursos de fotografia aplicada às artes cênicas, auxiliar de cenotecnia, iluminador cênico e influência africana na música popular das Américas.

Os cursos do Cefart são dirigidos ao público em geral, a partir dos oito anos de idade. “Os cursos permitem que as pessoas tenham acesso à cultura, à formação artística e ao desenvolvimento do olhar estético”, afirma a diretora do Cefart, Cibele Navarro.

Confira aqui a programação de dezembro.

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