18/09/2014 às 16h17min - Atualizada em 18/09/2014 às 16h17min

Sorrisos e olhares do pai

José Roberto Lima - A

            Ao longo de décadas, guardo esta lembrança: o sorriso do meu pai quando, ainda criança, eu fazia um brinquedo de madeira. Os olhos dele brilhavam diante dos meus carrinhos, desde miniaturas até triciclos à pedal.

            Sobre esse tema, conheci pessoas que sofreram. É o caso de um aluno, a quem chamarei de George. Ele também nunca esqueceu o sorriso do pai, admirando as habilidades do filho. Mas sua juventude foi marcada pela inveja. Uma das irmãs tinha o apelido de “Farinha” e, como tal, queria que todos fossem do mesmo saco. Noutras palavras, ela era a primeira a socorrer os irmãos, mas se incomodava quando algum deles melhorava de vida. Assim, tal como a rainha no tabuleiro de xadrez, manipulava os peões, ou seja, os irmãos que agiam como “piões”.

            Um deles, criado fora da família, a ela se juntou. Foi recebido com “status” de juiz dos conflitos familiares. Usurpou o papel dos pais e ganhou o apelido de “Heroizinho”. Suas reprimendas tinham a marca da covardia e incluíam, além de tapas, isolamento social, tendo “Farinha” como aliada.

            Os pais deixaram-se influenciar e aderiam às cenas de desprezo contra George. Mas, numa conversa particular, eis o desabafo do pai: “Eu sei que as acusações de seus irmãos são falsas. Mas, se eu não te desprezar, eles param de conversar comigo”.

            Desde então, pai e filho combinaram em prosseguir com aquelas cenas. Mas nas noites de sábado, quando os irmãos saíam, eles conversavam amistosamente. Nessas horas, nosso confidente voltava a ver o brilho nos olhos paternos. E por falar em olhos, naquelas noites, o filho não faltava com a aplicação de colírio para controlar o glaucoma do pai. Tanto que, quando George afastou-se da família, o pai lamentava sua ausência.

            Vivendo nessas condições, aquele aluno passou em três concursos, sendo um para cargo privativo de advogado. Quando se formou, disse que o sorriso e o brilho nos olhos do pai foram a grande motivação para estudar.

            Então, leitor, no próximo domingo, ao presentear seu pai, revigore as lembranças de sorrisos e olhares dele. Isso basta para te manter empenhado no rumo do sucesso. Feliz dia dos pais!

            

(*) Professor de Direito, delegado federal e autor do livro “Como passei em 15 concursos”, da Ed. Método.

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