21/11/2014 às 08h21min - Atualizada em 21/11/2014 às 08h21min

O Tira gosto da madrugada

É sabido que comidinhas de butiquins são um atrativo especial para quem toma uma gelada ou uma cachacinha. Todo mundo aprecia e as pessoas envolvidas nesta história não fugiam à regra.  Era um grupo de amigos que estavam acostumados a virar noite  na boemia e de madrugada, cansados, bêbados e com fome, procuravam o único boteco da cidade que não fechava as portas no fim de semana.

O dono, amigo de todos, com eles tomava a saideira e deixava que eles mesmos preparassem o mexidinho, a lingüiça, ou o fígado acebolado tão apreciado pelos beberrões.

Foi numa dessas noites que a desgraça aconteceu. Horas antes, passou por ali, um auxiliar de legista com um pequeno embrulho pedindo ao seu Zé que guardasse na geladeira até o dia seguinte.

No pequeno recipiente lacrado estava um pedaço de fígado humano que iria para autópsia no dia seguinte. Entretanto, o legista nada explicou ao amigo dono do boteco e se foi, prometendo voltar pela manhã bem cedo.

Na madrugada como de costume chegaram da farra os amigos  procurando algo para saciar a fome. Seu Zé como participante ativo das  saideiras  deu autorização para que pegassem o que bem entendessem na geladeira e fizessem como tira gosto.

Não deu outra  encontraram o pacote, picaram, temperaram e se deliciaram com a iguaria. Seu Zé, só ficou sabendo o que eles comeram no dia seguinte quando o auxiliar de  legista voltou para pegar o pacote.

Foi um transtorno, pois o auxiliar de legista teve que voltar à cidade onde estava o cadáver, conseguir autorização para desenterrá-lo, enfrentando todos os burocráticos procedimentos para conseguir cumprir sua missão.

Quanto aos beberrões não sei se algum deles tomou conhecimento do fato pois continuam tomando seus gelinhos nas madrugadas da pacata cidade.   Quanto ao Seu Zé, dono do boteco, está passando mal até hoje e jurou aos amigos que fígado acebolado ele não come nunca mais.

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