21/11/2024 às 09h22min - Atualizada em 21/11/2024 às 09h22min
O filme
Helenice Fonseca
Foto: Divulgação-Sony / Pipoca Moderna
Sob o efeito impactante do filme que assisti ontem no cinema, “Ainda Estou Aqui”, acordo hoje mais melancólica e um pouco mais descrente da humanidade, principalmente pelo fato de saber que muitas pessoas, inclusive do meu convívio social e familiar, ainda acompanham as ideias daqueles que defendem a ditadura militar e toda sorte de violência e truculência e ódio e dor e sofrimento que ela representa. Como pode?
As cenas que mais me tocaram foram de medo... O medo que consome uma mãe que teme pela segurança e integridade dos filhos... O medo dos filhos que temem pela vida dos pais... Enfim, o medo permeia o filme do início ao fim, então, tudo me tocou!
Como disse minha amiga Dora Stephan sobre este filme “aquele que você leva para casa, fica com ele, no mínimo, uns três dias”. Saí do filme ontem, mas ele ainda não saiu de mim e penso que deve ter acontecido o mesmo com a maioria das pessoas que assistiram. A primeira coisa que me veio à cabeça assim que terminou o filme foi: meus filhos têm que assistir! Meus irmãos precisam assistir! As meninas do escritório têm que assistir! Meus amigos precisam assistir! Meus familiares (sobretudo os que são eleitores daqueles da extrema direita) precisam urgentemente assistir! Para mim, é impensável que não saiam de lá minimamente tocados pelo horror que se vê na história de uma família alcançada pelas barbáries da ditadura militar! Não se pode negar a história da família Paiva (retratada no filme), nem da família Angel, nem Herzog e tantas outras que não foram mencionadas no filme. Histórias de pessoas que foram violentadas, torturadas, desaparecidas, sequeladas e mortas pelo horror de uma praga chamada PODER. E isto não está restrito nestes períodos pretéritos de ditaduras, guerras, conflitos, opressões, colonizações, invasões, etc... A violência acontece hoje... agora... nas periferias das cidades, nas madrugadas dos errantes, nos assentamentos daqueles que não tem onde pousar, nas praças e calçadas das grandes cidades, nas disputas das facções e milicias, nos conflitos em Gaza, na Rússia, na Ucrania, na Síria, no Iêmen, Sudão e tantos outros conflitos no mundo todo que não são notícias no Jornal Nacional.
Quantas crianças acordam agora sem pai e sem mãe? Quantos pais estão agora temendo pela vida de seus filhos? Quantas famílias estão sob o domínio do medo? Quantos inocentes ainda estão “na mira” de uma bala perdida? Quantas mulheres estão sob o julgo de seus companheiros violentos? São tantos que não se pode contar... E eu pergunto: pra quê? Por quê?
O homem tem em si a violência e a opressão ... e isto é desanimador! Temo pelos meus filhos e pela minha neta que ainda verão muito mais do que eu! Lamento... tristemente lamento!
Helenice Fonseca
20-11-2024
“Filha do medo, a raiva é mãe da covardia”
(Chico Buarque)