14/05/2026 às 13h57min - Atualizada em 14/05/2026 às 13h57min

Letramento comunicacional: Lendo a notícia nas entrelinhas

Pra quem pensou que o Barão de Cotegipe havia morrido e virado somente nome de rua ? Pensou errado… Ele ressuscitou em forma de chupeta!

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Francisco Viana da Silva

Francisco Viana da Silva

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Francisco Viana
Francisco Viana - Arquivo

Pra quem pensou que o Barão de Cotegipe havia morrido e virado somente nome de rua ? Pensou errado… Ele ressuscitou em forma de chupeta!

Quem passa todo dia pela Rua Barão de Cotegipe, batendo perna no comércio de Leopoldina, nem imagina que o nome da rua homenageia um dos caras que mais choramingou contra o fim da escravidão. O Barão de Cotegipe achava que libertar os escravizados ia ser o fim do mundo para os senhores. Queria indenização, transição lenta, todo aquele drama.

Pois é… mais de 130 anos depois e o Barão continua vivo.

Só que agora ele ressuscitou de fundo preto, voz de taquara rachada, cara de adolescente mimado e nome de Nikolas Ferreira (PL-MG). O deputado aparece nos vídeos com aquela vozinha fina, quase infantil, fazendo drama como se estivesse revelando o fim dos tempos: “O trabalhador só pode ter um dia a mais de folga se o governo pagar uma Bolsa Patrão pros empregadores (pequenos burgueses, exploradores de mão de obra)!”. Resumo da ópera: o povo paga a conta para o patrão deixar o operário folgar. A escala 6×1 só acaba em 2038. Tá bom, né, companheiro?

E o mais engraçado é ver muita gente da classe operária defendendo isso com unhas e dentes, achando que está salvando o emprego. Meu irmão, tu tá é mamando chupeta junto.

Leopoldina conhece bem essa música. Fomos uma das últimas cidades do Brasil a libertar os escravizados. Em 1876, tínhamos mais de 15 mil escravizados por aqui. A elite do café esperneou, chorou e esperou até o último segundo. Mudança social por aqui sempre foi vista como “prejuízo pros de cima”. Essa mentalidade criou raiz forte.

Tanto criou que até a estátua da Princesa Leopoldina decidiu ficar de costas pra educação. Sinal claro de que prioridade nunca foi o povo estudar e acordar.

Nikolas, com sua vozinha de taquara rachada e tom de quem foi mimado a vida inteira, parece que tá salvando o Brasil. Mas no fundo, no fundo, o recado é o mesmo de sempre: que a classe pobre — que no Brasil continua sendo majoritariamente negra — que aguente o rojão, que trabalhe até cair e que ainda agradeça.

O letramento comunicacional serve exatamente pra não engolir essa chupeta achando que é bico de mamadeira:

Por que descanso digno vira “mimimi”?

Por que melhorar a vida do trabalhador sempre é “radical”?

E por que o lucro dos de cima é sagrado, enquanto nosso cansaço vira problema do Estado?

Não é briga com o pequeno lojista da Barão de Cotegipe que mal consegue fechar as contas no fim do mês. É pra gente parar de aceitar que o trabalhador tem que sangrar pra economia “andar”.

O Barão de Cotegipe pode ter virado nome de rua. Mas a gente não precisa deixar a alma dele continuar mandando na nossa cabeça em 2026, ainda mais com vozinha de adolescente mimado.

Bora ler as entrelinhas e cuspir essa chupeta fora de uma vez.

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